terça-feira, 26 de novembro de 2019

A família – alicerce social e a Doutrina Espírita

A melhor escola ainda é o lar, onde a criatura deve receber as bases do sentimento e do 
caráter. Os estabelecimentos de ensino, propriamente do mundo, podem instruir, mas só 
o instituto da família pode educar. É por essa razão que a universidade poderá fazer o 
cidadão, mas somente o lar pode edificar o homem” (Emmanuel- Espírito obra O
 Consolador q.110)
Nas três últimas décadas, principalmente, a sociedade reconhece que as transformações
 sociais ocorridas trouxeram modificações na própria composição do núcleo familiar, bem 
como no comportamento de seus componentes frente ao contexto atual no qual a família está 
inserida. As condições culturais, sociais e econômicas da vida moderna estão possibilitando 
novos papéis para o homem e para a mulher e esses estão desencadeando uma modificação nos 
valores morais e no modo de ser e de viver.
Como consequência, temos fatores positivos como a ampliação e flexibilização do
 pensamento, a diminuição dos preconceitos, a liberação da mulher e a globalização 
através da tecnologia; e outros negativos como a inversão dos valores morais, a desarticulação
 familiar, o aumento da violência juvenil e do despotismo infantil, colocando os pais em constante 
conflito com relação ao encaminhamento educacional que devam dar aos seus filhos.
A família é considerada o mais importante pilar da sociedade, pois é nesse contexto que
 o ser reencarnante vivencia os primeiros processos de socialização, aprende, trabalha e 
busca suas realizações pessoais, vivendo e convivendo nas inúmeras culturas existentes na Terra.
Nesse sentido, a Doutrina Espírita tem muito a contribuir por dar conhecimento dos fatores que 
envolvem as relações familiares e sociais, os valores morais, a educação dos filhos, entre
 outros, analisando-os sob a perspectiva espírita; da lei de causa e efeito; da reencarnação e dos
 ensinos do Cristo, que sejam pertinentes à compreensão da destinação do Espírito imortal, pois
 o adulto seguro e consciente da realidade espiritual compreende a importância do grupo
 familiar equilibrado para o equilíbrio da sociedade.
Por esse motivo, a Federação Espírita Brasileira – FEB tem voltado seus esforços para a
 Evangelização Espírita de Crianças e Jovens, por meio de campanhas, ao longo de trinta anos, 
buscando orientar, organizar e nortear as ações que envolvem a ação evangelizadora em todo
 o Brasil, por meio das Federativas Estaduais. Assim também campanhas envolvendo 
Família, por entender ser de fundamental importância a participação dos grupos familiares na 
educação moral e espiritual das crianças e jovens.
Como a ação evangelizadora das crianças e jovens e das famílias é uma ação educadora e, 
portanto, pedagógica, a FEB busca sempre a melhoria da qualidade dessa tarefa, trazendo novos
 olhares e reflexões sobre as novas teorias e metodologias que venham ao encontro dos 
ensinamentos espíritas contidos nas obras básicas.
Assim, num esforço nacional, surgiram dois novos documentos: Orientação à Ação 
Evangelizadora Espírita da Infância: Subsídios e Diretrizes e Orientação à Ação Evangelizadora
 Espírita da Juventude: Subsídios e Diretrizes.
Em ambos constam importantes reflexões sobre os temas que permeiam a Ação 
Evangelizadora da Criança e do Jovem, envolvendo a casa espírita por meio de seus 
departamentos, o evangelizando, o evangelizador, a família e a sociedade em constante 
transformação.
Por esse motivo, a Federação Espírita do Paraná – FEP, numa ação conjunta com o 
DIJ/FEP, está elaborando um projeto para que as orientações recebidas do DIJ/FEB possam 
ser levadas aos coordenadores e diretores de DIJ das UREs  e, posteriormente, cheguem
 aos seus núcleos espíritas.
Contamos, dessa forma, contribuir para o burilamento da Ação Evangelizadora da Criança, do 
Jovem e da Família, sob as bênçãos do Mestre Galileu e dos amigos espirituais que comandam
 o trabalho da Evangelização Espírita Cristã. 

