quarta-feira, 11 de dezembro de 2019

A ARTE DA CONVIVÊNCIA CONJUGAL.

É comum se pensar que os casamentos mais sólidos são aqueles que sobrevivem a grandes traumas. Digamos, uma infidelidade conjugal ou uma falência.
Contudo, a verdade é que a duração do matrimônio está na razão direta da arte da convivência conjugal.
Conviver todos os dias, aguentando as pequenas coisas um do outro, por exemplo. Suportar que ele aperte o tubo de pasta de dentes bem no meio, enquanto ela insiste que deva ser bem no finzinho, por uma questão de estética e de economia.
Ou ainda, ele não auxiliar nas tarefas domésticas. Ela ser sensível demais.
Ele ser muito mole com as crianças, permitir tudo. Ela desejar manter a linha dura, investindo na disciplina e na educação dos filhos.
Conviver com as diferenças exige boa vontade diária. Um casal, que convive há catorze anos, confessou que tem diferenças enormes quanto a esporte.
Ela adora ver futebol em casa. Ele adora aventuras. Com uma filha de dez anos, aprenderam a conviver, apoiando um o prazer do outro.
Assim, quando o marido decidiu dar a volta ao mundo velejando, ela o acompanhou pela imaginação, sem sair de casa. Mas não criou obstáculos para ele, nem fez papel de vítima.
Saber aceitar comentários feitos em momentos de pequenas rusgas também contribui para a manutenção da estabilidade conjugal.
Certo marido presenteou a esposa com dez roseiras, que ela teve de plantar sozinha. Durante uma discussão, ela acabou por dizer a ele que odiava aquelas rosas que ele havia comprado. Afinal, elas só serviam para dar trabalho.
Ele não se perturbou. No Natal daquele mesmo ano ele lhe deu mais uma roseira. Ela achou graça, comentando com as amigas:
Quando a gente pensa que eles entenderam o que se falou, descobre-se que nem ouviram.
E continuam a viver juntos, colhendo rosas no seu jardim.
Mas, possivelmente, o mais importante seja recordar os bons momentos. Olhar para o passado, reavivar as chamas dos sentimentos positivos tem a capacidade de reacender o amor.
Um americano conta que ele e a esposa adoram recordar a forma como se conheceram. Ela foi a um restaurante onde ele estava cantando. Ela gostou muito da canção e aplaudiu entusiasmada.
Ele a notou e perguntou: Você é casada?
Não, respondeu. Você cantaria no meu casamento?
A resposta dele foi rápida e sorridente: Eu vou cantar no nosso casamento.
Sete meses depois estavam casados. Estão casados até hoje, passados anos. Continuam felizes.
                                                                    *   *   *
Entre muitos casais, na Terra, o tédio aparece depois que arrefece a paixão e o cotidiano toma conta dos atos.
O tédio azeda a vida em comum. A rotina a destrói.
Tão logo surja na relação conjugal a indiferença, a secura ou o relaxamento, é hora de reagir, antes que o casamento acabe por tolices.
Casamento, ou seja, a união permanente de dois seres, pode ser entendida como uma ligação afetiva que lembra o cérebro e o coração. Para que a vida prossiga, é necessário que haja sintonia entre ambos.
 Redação do Momento Espírita.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

A AMIZADE REAL.

