sexta-feira, 21 de junho de 2013

SOBRE A EDUCAÇÃO 1 (Ver nota no final do texto)

Discurso feito pelo jovem Hippolyte-Léon Denizard Rival (1804-1869)2

“A EDUCAÇÃO moral depende de uma multidão de causas que parecem minuciosas e que no entanto têm uma grande influência, principalmente numa idade em que o caráter, semelhante à cera mole, é suscetível de receber todas as impressões. Frequentemente um vício se manifesta numa criança sem que possamos conhecer-lhe a causa; então jogamos a falta sobre a natureza, enquanto ela provém, talvez, de uma impressão que recebeu, e que se poderia ter evitado com mais precaução. 
Na maioria de nossas instituições, as punições que são empregadas, quase sempre muito severas, quase sempre infligidas com parcialidade e num momento de impaciência, irritam a criança; ela se revolta, se enraivece contra a autoridade, e é assim que lhe damos ocasião de ser mentirosa, colérica, desrespeitosa, insubordinada, etc.: ocasiões que poderiam ter sido evitadas. Devemos nos surpreender ao ver os jovens experimentarem desgosto por seus estudos, quando nas classes tudo respira tristeza, tudo é feito para desgostar do trabalho, eu diria mesmo para fazer odiá-lo? Com efeito, como as crianças podem amar uma coisa da qual não se lhes mostra senão o lado mais desagradável, de que se servem mesmo para as punir? Como elas poderiam amar as pessoas que estão sempre ocupadas em lhes atormentar, sob os caprichos das quais elas estão continuamente em luta? Como podem elas estimar essas pessoas, quando frequentemente vêm suas ações contrariar seus preceitos? Como podem elas se tornar justas, se se é parcial com elas? Como podem ser boas se são tratadas com crueldade? O espírito da criança, naturalmente pouco preocupado, observa todas as nuances, mesmo as mais delicadas, do caráter do seu mestre e sabe aproveitá-las com habilidade. Eu vi uma criança de dez anos empregar a bajulação com tanta arte, quanto o mais hábil cortesão. O caráter frágil de um mestre a havia feito tal. Eis como havia cumprido sua tarefa de professor, sem ter, no entanto, a mínima má intenção.
 Toda prudência se faz necessária quanto à conduta que temos diante das crianças, pois facilmente criamos nelas uma boa ou má impressão. Tudo, até o próprio tom com que lhes falamos, em certas circunstâncias, pode influenciá-las. Deve causar surpresa o fato de nelas se desenvolverem vícios dos quais se ignora a fonte? Uma criança pode aprender a doçura com homens que se deixam dominar por suas paixões? Pode adquirir sentimentos nobres com almas vis? Pode aprender a ser boa com aqueles que a maltratam? Pode se tornar polida com um homem que não o é? Pode, em uma palavra, adquirir as virtudes sociais com aquele que não as possui? Sem falar dos vícios mais palpáveis, estão aí uma série de observações minuciosas que contribuem essencialmente para a formação do moral da criança. São essas atenções que se negligencia na maioria das instituições, e outras bem maiores, as quais se pode perceber sem esforços. Mas, dir-se-á, qual é o homem bastante paciente para entrar nesses pequenos detalhes? Quem é que tem suficiente império sobre si mesmo, para atentar sobre suas pequenas falas, sobre suas mínimas ações? Quem é que sacrificará, por assim dizer, sua existência, para não se ocupar senão em ser útil a seu aluno? Esse homem seria o ser por excelência. Eu respondo: O professor, tal como eu o entendo, e não um mercenário cujo objetivo é ganhar dinheiro, e que sacrifica tudo ao seu próprio interesse. A reunião de todas essas qualidades no mesmo indivíduo é difícil, eu o confesso; mas se ele não pode aspirar à perfeição, deve tratar de, pelo menos, dela se aproximar o máximo possível. A obrigação que um professor se impõe é bem difícil de preencher, é uma obrigação sagrada quando se quer fazer honrado. 
Alguém me perguntou um dia se existe um homem, tal como o que acabo de descrever, e se esse não seria um ser quimérico para o nosso século; pois eu não conheço, dizia ele, ninguém que não seja dominado por um espírito de interesse e de egoísmo, mesmo aqueles que querem parecer filantropos. Respondi que não censurava que se tivesse em vista um pouco o seu interesse, nessa parte, porque cada um deve assegurar seus meios de existência; mas que se faça disso um ramo de comércio, uma especulação; que se sacrifique o interesse (físico, moral ou intelectual) de seus alunos ao seu próprio interesse, eis o que censuro. Existem, no entanto, homens como os que descrevi, mesmo em nosso século; existem poucos, é verdade, mas é o que os torna ainda mais estimáveis. Provavelmente terei oportunidade de voltar a falar sobre este artigo, e aí darei a conhecer alguns desse homens.”