Mais um encontro estadual a caminho. 
Após receber sugestões de temas enviados pelos Diretores dos DIJs das UREs do Estado, 
a equipe DIJ/FEP, juntamente com a coordenadora geral do evento, Sandra Borba Pereira, 
chegou ao tema central do 6º Encontro Estadual de Evangelizadores: Fundamentos 
para a evangelização: conhecimento, amor e trabalho.
Encontro terá a participação de evangelizadores de infância, selecionados pelos Diretores de 
DIJ das UREs.
As vagas ofertadas a cada região do Estado serão distribuídas levando em conta os dados 
do último Censo Numérico.
Importante ressaltar que o papel que esses participantes desempenharão nas suas regiões, 
será o de atuarem como multiplicadores da equipe da URE sob a coordenação de cada Diretor 
de 
DIJ.
Para mais informações procure o Diretor de DIJ da sua região.

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Família - convite ao amor.


A tarefa não é tão difícil quanto vos possa parecer. Não exige o saber do mundo.
Podem desempenhá-la assim o ignorante como o sábio, e o Espiritismo lhe facilita
o desempenho, dando a conhecer a causa das imperfeições da alma humana.3
Santo Agostinho, O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIV, item 9

A importância da família para o desenvolvimento da sociedade humana é pauta constante 
no campo de estudo dos homens, assim como sua importância para o processo evolutivo 
do Espírito tem sido constantemente abordado no intercâmbio com o plano espiritual.
Conforme afirmativa do Espírito Camilo, não foi sem razão que Carlos Marx e 
Frederico Engels estabeleceram que a família representa o primeiro grupo histórico e a
 primeira forma de interação humana aos quais os indivíduos se ajustam.1
Ainda, a célebre afirmativa de Rui Barbosa (1849-1923), um dos mais brilhantes intelectuais 
de seu tempo, considerando a família como a célula mater da sociedade, destaca a sua 
importância como embrião que se forma a partir de um pequeno núcleo de pessoas, e 
se desenvolve tomando a grandiosa dimensão da organização de toda uma sociedade.
De todas as associações existentes na Terra – excetuando naturalmente a Humanidade – 
nenhuma talvez mais importante em sua função educadora e regenerativa: a constituição
 da família, afirma o Espírito Emmanuel.2
Ante tais colocações, que ressaltam a grandiosidade da formação familiar para o
 desenvolvimento da sociedade humana, assim como para a educação do Espírito imortal, 
convém refletir sobre os princípios que regem a vida, de onde parte o ser, da simplicidade e 
da ignorância, para a sublimidade da angelitude, utilizando-se das diversas oportunidades 
reencarnatórias para tal conquista.
Baseados no entendimento do amor como sendo Lei Maior, emanada do Criador, 
que rege todo o Universo, faz-se mister observar com muita atenção que é o próprio 
amor o ingrediente fundamental que deve nortear toda a ação dentro do núcleo familiar, 
assim como o seu desenvolvimento em plenitude é o produto final que se almeja alcançar.
Recordando o convite do Mestre Nazareno, que ecoa em nossos ouvidos, através dos 
séculos, para que amemos ao nosso próximo como a nós mesmos, reconhece-se 
a família como a associação terrena que foi concedida por Deus como oportunidade 
desse aprendizado em ambiente seguro e protegido.
Ambiente propício para exercitarmos, ainda de forma incipiente, a prática do respeito, 
do perdão, da compreensão, do carinho e da compaixão, como forma de amar 
verdadeiramente.
A família, na qual dois seres se conjugam, atendendo aos vínculos do afeto,2 possibilita, 
por intermédio da paternidade e da maternidade, o despertamento das centelhas do
 amor do Pai Maior, latentes em cada criatura. Amor até então ignorado pelo homem, 
que percebe, a partir do exercício desses papéis, sentimentos antes não conhecidos, 
que o leva a abrir mão de si mesmo em nome de seus rebentos, a encontrar forças
 para lutar ante as adversidades, as quais não acreditava possuir. São as sementes do 
verdadeiro amor desabrochando no ser humano, que passa a enxergar o próximo antes 
de enxergar a si mesmo. É a verdadeira caridade que se manifesta no homem, 
convidando-o a rasgar a cortina do eu para ver o próximo mais próximo se apresentando,
 inicialmente, no papel de filhos, solicitando todo o cuidado que lhes possa ser dispensado.
Sem fórmulas preconcebidas para dar certo, a relação familiar deve contar com o 
componente essencial do amor. Amor puro que vai construir a relação do casal, que 
servirá de exemplo fundamental aos filhos, que ecoará no respeito entre irmãos, 
na construção de relações saudáveis entre os demais familiares, entre amigos e, 
por fim, em toda a sociedade.
Dessa maneira, o lar se constituirá no porto seguro, onde todos estarão sempre ansiosos
 para chegar. O local de aconchego e confiança, onde se diluirão mágoas, se confiarão
 segredos, se revelarão sentimentos, na certeza do respeito à individualidade de cada um
 e do amor que será o conforto às almas doridas que buscam redenção no plano terreno.
Viver harmoniosamente em família não exigirá de ninguém elevados requisitos de 
conhecimento, pois, consoante a afirmativa de Santo Agostinho a tarefa não é tão difícil
 quanto vos possa parecer. Não exige o saber do mundo. Podem desempenhá-la assim 
o ignorante como o sábio.3
Não exige de nós senão a busca sincera da simplicidade e da humildade, reconhecendo-nos 
como seres imperfeitos, colocados lado a lado, no ambiente doméstico, para o crescimento 
conjunto.
A família é o convite do Criador ao exercício do amor. O amor maternal, paternal, filial que, 
em breve, se tornará o tão almejado amor universal.