Um homem que amontoara sabedoria, além da riqueza, auxiliava diversas famílias a se manterem com dignidade.
Sentindo-se envelhecer, chamou o filho para instruí-lo na mesma estrada de bênçãos.
Para começar, pediu ao moço que fosse até o lar de um amigo de muitos anos, a quem destinava determinada quantia mensal.
O jovem viajou alguns quilômetros e encontrou a casa indicada. Esperava encontrar um casebre em ruínas mas o que viu foi uma casa modesta, mas confortável.
Flores alegravam o jardim e perfumavam o ambiente. O amigo de seu pai o recebeu com alegria. Depois de inteligente palestra, serviu-lhe um café gostoso.
Apresentou-lhe os filhos, que se envolviam num halo de saúde e contentamento.
Reparando a fartura, o portador regressou ao lar sem entregar o dinheiro.
Para quê? Aquele homem não era um pedinte. Não parecia ter problemas. E foi isso mesmo que disse ao velho pai, de retorno ao próprio lar.
O pai, contudo, depois de ouvir com calma, retirou mais dinheiro do cofre, dobrou a quantia e disse ao filho:
Você fez muito bem em retornar sem nada entregar. Não sabia que o meu amigo estava com tantos compromissos. Volte à residência dele e entregue-lhe esse valor, em meu nome. De agora em diante, é o que lhe destinarei.
A sua nova situação reclama recursos duplicados.
O rapaz relutou. Aquela pessoa não estava em posição miserável. Seu lar tinha tanto conforto quanto o deles.
Alegro-me em saber, falou o velho pai. Quem socorre o amigo apenas nos dias do infortúnio, pode exercer a piedade que humilha em vez do amor que santifica.
Quem espera o dia do sofrimento para prestar favor, poderá eventualmente encontrar silêncio e morte, perdendo a oportunidade de ser útil.
Não devemos esperar que o irmão de jornada se converta em mendigo a fim de socorrê-lo.
Isto representaria crueldade e dureza de nossa parte.
Todos podem consolar a miséria e partilhar aflições. Raros aprendem a acentuar a alegria dos seres amados, multiplicando-a para eles, sem egoísmo e nem inveja no coração.
O amigo verdadeiro sabe fazer tudo isto. Volte pois e atenda ao meu conselho.
Nunca desejei improvisar necessitados em torno da nossa porta e sim criar companheiros para sempre.
Entendendo a preciosa lição, o rapaz foi e cumpriu tudo o que lhe havia determinado seu pai.
                                                                       *   *   *
O verdadeiro amigo é aquele que sabe se alegrar com todas as conquistas.
Se ampara na hora da dor e da luta, também sabe sorrir e partilhar alegrias.
O amigo se faz presente nas datas significativas e deixa seu abraço como doação de si próprio ao outro.
Incentiva sempre. Sabe calar e falar no momento oportuno.
Pode estar muito distante, mas sua presença sempre perto.
O verdadeiro amigo é uma bênção dos céus aos seres na Terra.
Redação do Momento Espírita.

terça-feira, 26 de novembro de 2019

A família – alicerce social e a Doutrina Espírita

A melhor escola ainda é o lar, onde a criatura deve receber as bases do sentimento e do 
caráter. Os estabelecimentos de ensino, propriamente do mundo, podem instruir, mas só 
o instituto da família pode educar. É por essa razão que a universidade poderá fazer o 
cidadão, mas somente o lar pode edificar o homem” (Emmanuel- Espírito obra O
 Consolador q.110)
Nas três últimas décadas, principalmente, a sociedade reconhece que as transformações
 sociais ocorridas trouxeram modificações na própria composição do núcleo familiar, bem 
como no comportamento de seus componentes frente ao contexto atual no qual a família está 
inserida. As condições culturais, sociais e econômicas da vida moderna estão possibilitando 
novos papéis para o homem e para a mulher e esses estão desencadeando uma modificação nos 
valores morais e no modo de ser e de viver.
Como consequência, temos fatores positivos como a ampliação e flexibilização do
 pensamento, a diminuição dos preconceitos, a liberação da mulher e a globalização 
através da tecnologia; e outros negativos como a inversão dos valores morais, a desarticulação
 familiar, o aumento da violência juvenil e do despotismo infantil, colocando os pais em constante 
conflito com relação ao encaminhamento educacional que devam dar aos seus filhos.
A família é considerada o mais importante pilar da sociedade, pois é nesse contexto que
 o ser reencarnante vivencia os primeiros processos de socialização, aprende, trabalha e 
busca suas realizações pessoais, vivendo e convivendo nas inúmeras culturas existentes na Terra.
Nesse sentido, a Doutrina Espírita tem muito a contribuir por dar conhecimento dos fatores que 
envolvem as relações familiares e sociais, os valores morais, a educação dos filhos, entre
 outros, analisando-os sob a perspectiva espírita; da lei de causa e efeito; da reencarnação e dos
 ensinos do Cristo, que sejam pertinentes à compreensão da destinação do Espírito imortal, pois
 o adulto seguro e consciente da realidade espiritual compreende a importância do grupo
 familiar equilibrado para o equilíbrio da sociedade.
Por esse motivo, a Federação Espírita Brasileira – FEB tem voltado seus esforços para a
 Evangelização Espírita de Crianças e Jovens, por meio de campanhas, ao longo de trinta anos, 
buscando orientar, organizar e nortear as ações que envolvem a ação evangelizadora em todo
 o Brasil, por meio das Federativas Estaduais. Assim também campanhas envolvendo 
Família, por entender ser de fundamental importância a participação dos grupos familiares na 
educação moral e espiritual das crianças e jovens.
Como a ação evangelizadora das crianças e jovens e das famílias é uma ação educadora e, 
portanto, pedagógica, a FEB busca sempre a melhoria da qualidade dessa tarefa, trazendo novos
 olhares e reflexões sobre as novas teorias e metodologias que venham ao encontro dos 
ensinamentos espíritas contidos nas obras básicas.
Assim, num esforço nacional, surgiram dois novos documentos: Orientação à Ação 
Evangelizadora Espírita da Infância: Subsídios e Diretrizes e Orientação à Ação Evangelizadora
 Espírita da Juventude: Subsídios e Diretrizes.
Em ambos constam importantes reflexões sobre os temas que permeiam a Ação 
Evangelizadora da Criança e do Jovem, envolvendo a casa espírita por meio de seus 
departamentos, o evangelizando, o evangelizador, a família e a sociedade em constante 
transformação.
Por esse motivo, a Federação Espírita do Paraná – FEP, numa ação conjunta com o 
DIJ/FEP, está elaborando um projeto para que as orientações recebidas do DIJ/FEB possam 
ser levadas aos coordenadores e diretores de DIJ das UREs  e, posteriormente, cheguem
 aos seus núcleos espíritas.
Contamos, dessa forma, contribuir para o burilamento da Ação Evangelizadora da Criança, do 
Jovem e da Família, sob as bênçãos do Mestre Galileu e dos amigos espirituais que comandam
 o trabalho da Evangelização Espírita Cristã. 