H. L. D. RIVAIL.

NOTAS
1 Le Petit Album de la jeunesse, par Alexandre de Villiers. Paris, 1825. Traduzido do francês pela equipe do GEAK.
2. Diretor de escola, membro da Academia da indústria, da Sociedade Universal de Estatística, do Instituto Histórico, da Sociedade gramatical, da Sociedade de Métodos, Correspondente da Sociedade de Emulação de Ain, etc. etc. Rivail assumiu, em 18 de abril de 1857, o pseudônimo de Allan Kardec, por ocasião da publicação da primeira obra fundamental da Ciência Espírita, em Paris, França, intitulada O Livro dos Espíritos. 

domingo, 16 de junho de 2013

FAMÍLIA E VIDA CONJUGAL FELIZ


Namoro em Ipanema, a photo by Vinícius Lousada on Flickr.


Larissa Camacho Carvalho[1]
Vinícius Lima Lousada[2]

A construção social da família

            Ao longo dos anos em que a humanidade aperfeiçoou-se, no processo de evolução ditado pela Lei Divina do Progresso, a constituição da família foi umas das mais significativas instituições formadas pelos homens. Inicialmente, quando mulheres e homens da era paleolítica agrupavam-se em bandos garantindo sua defesa pessoal e, respeitando a Lei de Preservação, multiplicavam-se através da procriação, pouco raciocinavam sobre suas ligações com os indivíduos do grupo. A união era útil, respeitava as Leis Divinas, o instinto de sobrevivência, sem, no entanto, centrar-se nos sentimentos elevados da abnegação, da fraternidade, da caridade, do amor ao próximo.
            O desenvolvimento da inteligência no homem, aliado ao das instituições por ele formadas criaram a necessidade de instituírem-se laços diferenciados entre os indivíduos e as uniões responsáveis pela procriação ganharam um estatuto distinto. Este estatuto não foi somente direcionado para o casal que procriava, mas estendia-se a todos os descendentes deste par, reunidos todos na mesma casa matriarcal ou patriarcal, dependendo da cultura que foi sendo construída em cada sociedade.
            Esses laços diferenciados exigiam, como compromisso dos indivíduos que constituíam esses pequenos núcleos, reciprocidade em todos os aspetos da vida, lealdade, protecionismo, cuidado, defesa, deferência e como consequência do progresso moral inevitável, sentimentos mais elevados de cuidado, carinho, amor. Este último desenvolvendo-se, intensivamente, entre os sujeitos com papéis de mães e filhos, depois, também, entre pais e filhos, irmãos, o casal e assim por diante.
            No entanto, durante muito tempo assistimos essa instituição ser manipulada por indivíduos, com grande progresso intelectual, mas pouquíssimo desenvolvimento moral e espiritual, como moeda de troca, de barganha de cargos sociais ou títulos nobiliárquico por dinheiro ou riquezas torpes de todo tipo, desconsiderando, esses espíritos adoecidos e adormecidos das Leis Divinas, os sentimentos elevados já conquistados pelos homens com a contribuição dessa nobre e inspirada construção social.
            Nomeamos essa instituição de família, que antes de ser uma construção social, faz parte do plano de Deus para que as criaturas na Terra tenham um auxílio valioso em seu inevitável progresso moral.
