segunda-feira, 21 de março de 2016

O espírita, as redes sociais e crise política

            Nosso país enfrenta um dos mais delicados, sérios e conturbados momentos. Uma crise de natureza moral sem precedentes arrasta de roldão as lideranças políticas nas quais a população depositou sua confiança. Ao mesmo tempo, a desordem econômica se instala e o quadro de recessão se aprofunda dia após dia, custando o emprego e a dignidade de homens e mulheres que nada fazem a não ser batalhar diuturnamente pelo seu sustento, o sustento de suas famílias e para conquistar alguma melhoria de vida.
            Em resumo, o cenário é gravíssimo e, lamentavelmente, a onda de pessimismo tem sido incessantemente alimentada por discursos de ódio recíproco entre os partidários daqueles que ora são investigados por supostos crimes de corrupção e os que exigem justiça e o expurgo destes do poder. De tal forma que milhões de brasileiros estão atirando gasolina a uma fogueira já quase incontrolável, havendo inclusive o temor do surgimento de uma convulsão social inédita no Brasil, que desaguaria numa guerra civil de consequências imprevistas.
            Na condição de rede social mais acessada no Brasil, o Facebook transformou-se no palco para que desde os mais anônimos cidadãos até artistas, jornalistas, celebridades, intelectuais e políticos expressem seu ponto de vista e gritem seus posicionamentos.
            Algumas centenas de milhares desses internautas o fazem com veemência, valendo-se de compartilhamento de conteúdos de sites até bem pouco tempo desconhecidos, vídeos, áudios, fotos e textos, quase que em geral de conteúdo extremista, assustadoramente raivosos e – o que é mais preocupante – sem qualquer possibilidade de verificação de veracidade das informações que divulgam, constituindo, assim, uma gigantesca máquina que produz calúnias, impropérios, xingamentos, expressões chulas referindo-se, ora às autoridades constituídas, ora direcionando metralhadora implacável a quem se encontra na oposição.
            O tom do “nós contra eles” jamais foi elevado a patamares tão altos. O discurso do ódio ao diferente e a intolerância entre partidários desta ou daquela ideia está rachando o Brasil e colocando irmãos em trincheiras distintas, como se o que todos desejassem não fosse a mesma coisa: o bem da nação, a prosperidade e o reequilíbrio da governabilidade. Em resumo, a paz social aliada ao progresso.
Até certo ponto é compreensível que uma massa gigantesca de espíritos encarnados ignorantes das verdades evangélicas se deixe arrastar pela onda de pessimismo e de ódio que é própria de nosso estágio evolutivo ainda tão primário. É possível entender que multidões de espíritos encarnados ainda enredados em teias tenazes de paixões inferiores, ainda cegas aos conhecimentos das Leis Naturais, permaneçam servindo de joguetes de interesses de forças que buscam somente desestabilizar o Coração do Mundo, a Pátria do Evangelho.
Entretanto, assistir a espíritas militantes da causa maior cederem ao clima de ódio e darem vazão ao desequilíbrio em suas postagens, compartilhamentos e comentários, é entristecedor.
Aqueles que somos conhecedores da Lei de Causa e Efeito, aqueles que nos dizemos discípulos do Mestre Jesus, aqueles que nos debruçamos todos os dias sobre as páginas inspiradoras do Evangelho, não podemos ser os portadores da desesperança, mas da esperança acima de todo o desalento; não podemos abraçar a causa do ódio, mas fazer tremular a bandeira do amor; não podemos engrossar as fileiras da intolerância, mas gritar a plenos pulmões que somos todos irmãos e que haveremos de encontrar no diálogo e na convergência a solução dos graves problemas que assolam o Brasil.