Mais um encontro estadual a caminho. 
Após receber sugestões de temas enviados pelos Diretores dos DIJs das UREs do Estado, 
a equipe DIJ/FEP, juntamente com a coordenadora geral do evento, Sandra Borba Pereira, 
chegou ao tema central do 6º Encontro Estadual de Evangelizadores: Fundamentos 
para a evangelização: conhecimento, amor e trabalho.
Encontro terá a participação de evangelizadores de infância, selecionados pelos Diretores de 
DIJ das UREs.
As vagas ofertadas a cada região do Estado serão distribuídas levando em conta os dados 
do último Censo Numérico.
Importante ressaltar que o papel que esses participantes desempenharão nas suas regiões, 
será o de atuarem como multiplicadores da equipe da URE sob a coordenação de cada Diretor 
de 
DIJ.
Para mais informações procure o Diretor de DIJ da sua região.

segunda-feira, 18 de novembro de 2019

Família - convite ao amor.


A tarefa não é tão difícil quanto vos possa parecer. Não exige o saber do mundo.
Podem desempenhá-la assim o ignorante como o sábio, e o Espiritismo lhe facilita
o desempenho, dando a conhecer a causa das imperfeições da alma humana.3
Santo Agostinho, O Evangelho segundo o Espiritismo, cap. XIV, item 9