            Na questão 775 d'O Livro dos Espíritos, Kardec – conhecendo a ignorância humana e percebendo que a família, na Terra, embora com enorme potencial edificador, passou e ainda passa por abalos que desestabilizam sua redentora missão – questiona aos benfeitores espirituais “qual seria, para a sociedade, o resultado do relaxamento dos laços de família”, ao que os espíritos respondem que seria “uma recrudescência do egoísmo”. De vital importância essa questão, pois considerando que o egoísmo é a chaga da nossa sociedade, conforme questão 913 do mesmo O Livro dos Espíritos, nossa ferida aberta enquanto grupo social, se o relaxamento dos laços de família intensificará o egoísmo na Terra isto significa, em contrapartida, que para desenvolvermos o  altruísmo, o amor, os sentimentos nobilitantes que nos conduzirão ao progresso moral anelado, temos que fortificar os laços de família na nossa sociedade.
            A resposta dos espíritos também esclarece que a instituição família é o bendito instrumento de Deus para que possamos vencer o causador de todas as desditas humanas que é o egoísmo que nutrimos e que nos afasta das bençãos Divinas ao nos alijar dos sentimentos de fraternidade, solidariedade, altruísmo e amor que somente a convivência com o próximo pode nos oferecer.
            Na família aprendemos a compartilhar com abnegação, porque nutrimos afeto por aqueles que compartilham nosso dia-a-dia, aprendemos a compreender o outro, porque conhecemos suas lutas passadas e presentes, sabemos seus sonhos de futuro, felicitamo-nos com suas conquistas e enternecemo-nos com seus incentivos para com nossas lutas. Na família aprendemos a repartir, dividir, mas também multiplicar sonhos, participar da felicidade alheia, fruir da companhia doce de quem amamos e com quem vamos intensificando esse sentimento Divino do Amor. É na família que vamos construir as bases do Amor Universal que nos lembra Jesus quando diz que um dia seremos um só rebanho e haverá um só Pastor.
            Mas a convivência em família não é algo que possamos adjetivar de fácil. Há muitos percalços, muitas dificuldades, muitos desentendimentos e muito a transformar em nós mesmos para conseguirmos manter relações saudáveis em família. Deparamo-nos, no lar, com parentes muito diferentes de nós. Se somos organizados, por vezes defrontamos um irmão desleixado que não organiza seu próprio espaço íntimo. Convivemos com uma mãe super-protetora, com um pai controlador. Mas o amor nos faz aprender a conviver bem com cada personalidade que comunga do nosso mesmo lar.
            Assim é que aprendemos a conviver, por exemplo, com um colega do escritório que é tão desorganizado quanto nosso irmão, ou com o chefe que é controlador a maneira de nosso pai e assim por diante. Enfim, todos os desafios da vida familiar são eminentemente educativos ao Espírito imortal, vocacionado ao progresso cuja a convivência na micro-sociedade que é a família contribui sobremaneira, em todas as funções que venha a ocupar o indivíduo, seja como pai, mãe, filho, tia, avô, etc. Todas essas funções na unidade familiar trazem consigo aprendizagens muito significativas ao nosso amadurecimento espiritual e nos cabe vivê-las com sabedoria, ou seja, aproveitando cada lição que tenhamos a oportunidade de vivenciar
            O Amor em Família engendra o Amor Universal. O Amor em Família vai aniquilando a carga egoística da nossa sociedade. O Amor em Família contribui, poderosamente, para o progresso individual e para o progresso de toda a humanidade. Assim é que necessitamos empenharmo-nos em defender a instituição familiar nos tempos que se apresentam ao nosso trabalho, pois que se ela configura-se construída socialmente, com certeza o plano inspirador pertence ao Pai Maior que pede nosso auxílio para protegê-la, santificá-la e concretizar seu objetivo superior: a instauração do Amor Universal entre os Homens.