Nós, que pretendemos nos tornar os homens e mulheres de bem que dirigirão um planeta de regeneração, não podemos esquecer que o Evangelho nos ensina que “O homem de bem (...) tem fé no futuro, por isso coloca os bens espirituais acima dos bens temporais. Sabe que todas as vicissitudes da vida, todas as dores, todas as decepções, são provas ou expiações e as aceita sem murmurar. (...) Respeita nos outros todas as convicções sinceras, e não lança o anátema àqueles que não pensam como ele. Em todas as circunstâncias a caridade é o seu guia (...). Não tem ódio, nem rancor, nem desejo de vingança; a exemplo de Jesus, perdoa e esquece as ofensas, e não se lembra senão dos benefícios; porque sabe que lhe será perdoado conforme ele próprio houver perdoado. É indulgente para com as fraquezas alheias, porque sabe que ele mesmo tem necessidade de indulgência, e se lembra dessas palavras do Cristo: aquele que estiver sem pecado lhe atire a primeira pedra.”(Evangelho Segundo o Espiritismo, Capítulo XVI, item 3)
Não podemos perder de vista que somos discípulos daquele que, do alto da cruz, pediu ao Pai que perdoasse seus algozes, aquele que durante a sua missão, lidou de maneira sábia e respeitosa até mesmo com os corruptos e poderosos, exatamente porque sabia que eles apenas detinham temporariamente o poder e a condição de mando, depois disso, só teriam o compromisso de resgatar os erros dos desmandos que perpetraram no exercício do poder.
A proposta não é que nós os espíritas fechemos os olhos à corrupção e vivamos como se nada estivesse acontecendo, tal como alienados ou imbecilizados. Somos, isso sim, conclamados a interferir com equilíbrio, enriquecendo o debate, qualificando a discussão, evangelizando, sem pieguismos ou pieguices, o meio virtual e mesmo os debates cara a cara, nos meios sociais em que circulamos.
“Sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas”, disse Jesus aos seus discípulos ao os enviar às aldeias para pregarem a Boa Nova. É exatamente isso que Ele nos diz ao coração hoje, a nós que somos os pregadores da Boa Nova no Brasil do século XXI. Sejamos prudentes em relação aos que praticam e estimulam a corrupção, o ódio, a intolerância, os abusos de poder. Entreguemo-los à justiça, para que esta apure no patamar terreno seus possíveis crimes e os puna com a severidade que as leis brasileiras – imperfeitas, é verdade – determinam.
Nós, espíritas, sabemos melhor que ninguém, que a Lei Maior os alcançará a todos, cedo ou tarde. Aquilo que a lei humana não conseguir reparar ou educar, será feito pela doutra Lei, esta sim implacável, absolutamente justa e incorruptível, plantada na consciência de cada um de nós.
Por fim, sejamos simples como as pombas, guardando sempre uma palavra de esperança para os que postam conteúdos de desatino, uma palavra de caridade para aqueles que publicam conteúdos de ódio; uma palavra de fé para aqueles que estão demonstrando nas suas postagens que estão cada dia mais desacreditados no futuro da nação; uma palavra de tolerância para aqueles que pregam a destruição do diferente e a depredação das instituições.
E se não tivermos nada de engrandecedor para postar ou para dizer, preservemos o silêncio típico daqueles que se mantêm em oração e em vigilância ao invés de atear mais lenha à fogueira.
Os corruptos passarão, tanto os que hoje estão no poder quanto aqueles que permanecem na oposição, esperando a sua chance de pilharem o país. Assim como passarão os homens e mulheres de bem que estão em ambos os lados. A vida física cessará, cedo ou tarde para todos. E cada um reencontrar-se-á com a sua consciência, confrontar-se-á com as suas atitudes, pagará o preço suave ou pesado de suas escolhas, colherá os frutos, doces ou amargos, do que tiver semeado.
O Brasil sobreviverá, se recuperará e se erguerá acima das nações, porque sua destinação é nobre. No cenário do planeta de regeneração, ele cumprirá papel estratégico.
As obras das trevas jamais poderão ofuscar a luz do Amor Maior, mesmo que até alguns espíritas deem publicidade a elas.