Bibliografia:
1 TEIXEIRA, José Raul. Desafios da vida familiar. Pelo Espírito Camilo. Niterói: Fráter, 2003. pt. I, pg. 18.
2 XAVIER, Francisco Cândido. Vida e sexo. Pelo Espírito Emmanuel. 7. ed. Rio de Janeiro: FEB. cap. 2.
3 KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. 131. ed. Rio de Janeiro: FEB. cap. XIV, item 9.

domingo, 17 de novembro de 2019

SABEDORIA DA VIDA...

"Certa vez, perguntei para o Ramesh, um de meus mestres na Índia:
- Por que existem pessoas que saem facilmente dos problemas mais complicados, enquanto outras sofrem por problemas muito pequenos, morrem afogadas num copo de água?
Ele simplesmente sorriu e me contou uma história:
Era uma vez um sujeito que viveu amorosamente toda a sua vida. Quando morreu, todo mundo lhe falou para ir ao céu, um homem tão bondoso quanto ele somente poderia ir para o Paraíso. Ir para o céu não era tão importante para aquele homem, mas mesmo assim ele foi até lá. Naquela época, o céu não havia ainda passado por um programa de qualidade total. A recepção não funcionava muito bem. A moça que o recebeu deu uma olhada rápida nas fichas em cima do balcão e, como não viu o nome dele na lista, lhe orientou para ir ao Inferno. E no Inferno, você sabe como é. Ninguém exige crachá nem convite, qualquer um que chega é convidado a entrar. O sujeito entrou lá e acabou ficando.
Alguns dias depois, Lúcifer chegou furioso as portas do Paraíso para tomar satisfação com São Pedro:
- Você é um tratante. Nunca imaginei que fosse capaz de uma baixaria como essa. Isso que você esta fazendo é puro terrorismo!
Sem saber o motivo de tanta raiva, São Pedro perguntou, surpreso, do que se tratava. Lúcifer, transtornado, desabafou:
- Você mandou aquele sujeito para o Inferno e ele está fazendo a maior bagunça lá. Ele chegou escutando as pessoas, olhando-as nos olhos, conversando com elas. Agora, esta todo mundo dialogando, se abraçando, se beijando. O inferno está insuportável, parece o Paraíso!
E fez um apelo:
- Pedro, por favor, pegue aquele sujeito e traga-o para cá!
Quando Ramesh terminou de contar esta história olhou-me carinhosamente e disse:
- Viva com tanto amor no coração que se, por engano, você for parar no Inferno, o próprio demônio lhe trará de volta ao Paraíso.