A importância da família para o desenvolvimento da sociedade humana é pauta constante 
no campo de estudo dos homens, assim como sua importância para o processo evolutivo 
do Espírito tem sido constantemente abordado no intercâmbio com o plano espiritual.
Conforme afirmativa do Espírito Camilo, não foi sem razão que Carlos Marx e 
Frederico Engels estabeleceram que a família representa o primeiro grupo histórico e a
 primeira forma de interação humana aos quais os indivíduos se ajustam.1
Ainda, a célebre afirmativa de Rui Barbosa (1849-1923), um dos mais brilhantes intelectuais 
de seu tempo, considerando a família como a célula mater da sociedade, destaca a sua 
importância como embrião que se forma a partir de um pequeno núcleo de pessoas, e 
se desenvolve tomando a grandiosa dimensão da organização de toda uma sociedade.
De todas as associações existentes na Terra – excetuando naturalmente a Humanidade – 
nenhuma talvez mais importante em sua função educadora e regenerativa: a constituição
 da família, afirma o Espírito Emmanuel.2
Ante tais colocações, que ressaltam a grandiosidade da formação familiar para o
 desenvolvimento da sociedade humana, assim como para a educação do Espírito imortal, 
convém refletir sobre os princípios que regem a vida, de onde parte o ser, da simplicidade e 
da ignorância, para a sublimidade da angelitude, utilizando-se das diversas oportunidades 
reencarnatórias para tal conquista.
Baseados no entendimento do amor como sendo Lei Maior, emanada do Criador, 
que rege todo o Universo, faz-se mister observar com muita atenção que é o próprio 
amor o ingrediente fundamental que deve nortear toda a ação dentro do núcleo familiar, 
assim como o seu desenvolvimento em plenitude é o produto final que se almeja alcançar.
Recordando o convite do Mestre Nazareno, que ecoa em nossos ouvidos, através dos 
séculos, para que amemos ao nosso próximo como a nós mesmos, reconhece-se 
a família como a associação terrena que foi concedida por Deus como oportunidade 
desse aprendizado em ambiente seguro e protegido.
Ambiente propício para exercitarmos, ainda de forma incipiente, a prática do respeito, 
do perdão, da compreensão, do carinho e da compaixão, como forma de amar 
verdadeiramente.
A família, na qual dois seres se conjugam, atendendo aos vínculos do afeto,2 possibilita, 
por intermédio da paternidade e da maternidade, o despertamento das centelhas do
 amor do Pai Maior, latentes em cada criatura. Amor até então ignorado pelo homem, 
que percebe, a partir do exercício desses papéis, sentimentos antes não conhecidos, 
que o leva a abrir mão de si mesmo em nome de seus rebentos, a encontrar forças
 para lutar ante as adversidades, as quais não acreditava possuir. São as sementes do 
verdadeiro amor desabrochando no ser humano, que passa a enxergar o próximo antes 
de enxergar a si mesmo. É a verdadeira caridade que se manifesta no homem, 
convidando-o a rasgar a cortina do eu para ver o próximo mais próximo se apresentando,
 inicialmente, no papel de filhos, solicitando todo o cuidado que lhes possa ser dispensado.
Sem fórmulas preconcebidas para dar certo, a relação familiar deve contar com o 
componente essencial do amor. Amor puro que vai construir a relação do casal, que 
servirá de exemplo fundamental aos filhos, que ecoará no respeito entre irmãos, 
na construção de relações saudáveis entre os demais familiares, entre amigos e, 
por fim, em toda a sociedade.
Dessa maneira, o lar se constituirá no porto seguro, onde todos estarão sempre ansiosos
 para chegar. O local de aconchego e confiança, onde se diluirão mágoas, se confiarão
 segredos, se revelarão sentimentos, na certeza do respeito à individualidade de cada um
 e do amor que será o conforto às almas doridas que buscam redenção no plano terreno.
Viver harmoniosamente em família não exigirá de ninguém elevados requisitos de 
conhecimento, pois, consoante a afirmativa de Santo Agostinho a tarefa não é tão difícil
 quanto vos possa parecer. Não exige o saber do mundo. Podem desempenhá-la assim 
o ignorante como o sábio.3
Não exige de nós senão a busca sincera da simplicidade e da humildade, reconhecendo-nos 
como seres imperfeitos, colocados lado a lado, no ambiente doméstico, para o crescimento 
conjunto.
A família é o convite do Criador ao exercício do amor. O amor maternal, paternal, filial que, 
em breve, se tornará o tão almejado amor universal.

Bibliografia:
1 TEIXEIRA, José Raul. Desafios da vida familiar. Pelo Espírito Camilo. Niterói: Fráter, 2003. pt. I, pg. 18.
2 XAVIER, Francisco Cândido. Vida e sexo. Pelo Espírito Emmanuel. 7. ed. Rio de Janeiro: FEB. cap. 2.
3 KARDEC, Allan. O Evangelho segundo o Espiritismo. 131. ed. Rio de Janeiro: FEB. cap. XIV, item 9.

domingo, 17 de novembro de 2019

SABEDORIA DA VIDA...