Ronaldo Pereira da Silva.

sábado, 19 de março de 2016

MOMENTOS importantes, delicados ...
Neste momento em que o Brasil esta em ebulição os brasileiros precisam ter cuidados redobrados, pois, não se sabe, exatamente, o rumo que tomarão as coisas e é tempo de muita reflexão, de meditação, de orações pela "Pátria amada Brasil!" ... nós os patriotas, o povo, é que pagaremos o "pato", nós é que seremos a massa de manobra. NÃO ESTAMOS DEFENDENDO SIGLAS, mas, sim, o torrão de todos nós, que sejam os governantes deste País Gigante intuídos a tomarem as melhores decisões para que os seus filhos não acabem pagando a maior parte da conta. Pensemos, ... pensemos, ... nos desdobremos em pensamentos positivos para que sejamos verdadeiros "filhos deste solo" ...e que "E o sol da liberdade," brilhe em raios fúlgidos" . no "céu da pátria nesse instante" ... JESUS "Salve! Salve! nossa "Pátria amada Idolatrada" ... nós queremos uma Pátria livre de influências negativas, quermos um Brasil ordeiro um povo comprometido, sendo, verdadeiramente, o "coração e a pátria do Evangelho" ... ó ... "Terra adorada
Entre outras mil
És tu, Brasil
Ó pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil
Pátria amada
Brasil!" ... vamos fazer o melhor pelo nosso povo, pela nossa gente... talvez isso um grito de socorro da nossa gente ...
Pedro Peçanha.

domingo, 13 de março de 2016

MARAVILHOSA PSICOGRAFIA DO DR. BEZERRA: “O BRASIL E A SUA MISSÃO HISTÓRICA DE “CORAÇÃO DO MUNDO E PÁTRIA DO EVANGELHO”, QUE NUNCA DEVEMOS ESQUECER. 

Meus filhos: Prossegue o Brasil na sua missão histórica de “Pátria do Evangelho” colocada no “Coração do Mundo”. Nem a tempestade de pessimismo que avassala, nem a vaga de dúvida que açoita os corações da nacionalidade brasileira impedirão que se consume o vaticínio da Espiritualidade quanto ao seu destino espiritual. Apesar dos graves problemas que nos comprometem em relação ao porvir – não obstante o cepticismo que desgoverna as mentes em relação aos dias do amanhã – o Brasil será pulsante coração espiritual da Humanidade, encravado na palavra libertadora de Jesus, que fulge no Evangelho restaurado pelos Benfeitores da Humanidade. 