quarta-feira, 15 de junho de 2016


[189-JornalMundoMaior] SUA VIDA RELI

 Sua vida religiosa.  
Como tem sido sua vida religiosa?
Tem você mantido as aparências graciosas da fé, enquanto alimenta azedumes, invejas, mágoas e rapina no coração, ou tem se esforçado por ser, intimamente, o que Deus espera de você?
Vida religiosa nada tem a ver com as atitudes artificiais ou piegas por muitos adotadas.
Ela se vai concretizando, em verdade, quando passamos a compreender que a religião verdadeira não passa obrigatoriamente pelas aparências de fora, mas sempre será uma realidade vibrante no íntimo dos seres.
Manter contato mais próximo com Deus, com Cristo ou com os prepostos da Luz Divina, pela capacidade de transformar velhas inclinações perturbadoras em novas posturas de trabalho renovador, por dentro e por fora de nós, isso sim é a base para a realização religiosa.
A sua vida religiosa precisa ter o aroma das reais virtudes, que crescem aos poucos, mas que não estão ausentes da vivência dos religiosos verdadeiros.
Nas lutas e renúncias de Gandhi, vemos sua vida religiosa ativa, laboriosa e útil.
Nas pelejas e renúncias de Lincoln, achamos sua vida religiosa corajosa, desafiadora e útil.
Nos esforços e renúncias de madre Teresa, encontramos os sinais inquestionáveis da sua vida religiosa dedicada, transformadora e útil.
Se, na condição de pessoa religiosa, os seus atos não forem enobrecidos e úteis a ninguém, tenha a certeza de que eles são vazios e sem qualquer valor para a vida interior.
Pense e repense acerca da sua vida religiosa.
Transforme-se para o bem o quanto possa.
Desenvolva-se no amor o quanto puder, porque somente assim a sua atuação na esfera religiosa espalhará a luz do Cristo e o fará realmente feliz.
                                                                           *   *   *
Em O livro dos Espíritos, Allan Kardec faz um questionamento fundamental, no que diz respeito à diversidade de doutrinas e crenças.
Todas as doutrinas têm a pretensão de ser a única expressão da verdade. Como se pode reconhecer a que tem o direito de se posicionar assim?
A resposta dos Espíritos é bela e profunda:
Será aquela que produza mais homens de bem e menos hipócritas, ou seja, pela prática da lei de amor e de caridade em sua maior pureza e sua aplicação mais abrangente.
Por esse sinal reconhecereis que uma doutrina é boa, pois toda doutrina que semear a desunião e estabelecer uma demarcação entre os filhos de Deus só pode ser falsa e nociva.
Notemos dois detalhes: o primeiro, associando a religiosidade à prática, à transformação moral do indivíduo, senão de nada ela lhe serve.
O segundo, deixando claro que não precisamos de uma que se sobreponha às demais. Basta que ela conduza ao bem, que ligue os homens ao Criador, e ela terá cumprido sua função primordial.
Não há mais porque escolher uma entre várias, ou tentar dizer que esta é melhor do que aquela, senão voltaremos a cair nos problemas que geramos, ao longo dos tempos, segregando pessoas por crença, cor, raça.
Cada doutrina atende a um tipo de necessidade, a um tipo de alma, num determinado estágio evolutivo, e sempre terá seu valor, desde que mantenha seu compromisso com o amor e a caridade.
Não há apenas um caminho. O amor e o bem têm diversas vias, podem estar pintados de cores diferentes, mas sempre serão o amor e o bem.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

SE OS TEUS OLHOS FOREM BONS, TODO O TEU CORPO TERÁ LUZ. 

Quando o Cristo disse as palavras expressas no título, ficou evidente que Ele não estava tratando da visão dos olhos da carne. 

Se assim fosse, estaríamos condenados a ter cada dia menos luz, haja vista que é de conhecimento de todos que, conforme a idade vai chegando, por evidente, vamos tendo a visão castigada pelos anos de vida. 

E os cegos? O que seria daqueles que nascem cegos ou daqueles que se tornam cegos por qualquer incongruência da vida? Estariam esses castigados a viver sem luz por longo tempo? 

Sabemos, outrossim, pela doutrina espírita que os olhos da carne nada mais são do que o aparelho utilizado pelo espírito encarnado para lançar o olhar sobre a terra. Não enxergamos com os olhos da carne. Se assim fosse, quando sonhamos, ou nos desdobramos do corpo físico, não conseguiríamos ver em formato tão nítido. 

Por evidente, o Mestre quis dizer que se os olhos do espírito forem bons, todo o corpo terá luz. 

Essa luz, não pode ser interpretada no singular, mas, para uma melhor compreensão deve ser interpretada no plural. 

O correto é dizer que todo o corpo terá luzes. 

Essas luzes nos iluminam por fora e por dentro. Essas luzes tiram de nós a escuridão dos vícios e dos tormentos humanos. Essas luzes nos aclaram o caminho, tanto o material como o espiritual. 

Elas nos tiram da tristeza, da angústia e da aflição e nos conduzem ao caminho do bem. 

Essas luzes nos dão a condição de ver o irmão pobre, o necessitado, fazendo com que tenhamos a condição de exercitar a caridade. 