Vida conjugal

            Lembra-nos o Benfeitor Espiritual Camilo[3] que todos trazemos necessidades educativas para esse mundo e carecemos, no campo das vivências afetivas, de umacomplementação psíquica e emocional que nos impulsiona na busca do encontro de uma alma cuja afinidade espiritual favoreça essa permuta de energias e nos preencha essa lacuna psíquica. Não se trata do mito das “metades eternas” desmitificado por Allan Kardec sem equívoco e, nem tampouco, da tese romântica das almas gêmeas.
            Simplesmente, somos seres transcendentes portadores de uma porção de aprendizados indispensáveis ao nosso paulatino progresso espiritual. Na multidão de Espíritos reencarnados na Terra, são vários os que são portadores de uma configuração de aprendizados comuns que lhes são oportunos, bem como, com uma certa identidade no que se refere à trajetória espiritual e desenvolvimento moral e intelectual, nas suas mais diversas gradações e pelas leis da sintonia, nos encontramos nos caminhos terrestres e, a partir do sentimento de simpatia recíproca desperta-se à comunhão afetiva, ou ainda, pela afinidade dos próprios limites espirituais, vamos ver uniões nascerem entre seres que se fazem instrumento de progresso doloroso ou tropeço, um do outro, em simbioses psíquicas perturbadoras.
            Noutros casos, que não podemos ignorar, percebemos almas irmanadas nos propósitos de renovação e amor reencontrarem-se na Terra, tendo em vista a realização dos ideais enobrecidos no campo do amor, do casamento e da família, e esses casos não são tão raros como, de forma pessimista, muita gente imagina. Esses realizam muito bem o que recomenda o Espírito Bernard Palissy, conforme a anotação kardeciana em a Revista Espírita: “Uni-vos, pois, não apenas pelo amor, mas para o bem que podeis fazer a dois.”[4]
            Cabe ao casal, nesse caso, cumprir com dedicação o programa reencarnatório estabelecido na vida espírita, antes do renascimento, junto de seus Guias Espirituais, objetivando a concretização da tarefa delineada para a sua espiritualização e para o seu contributo, por menor que se faça, ao progresso da família humana.
            Tendo em vista orientar os cônjuges para o êxito da vida conjugal, ao analisar os ângulos espirituais da família, o Espírito Camilo declara que  “O essencial que os indivíduos que se lançam na formação de uma nova família, assumissem compromisso de com o conhecimento de si mesmos.” [5]
            O conhecimento de si mesmo que cada indivíduo deve cultivar, para que jamais transfira ao outro a responsabilidade de suas andanças e o respeito ao projeto de auto-realização do outro, a fim de que o casamento não se institua numa relação asfixiante da outra alma ou numa masmorra de desamor.
            O autoconhecimento é recurso sobejamente conhecido pelos espiritistas, entretanto, para que atenda o seu desiderato feliz é fundamental que o apliquemos cotidianamente, tal como recomenda Santo Agostinho em O Livro dos Espírito, fazendo um balanço problematizador de nosso cotidiano, verificando as aprendizagens conquistadas e as experiências equivocadas que merecem correção de rumo, em função de querermos jornadear conscientemente num rumo crescente para Deus.
            Quando não exercitamos o autoconhecimento, podemos deixar-nos subjugar pelo ego e seus mecanismos de fuga. Segundo Novaes[6] o ego é “a representação do Espírito no mundo externo. Ele é, de um lado, a síntese momentânea da personalidade integral, do outro, uma função que permite a ligação da consciência com os conteúdos conscientes.” Enfim, no delineamento da psique elaborado por Jung, o ego tem um lugar central no consciente, nada obstante, a sua incompletude ante o ser integral, ocupa-se da questão da manutenção da identidade do indivíduo, de sua personalidade atual e de mediação entre o campo da consciência e inconsciente, devendo obedecer a regulação do eu profundo.
            Entre os mecanismos de fuga do ego, o eminente psiquiatra Alírio de Cerqueira Filho, destaca o de projeção. Nesse caso, é comum que o indivíduo ainda não identificado mais profundamente consigo mesmo passe a querer responsabilizar os outros em relação aos seus insucessos e frustrações. Nesse caso, diz-nos que “A única forma de se libertar da projeção é interromper esse mecanismo de transferência, aceitando os seus defeitos e responsabilizando-se pelos seus erros e acertos e, com isso, tornar-se uma pessoa melhor.”[7]
            Vejamos que para a saúde espiritual da relação conjugal, tanto quanto, para a dos cônjuges, como individualidades extracorpóreas conectados ao corpo físico pelos mecanismos da reencarnação e vocacionados à plenitude, é indispensável o exercício continuado do autoconhecimento para que, superando-se os ditames do ego infantil, a autorealização promova o bem-estar e o autoamor que deságua no amor ao outro, com serenidade e contentamento, na convivência conjugal.
            O casamento se fundamenta no amor dos seres que se unem que, para ser amor, não pode ser edificado na anulação da identidade do outro e nem na perseguição egotista de uma felicidade aparente, calcada fruição de conquistas individualistas sem consideração para com a partilha da existência com o outro. Precisamos encontrar convergência nos projetos pessoais e parceria na edificação positiva do lar cujos pilares são os Espíritos que o formam ligados pelo mais genuíno amor.
           