Não se confunda missão histórica do País com a competição lamentável, em relação às megalópoles do mundo, que triunfam sobre as lágrimas das nações vencidas e escravizadas pela política financeira e econômica internacional. 

Não se pretenda colocar o Brasil no comando intelectual do Orbe terrestre, através de celebrações privilegiadas que se encarreguem de deflagrar as guerras de aniquilamento da vida física. 

Não se tenham em mente a construção de um povo, que se celebrize pelos triunfos do mundo exterior, caracterizando-se como primeiro no concerto das nações. 

Consideremos a advertência de Jesus, quando se reporta que “os primeiros serão os últimos e estes serão os primeiros”. 

Sem dúvida, o cinturão da miséria sócio-econômica que envolve as grandes cidades brasileiras alarma a consciência nacional. A disputa pela venda de armas, que vem colocando o País na cabeceira da fila dos exportadores da morte, inquieta-nos. Inegável a nossa preocupação ante a onda crescente de violência e de agressividade urbana... 

Sem dúvida, os fatores do desrespeito à consciência nacional e a maneira incorreta com que atuam alguns homens nas posições relevantes e representativas do País fazem que o vejamos, momentaneamente, em uma situação de derrocada irreversível. 

Tenha-se, porém, em mente que vivemos uma hora de enfermidades graves em toda a Terra, na qual, o vírus da descrença gera as doenças do sofrimento individual e coletivo, chamando o homem a novas reflexões. 

A História se repete!... 

As grandes nações do passado, que escravizaram o mundo mediterrâneo, não se eximiram à derrocada das suas edificações, ao fracasso dos seus propósitos e programas; assírios e babilônios ficaram reduzidos a pó; egípcios e persas guardam, nos monumentos açoitados pelos ventos ardentes do deserto, as marcas da falência pomposa, das glórias de um dia; a Hélade, de circunferência em torno das suas ilhas, legou, à posteridade, o momento de ilusório poder, porém, milênios de fracassos bélicos e desgraças políticas. 

As maravilhas da Humanidade reduziram-se a escombros: o Colosso de Rodes foi derrubado por um terremoto; o Túmulo de Mausolo arrebentou-se, passados os dias de Artemísia; o Santuário de Zeus, em Olímpia, e a estátua colossal foram reduzidos a poeira; os jardins suspensos de Semíramis arrebentaram-se e ficaram cobertos da sedimentação dos evos e das camadas de areia sucessivas da história. 

Assim, aconteceu com outros tantos monumentos que assinalaram uma época, porém foram fogos-fátuos de um dia ou névoa que a ardência da sucessão dos séculos se encarregou de demitizar e de transformar. Mas, o Herói Silencioso da Cruz, de braços abertos, transformou o instrumento de flagício em asas para a libertação de todas as criaturas, e a luz fulgurou no topo da cruz converteu-se em perene madrugada para a Humanidade de todos os tempos. 

O Brasil recebeu das Suas mãos, através de Ismael, a missão de implantar no seu solo virgem de carmas coletivos, com pequenas exceções, a cruz da libertação das consciências de onde o amor alçará o vôo para abraçar as nações cansadas de guerras, os povos trucidados pela violência desencadeada contra os seus irmãos, os corações vencidos nas pelejas e lutas da dominação argentaria, as mentes cansadas de perquirir e de negar, apontando o rumo novo do amor para re restaurem no coração a esperança e a coragem para a luta de redenção. 

Permaneçam confiantes, os espíritas do Brasil, na missão espiritual da “Pátria do Cruzeiro”, silenciando a vaga do pessimismo que grassa e não colocando o combustível da descrença, nem das informações malsãs, nas labaredas crepitantes deste fim de século prenunciador de uma madrugada de bênçãos que teremos ensejo de perlustrar. 

Jesus, meus filhos, confia em nós e espera que cumpramos com o nosso dever de divulgá-lO, custe-nos o contributo do sofrimento silencioso e das noites indormidas em relação à dificuldade para preservar a pureza dos nossos ideais, ante as licenças morais perturbadoras que nos chegam, sutis e agressivas, conspirando contra nossos propósitos superiores. 

Divulgá-lO, vivo e atuante, no espírito da Codificação Espírita, é compromisso impostergável, que cada um de nós deve realizar com perfeita consciência de dever, sem nos deixarmos perturbar pelos hábeis sofistas da negação e pelas arengas pseudo-intelectuais dos aranzéis apresentados pela ociosidade dourada e pela inutilidade aplaudida. 

Em Jesus temos “o ser mais perfeito que Deus nos ofereceu para servir-nos de modelo e guia”; o meio para alcançar o Pai, Amorável e Bom; o exemplo de quem, renunciando-se a si mesmo, preferiu o madeiro de humilhação à convivência agradável com a insensatez; de quem, vindo para viver o amor, fê-lo de tal forma que toda a ingratidão de quase vinte séculos não lhe pôde modificar a pulcridade dos sentimentos e a excelsitude da mensagem. 

Ser espírita é ser cristão, viver religiosamente o Cristo de Deus em toda a intensidade do compromisso, caindo e levantando, desconjuntando os joelhos e retificando os passos, remendando as carnes dilaceradas e prosseguindo fiel em favor de si mesmo e da Era do Espírito Imortal. 