"Certa vez, perguntei para o Ramesh, um de meus mestres na Índia:
- Por que existem pessoas que saem facilmente dos problemas mais complicados, enquanto outras sofrem por problemas muito pequenos, morrem afogadas num copo de água?
Ele simplesmente sorriu e me contou uma história:
Era uma vez um sujeito que viveu amorosamente toda a sua vida. Quando morreu, todo mundo lhe falou para ir ao céu, um homem tão bondoso quanto ele somente poderia ir para o Paraíso. Ir para o céu não era tão importante para aquele homem, mas mesmo assim ele foi até lá. Naquela época, o céu não havia ainda passado por um programa de qualidade total. A recepção não funcionava muito bem. A moça que o recebeu deu uma olhada rápida nas fichas em cima do balcão e, como não viu o nome dele na lista, lhe orientou para ir ao Inferno. E no Inferno, você sabe como é. Ninguém exige crachá nem convite, qualquer um que chega é convidado a entrar. O sujeito entrou lá e acabou ficando.
Alguns dias depois, Lúcifer chegou furioso as portas do Paraíso para tomar satisfação com São Pedro:
- Você é um tratante. Nunca imaginei que fosse capaz de uma baixaria como essa. Isso que você esta fazendo é puro terrorismo!
Sem saber o motivo de tanta raiva, São Pedro perguntou, surpreso, do que se tratava. Lúcifer, transtornado, desabafou:
- Você mandou aquele sujeito para o Inferno e ele está fazendo a maior bagunça lá. Ele chegou escutando as pessoas, olhando-as nos olhos, conversando com elas. Agora, esta todo mundo dialogando, se abraçando, se beijando. O inferno está insuportável, parece o Paraíso!
E fez um apelo:
- Pedro, por favor, pegue aquele sujeito e traga-o para cá!
Quando Ramesh terminou de contar esta história olhou-me carinhosamente e disse:
- Viva com tanto amor no coração que se, por engano, você for parar no Inferno, o próprio demônio lhe trará de volta ao Paraíso.

quarta-feira, 15 de junho de 2016


[189-JornalMundoMaior] SUA VIDA RELI

 Sua vida religiosa.  
Como tem sido sua vida religiosa?
Tem você mantido as aparências graciosas da fé, enquanto alimenta azedumes, invejas, mágoas e rapina no coração, ou tem se esforçado por ser, intimamente, o que Deus espera de você?
Vida religiosa nada tem a ver com as atitudes artificiais ou piegas por muitos adotadas.
Ela se vai concretizando, em verdade, quando passamos a compreender que a religião verdadeira não passa obrigatoriamente pelas aparências de fora, mas sempre será uma realidade vibrante no íntimo dos seres.
Manter contato mais próximo com Deus, com Cristo ou com os prepostos da Luz Divina, pela capacidade de transformar velhas inclinações perturbadoras em novas posturas de trabalho renovador, por dentro e por fora de nós, isso sim é a base para a realização religiosa.
A sua vida religiosa precisa ter o aroma das reais virtudes, que crescem aos poucos, mas que não estão ausentes da vivência dos religiosos verdadeiros.
Nas lutas e renúncias de Gandhi, vemos sua vida religiosa ativa, laboriosa e útil.
Nas pelejas e renúncias de Lincoln, achamos sua vida religiosa corajosa, desafiadora e útil.
Nos esforços e renúncias de madre Teresa, encontramos os sinais inquestionáveis da sua vida religiosa dedicada, transformadora e útil.
Se, na condição de pessoa religiosa, os seus atos não forem enobrecidos e úteis a ninguém, tenha a certeza de que eles são vazios e sem qualquer valor para a vida interior.
Pense e repense acerca da sua vida religiosa.
Transforme-se para o bem o quanto possa.
Desenvolva-se no amor o quanto puder, porque somente assim a sua atuação na esfera religiosa espalhará a luz do Cristo e o fará realmente feliz.
                                                                           *   *   *
Em O livro dos Espíritos, Allan Kardec faz um questionamento fundamental, no que diz respeito à diversidade de doutrinas e crenças.
Todas as doutrinas têm a pretensão de ser a única expressão da verdade. Como se pode reconhecer a que tem o direito de se posicionar assim?
A resposta dos Espíritos é bela e profunda:
Será aquela que produza mais homens de bem e menos hipócritas, ou seja, pela prática da lei de amor e de caridade em sua maior pureza e sua aplicação mais abrangente.
Por esse sinal reconhecereis que uma doutrina é boa, pois toda doutrina que semear a desunião e estabelecer uma demarcação entre os filhos de Deus só pode ser falsa e nociva.
Notemos dois detalhes: o primeiro, associando a religiosidade à prática, à transformação moral do indivíduo, senão de nada ela lhe serve.
O segundo, deixando claro que não precisamos de uma que se sobreponha às demais. Basta que ela conduza ao bem, que ligue os homens ao Criador, e ela terá cumprido sua função primordial.
Não há mais porque escolher uma entre várias, ou tentar dizer que esta é melhor do que aquela, senão voltaremos a cair nos problemas que geramos, ao longo dos tempos, segregando pessoas por crença, cor, raça.
Cada doutrina atende a um tipo de necessidade, a um tipo de alma, num determinado estágio evolutivo, e sempre terá seu valor, desde que mantenha seu compromisso com o amor e a caridade.
Não há apenas um caminho. O amor e o bem têm diversas vias, podem estar pintados de cores diferentes, mas sempre serão o amor e o bem.

segunda-feira, 6 de junho de 2016

SE OS TEUS OLHOS FOREM BONS, TODO O TEU CORPO TERÁ LUZ. 