Essas luzes dissipam o caminho das trevas que se abrem na nossa frente. Essas luzes nos tiram da vibração ou do campo vibracional ruim em que habitam os espíritos não evoluídos e obsessores. 

Foi por esses motivos que o Mestre nos conclamou a lutar para conseguir ficar na luz. Disse Ele: não há 12 horas no dia? 

Se andardes no dia não tropeçareis porque nele há luz, ao passo que, quem andar de noite tropeça, porque na noite não há luz. Muitas vezes, o espírito se acostuma à negritude da noite e nem se compraz mais em andar na luz. Todavia, a evolução é a única fatalidade que nos está reservada. 

No Velho Testamento, consta que a primeira frase do Criador em relação a esse mundo foi essa: haja luz. 

E houve a luz. Tal passagem bíblica é tão linda e nos traz à lembrança que a luz está sempre acessível vez que ela provém do Criador. Todo o universo é brindado com grandes quantidades de luzes. 

Também o nosso espírito é conceituado como uma fagulha de luz. Muitas vezes o nosso perispírito está com luminosidade muito apagada, refletindo a nossa natureza de sombra. Todavia, trazemos a luz em gérmen. 

O nosso espírito provém de uma energia luminosa e, portanto, por mais que tenhamos de passar por várias encarnações poderemos alcançar, um dia, o estado numinoso. 

É certo que com nossos atos poderemos adiantar o nosso encontro com a paz de espírito e, a partir daí, encontrarmos a luz que nos acompanhará por toda a eternidade. 

Portanto, a cada novo dia, tenhamos em mente a necessidade de nos aproximarmos das obras do espírito. São essas obras que faz com que resplandeçamos como os astros nos céus. 

Diante de toda ação que tenhamos de realizar, perguntemos a nós mesmo se se trata de uma obra de luz ou de uma obra ligada às trevas. 

Evidentemente que teremos de optar pelo bem, que sempre redundará em resplendor para o nosso corpo. 

A luz, que ilumina o mundo, como diz João Evangelista, é o verbo que se fez carne e habitou entre nós. 

Deixemos que a luz de Jesus nos ilumine, e a felicidade, tão buscada pela humanidade, será uma consequência do nosso modo de viver.Preto de copas (cartas)

segunda-feira, 2 de maio de 2016

Diz uma lenda que o dia em que o bom Deus criou as mães, um mensageiro se acercou Dele e Lhe perguntou o porquê de tanto zelo com aquela criação. 

Em quê, afinal de contas, ela era tão especial? 

O bondoso e paciente Pai de todos nós lhe explicou que aquela mulher teria o papel de mãe, pelo que merecia especial cuidado. 

Ela deveria ter um beijo que tivesse o dom de curar qualquer coisa, desde leves machucados até namoro terminado. 

Deveria ser dotada de mãos hábeis e ligeiras que agissem depressa preparando o lanche do filho, enquanto mexesse nas panelas para que o almoço não queimasse. 

Que tivesse noções básicas de enfermagem e fosse catedrática em medicina da alma. Que aplicasse curativos nos ferimentos do corpo e colocasse bálsamo nas chagas da alma ferida e magoada. 

Mãos que soubessem acarinhar, mas que fossem firmes para transmitir segurança ao filho de passos vacilantes. Mãos que soubessem transformar um pedaço de tecido, quase insignificante, numa roupa especial para a festinha da escola. 

Por ser mãe deveria ser dotada de muitos pares de olhos. Um par para ver através de portas fechadas, para aqueles momentos em que se perguntasse o que é que as crianças estão tramando no quarto fechado. 

Outro para ver o que não deveria, mas precisa saber e, naturalmente, olhos normais para fitar com doçura uma criança em apuros e lhe dizer: Eu te compreendo. Não tenhas medo. Eu te amo, mesmo sem dizer nenhuma palavra. 

O modelo de mãe deveria ser dotado ainda da capacidade de convencer uma criança de nove anos a tomar banho, uma de cinco a escovar os dentes e dormir, quando está na hora. 

Um modelo delicado, com certeza, mas resistente, capaz de resistir ao vendaval da adversidade e proteger os filhos. 

De superar a própria enfermidade em benefício dos seus amados e de alimentar uma família com o pão do amor. 

Uma mulher com capacidade de pensar e fazer acordos com as mais diversas faixas de idade. 