Chamados para essa luta que começa no país da consciência e se exterioriza na indimensionalidade geográfica, além das fronteiras do lar, do grupo social, da Pátria, em direção do mundo, lutais para serdes escolhidos. Perseverai para receberdes a eleição de servidores fiéis que perderam tudo, menos a honra de servir; que padeceram, imolados na cruz invisível da renúncia, que vos erguerá aos páramos da plenitude. 

Jesus, meus filhos – que prossegue crucificado pela ingratidão de muitos homens – é livre em nossos corações, caminha pelos nossos pés, afaga com nossas mãos, fala em nossas palavras gentis e só vê beleza pelos nossos olhos fulgurantes como estrelas luminíferas no silêncio da noite. 

Levai esta bandeira luminosa: “Deus, Cristo e Caridade” insculpida em vossos sentimentos e trabalhai pela Era Melhor, que já se avizinha, divulgando o Espiritismo Libertador onde quer que vos encontreis, sem o fanatismo dissolvente, mas, sem a covardia conivente, que teme desvelar a verdade para não ficar mal colocada no grupo social da ilusão. 

Agora, quando se abrem as portas para apresentar a mensagem do Cristo e de Kardec ao mundo, e logo mais, preparai-vos para que ela seja vista em vossa conduta, para que seja sentida em vossas realizações e para que seja experimentada nas Casas que momentaneamente administrais, mas que são dirigidas pelo Senhor de nossas vidas, através de vós, de todos nós. 

O Brasil prossegue, meus filhos, com a sua missão histórica de “Coração do Mundo e Pátria do Evangelho”, mesmo que a descrença habitual, o cinismo rotulado de ironia, o sorriso em gargalhada estrídula e zombeteira tentem diminuir, em nome de ideologias materialistas travestidas de espiritualismo e destrutivas em nome da solidariedade. 

Que nos abençoe Jesus, o Amigo de ontem – que já era antes de nós -, o Benfeitor de hoje – que permanece conosco -, e o Guia para amanhã – que nos convida a tomar do Seu fardo e receber o Seu jugo, únicos a nos darem a plenitude e a paz. 

Muita paz, meus filhos! 

São os votos do servidor humílimo e paternal de sempre, 

Bezerra.

sexta-feira, 11 de março de 2016

Os mártires do Espiritismo - Santo Agostinho
“Pedistes milagres. Hoje pedis mártires. Já existem os mártires do Espiritismo. Entrai nas casas e os vereis.
Pedis perseguidos. Abri o coração desses fervorosos adeptos da ideia nova que lutam contra os preconceitos, com o mundo, e frequentemente até com a família! Como seus corações sangram e se dilatam, quando seus braços se estendem para abraçar um pai, uma mãe, um irmão ou uma esposa e não recebem a paga do carinho e dos transportes, mas sarcasmos, desdém e desprezo.
Os mártires do Espiritismo são os que a cada passo escutam estas palavras insultuosas: louco, insensato, visionário!… e durante muito tempo terão que suportar essas afrontas da incredulidade e outros sofrimentos ainda mais amargos.
Entretanto, a sua recompensa será bela, porque se o Cristo mandou preparar um lugar soberbo aos mártires do Cristianismo, o que prepara aos mártires do Espiritismo será ainda mais brilhante. Os mártires da infância do Cristianismo marchavam para o suplício, corajosos e resignados, porque não contavam sofrer senão dias, horas ou o segundo do martírio, aspirando a morte como única barreira para viver a vida celeste.
Os mártires do Espiritismo não devem nem mesmo aspirar a morte. Devem sofrer tanto tempo quanto praza a Deus deixá-los na Terra e não ousam julgar-se dignos dos puros gozos celestes logo que deixem a vida. Oram e esperam, murmurando baixinho palavras de paz, de amor e de perdão aos que os torturam, esperando novas encarnações nas quais poderão resgatar passadas faltas.
O Espiritismo elevar-se-á como um templo soberbo. A princípio os degraus serão difíceis de subir. Mas, transpostos os primeiros degraus, bons Espíritos ajudarão a vencer os outros até o lugar simples e reto que conduz a Deus.
Ide, ide, filhos, pregar o Espiritismo!
Pedem mártires. Vós sois os primeiros que o Senhor marcou, pois sois apontados a dedo e sois tratados como loucos e insensatos, por causa da verdade! Eu vos digo, entretanto, que em breve chegará a hora da luz e então não mais haverá perseguidores nem perseguidos. Sereis todos irmãos e o mesmo banquete reunirá opressores e oprimidos!