Quando o Cristo disse as palavras expressas no título, ficou evidente que Ele não estava tratando da visão dos olhos da carne. 

Se assim fosse, estaríamos condenados a ter cada dia menos luz, haja vista que é de conhecimento de todos que, conforme a idade vai chegando, por evidente, vamos tendo a visão castigada pelos anos de vida. 

E os cegos? O que seria daqueles que nascem cegos ou daqueles que se tornam cegos por qualquer incongruência da vida? Estariam esses castigados a viver sem luz por longo tempo? 

Sabemos, outrossim, pela doutrina espírita que os olhos da carne nada mais são do que o aparelho utilizado pelo espírito encarnado para lançar o olhar sobre a terra. Não enxergamos com os olhos da carne. Se assim fosse, quando sonhamos, ou nos desdobramos do corpo físico, não conseguiríamos ver em formato tão nítido. 

Por evidente, o Mestre quis dizer que se os olhos do espírito forem bons, todo o corpo terá luz. 

Essa luz, não pode ser interpretada no singular, mas, para uma melhor compreensão deve ser interpretada no plural. 

O correto é dizer que todo o corpo terá luzes. 

Essas luzes nos iluminam por fora e por dentro. Essas luzes tiram de nós a escuridão dos vícios e dos tormentos humanos. Essas luzes nos aclaram o caminho, tanto o material como o espiritual. 

Elas nos tiram da tristeza, da angústia e da aflição e nos conduzem ao caminho do bem. 

Essas luzes nos dão a condição de ver o irmão pobre, o necessitado, fazendo com que tenhamos a condição de exercitar a caridade. 

Essas luzes dissipam o caminho das trevas que se abrem na nossa frente. Essas luzes nos tiram da vibração ou do campo vibracional ruim em que habitam os espíritos não evoluídos e obsessores. 

Foi por esses motivos que o Mestre nos conclamou a lutar para conseguir ficar na luz. Disse Ele: não há 12 horas no dia? 

Se andardes no dia não tropeçareis porque nele há luz, ao passo que, quem andar de noite tropeça, porque na noite não há luz. Muitas vezes, o espírito se acostuma à negritude da noite e nem se compraz mais em andar na luz. Todavia, a evolução é a única fatalidade que nos está reservada. 

No Velho Testamento, consta que a primeira frase do Criador em relação a esse mundo foi essa: haja luz. 

E houve a luz. Tal passagem bíblica é tão linda e nos traz à lembrança que a luz está sempre acessível vez que ela provém do Criador. Todo o universo é brindado com grandes quantidades de luzes. 

Também o nosso espírito é conceituado como uma fagulha de luz. Muitas vezes o nosso perispírito está com luminosidade muito apagada, refletindo a nossa natureza de sombra. Todavia, trazemos a luz em gérmen. 

O nosso espírito provém de uma energia luminosa e, portanto, por mais que tenhamos de passar por várias encarnações poderemos alcançar, um dia, o estado numinoso. 

É certo que com nossos atos poderemos adiantar o nosso encontro com a paz de espírito e, a partir daí, encontrarmos a luz que nos acompanhará por toda a eternidade. 

Portanto, a cada novo dia, tenhamos em mente a necessidade de nos aproximarmos das obras do espírito. São essas obras que faz com que resplandeçamos como os astros nos céus. 

Diante de toda ação que tenhamos de realizar, perguntemos a nós mesmo se se trata de uma obra de luz ou de uma obra ligada às trevas. 

Evidentemente que teremos de optar pelo bem, que sempre redundará em resplendor para o nosso corpo. 

A luz, que ilumina o mundo, como diz João Evangelista, é o verbo que se fez carne e habitou entre nós. 

Deixemos que a luz de Jesus nos ilumine, e a felicidade, tão buscada pela humanidade, será uma consequência do nosso modo de viver.Preto de copas (cartas)