Uma mulher com capacidade de derramar lágrimas de saudade e de dor mas, ainda assim, insistir para que o filho parta em busca do que lhe constitua a felicidade ou signifique seu progresso maior.

Uma mulher com lágrimas especiais para os dias da alegria e os da tristeza, para as horas de desapontamento e de solidão. 

Uma mulher de lábios ternos, que soubesse cantar canções de ninar para os bebês e tivesse sempre as palavras certas para o filho arrependido pelas tolices feitas. 

Lábios que soubessem falar de Deus, do Universo e do amor. Que cantassem poemas de exaltação à beleza da paisagem e aos encantos da vida. 

Uma mulher. Uma mãe. 

* * * 

Ser mãe é missão de graves responsabilidades e de subida honra. É gozar do privilégio de receber nos braços Espíritos do Senhor e conduzi-los ao bem. 

Enquanto haja mães na Terra, Deus estará abençoando o homem com a oportunidade de alcançar a meta da perfeição que lhe cabe, porque a mãe é a mão que conduz, o anjo que vela, a mulher que ora, na esperança de que os seus filhos alcancem felicidade e paz.

Redação do Momento Espírita

segunda-feira, 21 de março de 2016

O espírita, as redes sociais e crise política

            Nosso país enfrenta um dos mais delicados, sérios e conturbados momentos. Uma crise de natureza moral sem precedentes arrasta de roldão as lideranças políticas nas quais a população depositou sua confiança. Ao mesmo tempo, a desordem econômica se instala e o quadro de recessão se aprofunda dia após dia, custando o emprego e a dignidade de homens e mulheres que nada fazem a não ser batalhar diuturnamente pelo seu sustento, o sustento de suas famílias e para conquistar alguma melhoria de vida.
            Em resumo, o cenário é gravíssimo e, lamentavelmente, a onda de pessimismo tem sido incessantemente alimentada por discursos de ódio recíproco entre os partidários daqueles que ora são investigados por supostos crimes de corrupção e os que exigem justiça e o expurgo destes do poder. De tal forma que milhões de brasileiros estão atirando gasolina a uma fogueira já quase incontrolável, havendo inclusive o temor do surgimento de uma convulsão social inédita no Brasil, que desaguaria numa guerra civil de consequências imprevistas.
            Na condição de rede social mais acessada no Brasil, o Facebook transformou-se no palco para que desde os mais anônimos cidadãos até artistas, jornalistas, celebridades, intelectuais e políticos expressem seu ponto de vista e gritem seus posicionamentos.
            Algumas centenas de milhares desses internautas o fazem com veemência, valendo-se de compartilhamento de conteúdos de sites até bem pouco tempo desconhecidos, vídeos, áudios, fotos e textos, quase que em geral de conteúdo extremista, assustadoramente raivosos e – o que é mais preocupante – sem qualquer possibilidade de verificação de veracidade das informações que divulgam, constituindo, assim, uma gigantesca máquina que produz calúnias, impropérios, xingamentos, expressões chulas referindo-se, ora às autoridades constituídas, ora direcionando metralhadora implacável a quem se encontra na oposição.
            O tom do “nós contra eles” jamais foi elevado a patamares tão altos. O discurso do ódio ao diferente e a intolerância entre partidários desta ou daquela ideia está rachando o Brasil e colocando irmãos em trincheiras distintas, como se o que todos desejassem não fosse a mesma coisa: o bem da nação, a prosperidade e o reequilíbrio da governabilidade. Em resumo, a paz social aliada ao progresso.
Até certo ponto é compreensível que uma massa gigantesca de espíritos encarnados ignorantes das verdades evangélicas se deixe arrastar pela onda de pessimismo e de ódio que é própria de nosso estágio evolutivo ainda tão primário. É possível entender que multidões de espíritos encarnados ainda enredados em teias tenazes de paixões inferiores, ainda cegas aos conhecimentos das Leis Naturais, permaneçam servindo de joguetes de interesses de forças que buscam somente desestabilizar o Coração do Mundo, a Pátria do Evangelho.
Entretanto, assistir a espíritas militantes da causa maior cederem ao clima de ódio e darem vazão ao desequilíbrio em suas postagens, compartilhamentos e comentários, é entristecedor.