Autor: Santo Agostinho (Méd. Sr. E. Vézy.) Obra: Revista Espírita 1862

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

A razão de ser do Espiritismo
Quando o obscurantismo da fé dominava as mentes, levando-as ao fanatismo desestruturador da dignidade e do comportamento; quando a cultura, enlouquecida pelas suas conquistas no campo da ciência de laboratório, proclamava a desnecessidade de qualquer preocupação com Deus e com a alma, face à fragilidade com que se apresentavam no proscênio do mundo; quando a filosofia divagava pelas múltiplas escolas do pensamento, cada qual mais arrebatadora e irresponsável, inculcando-se como portadora da verdade que liberta o ser humano de todos os atavismos e limitações; quando a arte rompia as ligações com o clássico, o romântico e a beleza convencional, para expressar-se em formulações modernistas, impressionistas, abstracionistas, traduzindo, ora a angústia da sua geração remanescente dos atavismos e limitações do passado, ora a ansiedade por diferentes paradigmas de afirmação da realidade; quando se tornavam necessários diversos comportamentos sociais e políticos para amenizar a desgraça moral e econômica que avassalava a Humanidade; quando a religião perdia o controle sobre as consciências e tentava rearticular-se para prosseguir com os métodos medievais ultramontanos e insuportáveis; quando as luzes e as sombras se alternavam na civilização, surgiu o Espiritismo com a sua razão de ser para promover o homem e a mulher, a vida e a imortalidade, o amor e o bem a níveis dantes jamais alcançados.
Realizando uma revolução silenciosa como poucas jamais ocorridas na História, tornou-se poderosa alavanca para o soerguimento do ser humano, retirando-o do caos do materialismo a que se arrojara ou fora atirado sem a menor consideração, para que adquirisse a dignidade ética e cultural, fundamentada na identificação dos valores morais, indispensável para a identificação dos objetivos essenciais e insuperáveis da paz interna e da consciência de si mesmo durante o trânsito corporal.
Logo depois, no Collège de France, proclamando ser Jesus um homem incomparável, no seu memorável discurso, o acadêmico e imortal Ernesto Renan confirmava, a seu turno, embora sem qualquer contato com a Doutrina nascente, a humanidade do Rabi galileu, rompendo a tradição dogmática do Homem Deus ou do ancestral Deus feito homem.
Sob a ação do escopro inexorável das informações de além-túmulo, o decantado repouso ou punição eterna, o arbitrário julgamento mais punitivo que justiceiro, cediam lugar à consciência da vida exuberante que prossegue morte afora impondo a cada qual a responsabilidade pela conduta mantida durante a trajetória encerrada.
As narrações da sobrevivência tocadas pela legitimidade dos fatos fundamentadas na lógica da indestrutibilidade do ser espiritual, davam colorido diferente às paisagens da Eternidade, diluindo as fantasias e mitos que as adornaram por diversos milênios.
Permitiu que o ser humano se redescobrisse como Espírito imortal que é, preexistente ao berço e sobrevivente ao túmulo, facultando-lhe compreender a finalidade existencial, que é imergir no oceano do inconsciente, onde dormem os atos pretéritos e as construções que projetam diretrizes para o momento e o futuro, a fim de diluir as volumosas barreiras de sombra e de crueldade a que se entregou e que lhe obnubila a compreensão da sua realidade, emergindo em triunfo, para que lobrigue a imarcescível luz da verdade que o há de conduzir pelos infinitos roteiros do porvir.
Intoxicado pelos vapores da organização fisiológica, mergulhado em sombras que lhe impedem o discernimento, vagando pelos dédalos intérminos da busca da realidade, somente ao preço da fé raciocinada e lógica, portadora dos instrumentos que se derivam dos fatos constatados, o homem e a mulher podem avançar com destemor pelas trilhas dos sofrimentos inevitáveis, que são inerentes à sua condição de humanidade, vislumbrando níveis mais nobres que devem ser conquistados.
O Espiritismo traçou novos programas para a compreensão da vida e a mais eficaz maneira de enfrentá-la, desafiando o materialismo no seu reduto e os materialistas no seu cepticismo, oferecendo-lhes mais seguras propostas de comportamento para a felicidade ante as vicissitudes do processo existencial.
Não se compadecendo da presunção dos vazios de sentimento e soberbos de conhecimentos em ebulição de idéias, demonstrou a sua força arrastando desesperados que foram confortados, violentos que se acalmaram, alucinados que recuperaram a razão, delinquentes que volveram ao culto do dever, perversos que se transformaram, ateus que fizeram as pazes com Deus, ingratos que se reabilitaram perante os seus benfeitores, miseráveis morais que se enriqueceram de esperança e de alegria de viver, construindo juntos o mundo de bem-estar por todos anelado.
O Espiritismo trouxe a perfeita mensagem da justiça divina, por enquanto mal traduzida pela consciência humana, contribuindo para a transformação da sociedade, mas sem a revolução sangrenta das paixões em predomínio, que sempre impõe uma classe poderosa sobre as outras que são debilitadas à medida que vão sendo extorquidos os seus parcos recursos até a exaustão das suas forças, quando novas revoluções do mesmo gênero explodem, produzindo desgraça e ódios que nunca terminam...
Trabalhando a transformação moral do indivíduo, propõe-lhe o comportamento solidário e fraternal, a aplicação da justiça corretiva e reeducativa quando delinqui, conscientizando-o de que as suas ações serão também os seus juízes e que não fugirá de si mesmo onde quer que vá.
Todo esse contributo moral foi retirado do Evangelho de Jesus, especialmente do Seu Sermão da montanha, no qual reformulou os valores humanos até então aceitos, demonstrando que forte não é o vencedor de fora, mas aquele que se vence a si mesmo, e poderoso, no seu sentido profundo, não é aquele que mata corpos, mas não é capaz de evitar a própria morte.
Revolucionando o pensamento ético e abrindo espaço para novo comportamento filosófico, a Sua palavra vibrante e a Sua vivência inigualável, colocaram as pedras básicas para o Espiritismo no futuro alicerçar, conforme ocorreu, os seus postulados morais através da ética do amor sob qualquer ponto de vista considerado.
Nos acampamentos de lutas que se estabeleciam no Século XIX, quando a ciência e a razão enfrentavam a fé cega e a prepotência das Academias e dos seus membros fascinados como Narciso por si mesmo, o Espiritismo surgiu como débil claridade na noite das ambições perturbadoras e lentamente se afirmou como amanhecer de um novo dia para a Humanidade já cansada de aberrações de conduta como fugas da realidade e sonhos de poder transitório, transformados em pesadelos de guerras infames, cujas seqüelas ainda se demoram trucidando vidas e dilacerando sentimentos.
A razão de ser do Espiritismo encontra-se na sua estrutura doutrinária, diversificada nos seus aspectos de investigação científica ao lado das demais correntes da ciência, do comportamento filosófico com a sua escola otimista e realista para o enfrentamento do ser consigo mesmo e da vivência ético-moral-religiosa que se estrutura em Deus, na imortalidade, na justiça divina, na oração, na ação do bem e sobretudo do amor, única psicoterapia preventiva-curativa à disposição da Humanidade atual e do futuro.