Aqueles que somos conhecedores da Lei de Causa e Efeito, aqueles que nos dizemos discípulos do Mestre Jesus, aqueles que nos debruçamos todos os dias sobre as páginas inspiradoras do Evangelho, não podemos ser os portadores da desesperança, mas da esperança acima de todo o desalento; não podemos abraçar a causa do ódio, mas fazer tremular a bandeira do amor; não podemos engrossar as fileiras da intolerância, mas gritar a plenos pulmões que somos todos irmãos e que haveremos de encontrar no diálogo e na convergência a solução dos graves problemas que assolam o Brasil.
Nós, que pretendemos nos tornar os homens e mulheres de bem que dirigirão um planeta de regeneração, não podemos esquecer que o Evangelho nos ensina que “O homem de bem (...) tem fé no futuro, por isso coloca os bens espirituais acima dos bens temporais. Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções, são provas ou expiações e as aceita sem murmurar. (...) Respeita nos outros todas as convicções sinceras, e não lança o anátema àqueles que não pensam como ele. Em todas as circunstâncias a caridade é o seu guia (...). Não tem ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; a exemplo de Jesus, perdoa e esquece as ofensas, e não se lembra senão dos benefícios; porque sabe que lhe será perdoado conforme ele próprio houver perdoado. É indulgente para com as fraquezas alheias, porque sabe que ele mesmo tem necessidade de indulgência, e se lembra dessas palavras do Cristo: aquele que estiver sem pecado lhe atire a primeira pedra.”(Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo XVI, item 3)
Não podemos perder de vista que somos discípulos daquele que, do alto da cruz, pediu ao Pai que perdoasse seus algozes, aquele que durante a sua missão, lidou de maneira sábia e respeitosa até mesmo com os corruptos e poderosos, exatamente porque sabia que eles apenas detinham temporariamente o poder e a condição de mando, depois disso, só teriam o compromisso de resgatar os erros dos desmandos que perpetraram no exercício do poder.
A proposta não é que nós os espíritas fechemos os olhos à corrupção e vivamos como se nada estivesse acontecendo, tal como alienados ou imbecilizados. Somos, isso sim, conclamados a interferir com equilíbrio, enriquecendo o debate, qualificando a discussão, evangelizando, sem pieguismos ou pieguices, o meio virtual e mesmo os debates cara a cara, nos meios sociais em que circulamos.
“Sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas”, disse Jesus aos seus discípulos ao os enviar às aldeias para pregarem a Boa Nova. É exatamente isso que Ele nos diz ao coração hoje, a nós que somos os pregadores da Boa Nova no Brasil do século XXI. Sejamos prudentes em relação aos que praticam e estimulam a corrupção, o ódio, a intolerância, os abusos de poder. Entreguemo-los à justiça, para que esta apure no patamar terreno seus possíveis crimes e os puna com a severidade que as leis brasileiras – imperfeitas, é verdade – determinam.
Nós, espíritas, sabemos melhor que ninguém, que a Lei Maior os alcançará a todos, cedo ou tarde. Aquilo que a lei humana não conseguir reparar ou educar, será feito pela doutra Lei, esta sim implacável, absolutamente justa e incorruptível, plantada na consciência de cada um de nós.
Por fim, sejamos simples como as pombas, guardando sempre uma palavra de esperança para os que postam conteúdos de desatino, uma palavra de caridade para aqueles que publicam conteúdos de ódio; uma palavra de fé para aqueles que estão demonstrando nas suas postagens que estão cada dia mais desacreditados no futuro da nação; uma palavra de tolerância para aqueles que pregam a destruição do diferente e a depredação das instituições.
E se não tivermos nada de engrandecedor para postar ou para dizer, preservemos o silêncio típico daqueles que se mantêm em oração e em vigilância ao invés de atear mais lenha à fogueira.
Os corruptos passarão, tanto os que hoje estão no poder quanto aqueles que permanecem na oposição, esperando a sua chance de pilharem o país. Assim como passarão os homens e mulheres de bem que estão em ambos os lados. A vida física cessará, cedo ou tarde para todos. E cada um reencontrar-se-á com a sua consciência, confrontar-se-á com as suas atitudes, pagará o preço suave ou pesado de suas escolhas, colherá os frutos, doces ou amargos, do que tiver semeado.
O Brasil sobreviverá, se recuperará e se erguerá acima das nações, porque sua destinação é nobre. No cenário do planeta de regeneração, ele cumprirá papel estratégico.
As obras das trevas jamais poderão ofuscar a luz do Amor Maior, mesmo que até alguns espíritas deem publicidade a elas.

Ronaldo Pereira da Silva.