Autor: Espírito Victor Hugo Médium: Divaldo Pereira Franco Página psicografada no dia 7 de junho de 2001, em Paris, França.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Mensagem de Bezerra de Menezes
Filhas e filhos da alma!
Abençoe-nos o Senhor com a sua paz.
Estes são dias de turbulência.
A sociedade terrestre, com a inteligência iluminada, traz o coração despedaçado pela angústia do ser existencial. Momento grave na historiografia do processo evolutivo, quando se operam as grandes mudanças para que se alcance a plenitude na Terra, anunciada pelos Espíritos nobres e prometida por Jesus. Nosso amado planeta, ainda envolto em sombras, permanece na sua categoria de inferioridade, porque nós, aqueles que a ele nos vinculamos, ainda somos inferiores, e à medida que se opera nossa transformação moral para melhor, sob a égide de Jesus, nosso modelo e guia, as sombras densas vão sendo desbastadas para que as alvíssaras de luz e de paz atinjam o clímax em período não muito distante.
Quando Jesus veio ter conosco, a humanidade experimentava a grande crise de sujeição ao Império Romano, às suas paixões totalitárias e aos interesses mesquinhos de governantes arbitrários. O Espiritismo, a seu turno, instalando-se no planeta, enfrenta clima equivalente em que o totalitarismo do poder arbitrário de políticas perversas esmaga as aspirações de enobrecimento das criaturas humanas e, por consequência, o ser, que se agita na busca da plenitude, aturde-se e, confundindo-se, não sabe como vivenciar as claridades libertadoras do Evangelho.
Com a conquista do conhecimento científico e o vazio existencial, surgem as distrações de vários portes para poder diminuir a ansiedade e o desespero. Naturalmente, essa manifestação de fuga da realidade interfere no comportamento geral dos seareiros da Verdade que, nada obstante, considerando serem servidores da última hora, permitem-se os desvios que lhes diminuem a carga aflitiva.
Tende, porém, bom ânimo, filhas e filhos do coração!
É um momento de siso, de decisões, para a paz no período do porvir.
Recordai-vos de que o Cristianismo nascente experimentou também inúmeras dificuldades. A palavra revolucionária do apóstolo Paulo, a ruptura com as tradições judaicas ainda vigentes na igreja de Jerusalém geraram a necessidade do grande encontro, que seria o primeiro debate entre os trabalhadores de Jesus que se espalhavam pelo mundo conhecido de então.
No momento grave, quando uma ruptura se desenhava a prejuízo do Bem, a humildade de Simão Pedro, ajoelhando-se diante da voz que clamava em toda parte a Verdade, pacificou os corações e o posteriormente denominado Concílio de Jerusalém se tornou um marco histórico da união dos discípulos do Evangelho.
Neste momento de desafio e de conflitos de todo porte, é natural que surjam divergências, opiniões variadas, procurando a melhor metodologia para o serviço da Luz. O direito de discordar, de discrepar, é inerente a toda consciência livre. Mas, que tenhamos cuidado para não dissentir, para não dividir, para não gerar fossos profundos ou abismos aparentemente intransponíveis.
Que o espírito de união, de fraternidade, leve-nos todos, desencarnados e encarnados, à pacificação, trabalhando essas anfractuosidades para que haja ordem em nome do progresso.
O amor é o instrumento hábil para todas as decisões. Desarmados os corações, formaremos o grupo dos seres amados do ideal da Era Nova.
Nunca olvideis que o mundo espiritual inferior vigia as nascentes do coração dos trabalhadores do Bem e, ante a impossibilidade de os levar a derrocadas morais, porque vigilantes na oração e no trabalho, pode infiltrar-se, gerando desequilíbrio e inarmonias a benefício das suas sutilezas perversas e a prejuízo da implantação da Era Nova sob o comando do Senhor.
Nunca olvidemos, em nossas preocupações, que a Barca terrestre tem um Nauta que a conduz com segurança ao porto da paz.
Prossegui, lidadores do Bem, com o devotamento que se vos exige de fazerdes o melhor que esteja ao vosso alcance, em perfeita identificação com os benfeitores da humanidade, especialmente no Brasil, sob a égide de Ismael, representando o Mestre inolvidável.
Venceremos lutando juntos, esquecendo caprichos pessoais, de imposições egotistas, pensando em todos aqueles que sofrem e que choram, que confiam em nossa fragilidade e aguardam o melhor exemplo da nossa renúncia em favor do Bem, do nosso devotamento em favor da caridade, da nossa entrega em novo holocausto.
Já não existem as fogueiras, nem os empalamentos. Os circos derrubaram as suas muralhas e agora expandem as suas fronteiras por toda a Terra, mas o holocausto ainda se faz necessário.
Sacrificai as próprias imperfeições, particularmente neste sesquicentenário de evocação da chegada do Evangelho à Terra, decodificado pelos Imortais.
Recordai também, almas queridas, que o Espiritismo é, sem qualquer contradita, o Cristianismo que não pôde ser consolidado e que esteve na sua mais bela floração nos trezentos primeiros anos, antes das adulterações nefastas, e que foi Jesus quem o denominou Consolador.
Este Consolador sobreviverá a todas as crises e quando, por alguma circunstância, não formos capazes de dignificá-lo, a irmã morte arrebatará aqueles que não correspondem à expectativa do Senhor da Vinha, substituindo-os por outros melhormente habilitados, mais instrumentalizados para os grandes enfrentamentos que já ocorrem na face do planeta.
Todos sabemos que a transformação moral de cada indivíduo é penosa, de longo curso, por efeito do atavismo ancestral, e que a Lei dispõe do recurso dos exílios coletivos para apressar a chegada da Era Nova.
Abençoados servidores! Abençoadas servidoras da Causa! Amai! Amai com abnegação e espírito de serviço a Doutrina de santificação, para que os vossos nomes sejam escritos no livro do reino dos Céus e possais fruir de alegrias, concluindo a etapa como o apóstolo das gentes, após haverdes lutado no bom combate.
Os mentores da brasilidade, neste momento grave por que também passa o nosso país, assim como o planeta, estão vigilantes.
Permiti-vos ser por eles inspirados e saí entoando o hino do otimismo e da esperança, diluindo a treva, não fixando o medo nem a sombra, que por momento domina muitas consciências. Não divulgando o mal, somente expondo o bem, para que a vitória não seja postergada.
E ide de volta, seareiros da luz! O mundo necessita de Jesus, hoje mais do que ontem, muito mais do que no passado, porque estamos a caminho da intuição, após a conquista da razão, para mantermos sintonia plena com aquele que é o nosso guia de todos os dias e de todas as horas.
Muita paz, filhas e filhos do coração!
São os votos do servidor humílimo e paternal, em nome dos obreiros da seara de todos os tempos, alguns dos quais aqui conosco nesta hora.

Autor: Bezerra de Menezes. Médium: Divaldo Pereira Franco. Obra: (Mensagem psicofônica recebida pelo médium Divaldo Pereira Franco, no encerramento da Reunião Ordinária do Conselho Federativo Nacional, em Brasília, DF, na manhã de domingo, em 9 de novembro de 2014.).

domingo, 31 de janeiro de 2016

O Centro Espírita
A medida que a Doutrina Espírita alcançava as mentes e os corações ansiosos de esclarecimento e consolo, aumentando a carga de trabalho do ínclito Codificador eis que ele fundou a 1º de Abril de 1858 a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, que funcionou inicialmente na galeria de Valois, n° 35 em Palais-Royal.
Pára que ficassem definidos os seus objetivos, declarou-os no Artigo 1° do seu Regulamento:
— Tem por finalidade precípua o estudo dos fenômenos espíritas e das suas aplicações, as manifestações morais, físicas, psicológicas e históricas da sociedade.
Como continuasse a crescer o número de interessados no estudo dos postulados espiritistas, providenciou a ampliação do Regulamento ainda no mesmo ano, de forma a compatibilizar os interesses gerais com os fundamentos doutrinários da novel Ciência filosófica e religiosa.
Esse cuidado especial do mestre lionês preservaria a mensagem reveladora dos enxertos e adulterações que sempre ocorrem, na razão direta em que se expandem, em que se popularizam as idéias novas.
Dessa forma, aquela Sociedade se tornaria o primeiro Centro Espírita onde os debates saudáveis e os desdobramentos dos conteúdos científicos, filosóficos, morais e religiosos da Doutrina encontrariam campo para serem aprofundados.
Sob a sua presidência, as discussões permaneciam em alto nível e quando se tornavam acaloradas, a sua intervenção sábia acalmava os ânimos a sua autoridade moral e cultural silenciava os mais renitentes. Outrossim, ali teriam lugar as memoráveis tertúlias espirituais, quando venerandas Entidades, utilizando-se de médiuns sérios e dedicados ofereciam lições ricas de sabedoria consolando e iluminando os membros atenciosos interessados no próprio desenvolvimento intelecto-moral bem como no da Humanidade para a qual veio o Espiritismo.
Dirimiam-se dificuldades de interpretação e consolidavam-se no seu recinto as bases do pensamento espírita com vistas ao porvir da sociedade humana.
Exemplo, verdadeiro modelo de instituição, a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas deixou precioso legado, que o Centro Espírita moderno atualiza e mantém.
Célula máter do Movimento por facultar-lhe o desenvolvimento e propagá-lo, é escola de relevante importância para quantos se interessam pelo Espiritismo.
É escola, por oferecer os mais significativos recursos culturais para a educação das almas, encarnadas ou não.
No seu labor desdobram-se as instruções que capacitam o aprendiz à conquista de uma existência feliz, enquanto adquire discernimento para conduzir-se com acerto.
Ao mesmo tempo, propõe o limar das arestas e o disciplinar da conduta, aprimorando-a e condicionando-a às lições éticas do Evangelho de Jesus, desvelado pela interpretação racional que haure na Codificação.
Doutrina eminentemente educativa, o Espiritismo tem a ver com todos os ramos do conhecimento, por isso mesmo conclamando ao seu estudo sistematizado e cuidadoso, bem como à sua reflexão meticulosa. Nas suas classes ressaltam os valores da inteligência e da razão para serem cultivados, aplicados no comportamento como roteiro de segurança.
Igualmente é oficina de trabalho, por ensejar atividades múltiplas em benefício do próximo e da comunidade.
Sem lugar para a ociosidade dourada ou para a indiferença mórbida, a ação dignificadora nele se desdobra em mil expressões que elevam o ser. completando-o, planificando-o, dando-lhe sentido psicológico a existência planetária.
Desde a sua administração na busca incessante de qualidade até os serviços mais humildes quão indispensáveis, é celeiro de paz que resulta da valiosa aplicação das horas dos seus membros no trabalho libertador.
Da mesma forma é templo de oração, destituído de ritualística, de cerimonial, de qualquer tipo de culto externa, caracterizando-se pela simplicidade, sendo agradável e propicio à elevação dos pensamentos a Deus e à ação da caridade em todas as suas expressões.
Nas suas dependências devam ser preservadas os valores morais, a compostura, a dinâmica do amor, a fim de que a perfeita sintonia com Deus Jesus e os Espíritos Nobres tornem-no ambiente saturado por sutis vibrações, que proporcionam a paz e a renovação.
Lugar de reequilibrio e de harmonia, é, também, hospital de almas no qual terapias especializadas—passes água fluidificada (bioenergia), oração, desobsessão e iluminação de consciência —facultem a saúde do corpo, da mente e do espírito, emulando o paciente ao avanço, à vitória sobre si mesmo, sobre as paixões primitivas, que nele predominam.
Não pode ser confundido, porém, com Nosocômios, Casas de Saúde, Clinicas Médicas e semelhantes, competindo com as mesmas, portadoras de bases acadêmicas, pois que desvirtuaria a sua finalidade essencial passando a conflitar com as Entidades especializadas no mister, as quais deve auxiliar e não produzir perturbação.
No seu ambiente não há lugar para exibicionismo de natureza alguma que faça recordar os palcos do mundo, nos quais se projetam os conflitos do ego humano e as lutas características das naturais promoções competitivas do ser.
Tampouco, pode agasalhar ou dar curso às inovações que ressumam do orientalismo ancestral ou das terapias alternativas atuais, desfigurando-/he, entorpecendo-lhe a finalidade superior.
O Centro Espírita é laboratório para experiências, pesquisas mediúnicas elevadas e cumulativas, que confirmam sempre os postulados básicos exarados nas Obras fundamentais que Allan Kardec divulgou, completando a Codificação.
Não é estanque o trabalho que nele se desenvolve, também não é fruto dos modismos; é isento de ortodoxias ou de atavismos; não enseja novidades frívolas ou aterradoras, muito do agrado daqueles que pensam nas glórias vãs da Terra em detrimento da responsabilidade e da seriedade que sempre devem constituir os seus programas.
O Centro Espírita é campo de luz aberto a todos aqueles que tateiam nas trevas da ignorância, da presunção e do egoísmo apontando rumos de libertação.
Atualizá-lo, sem lhe modificar os objetivos básicos; desenvolver as suas atividades, sem lhe alterar as estruturas ético-morais; qualificá-lo para os grandes momentos da hora presente como do futuro é dever de todos os espíritas, preservando as bases doutrinárias que nele devam viger: amor e estudo, ação da caridade fora da qual não há salvação, assim confirmando a promessa do Consolador, feita por Jesus, que abriria os braços para albergar, confortar e libertar todos aqueles que o busquem.

Autor: Espírito Vianna de Carvalho Médium Divaldo Pereira Franco Página psicografada no dia 25 de julho de 1995, no Centro Espírita Caminho da Redenção, em Salvador, Bahia.