O amor no lar, novamente

            A relação conjugal estabelecida no autoconhecimento gera o respeito profundo ao outro que se estende, quando chegarem, aos filhos. É na exemplificação do entendimento dos próprios limites que alguém consegue desenvolver a indulgência com as alheias imperfeições e no autoperdão que aprendemos a arte de perdoar nossos seres queridos.
            De forma equilibrada, quem ama a si mesmo, que não é a mesma coisa que egolatria, aprende a amar o outro e o seu livre-arbítrio, sem aquele ímpeto de domínio da vontade alheia, comum a Espíritos de mentalidade estreita e apóia, sem medo, os projetos edificantes elegidos pela alma com a qual está a partilhar essa vida.
            Na lealdade, probidade e consciência plena das responsabilidades sedimenta-se o amor familiar que irá acolher seus hóspedes, os filhos de Deus que temporariamente recebe por rebentos seus cuja missão é fazê-los exitosos sobre si mesmos, ante as suas programáticas espirituais. Adentrando o lar o amor ilumina a todos, instituindo um clima de respeito profundo, boa vontade e presença positiva nas lutas comuns.
            O amor em casa, tal como o preconizado por Jesus de Nazaré, é o que dá rumo seguro à família como educandário sublime cujo altruísmo é a lição fundamental. O amor é o caminho do êxito da instituição familiar, jamais ultrapassada, constituindo-se, inclusive, na terapêutica mais excelente para a solução de intrincados conflitos, oriundos da incompreensão de hoje ou dos desenganos morais perpetrados no passado e condicionante de nossas ações na atualidade, pedindo a educação pessoal para o bem de todos os partícipes do campo doméstico.

Para pensar:

            “A união e a afeição que existem entre pessoas parentes são um índice da simpatia anterior que as aproximou. Daí vem que, falando-se de alguém cujo caráter, gostos e pendores nenhuma semelhança apresentam com os dos seus parentes mais próximos, se costuma dizer que ela não é da família. Dizendo-se isso, enuncia-se uma verdade mais profunda do que se supõe. Deus permite que, nas famílias, ocorram essas encarnações de Espíritos antipáticos ou estranhos, com o duplo objetivo de servir de prova para uns e, para outros, de meio de progresso.”[8]



[1] Historiadora, Doutora em Educação. E-mail: camachocarvalho@yahoo.com.br.
[2] Professor, Doutor em Educação. E-mail: vlousada@gmail.com.
[3] TEIXEIRA, J. Raul. Desafios da Vida Familiar. Pelo Espírito Camilo. 2.ed. Niterói, RJ: Fráter Livros Espíritas, 2003, p. 46.
[4] KARDEC, Allan. Revista Espírita: jornal de estudos psicológicos. Ano Primeiro – 1858. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 2004, p. 513.
[5] TEIXEIRA, J. Raul. Nos passos da vida terrestre. Pelo Espírito Camilo. Niterói, RJ: Fráter Livros Espíritas, 2005, p.
[6] NOVAES, Adenauer. Psicologia do Espírito. 2. Ed. Salvador: Fundação Lar Harmonia, 2003, p. 99.
[7] CERQUEIRA FILHO, Alírio de. Saúde espiritual. Santo André, SP: Editora Bezerra de Menezes, 2005, p. 75-76.
[8] KARDEC, Allan. O evangelho segundo o espiritismo. 120. Ed. Rio de Janeiro, RJ: FEB, 2002, p. 108.

sexta-feira, 14 de junho de 2013

O VÍCIO ANTE AS GARRAS INSACIÁVEIS DO PARASITISMO ESPIRITUAL


Para o principiante, fumar ou beber são simbólicos. Eu não sou mais o filhinho da mamãe, eu sou durão, sou um aventureiro, não sou quadrado... À medida que o simbolismo psicológico perde a força, o efeito farmacológico assume o comando para manter o hábito. Para o adepto do Espiritismo, o vício de fumar ou de beber tem conseqüências muito sérias, sobretudo, por causa das reiteradas advertências dos Benfeitores Espirituais, esclarecendo sobre os malefícios que causam à mediunidade. O médium, viciado no fumo, consubstancia-se integralmente em "cachimbo" ou "piteira" nas amarras dos inveterados fumantes do além, e o viciado em alcoólicos torna-se alvo de obsessão dos esfarrapados alcoolistas do além-túmulo.
O viciado fica preso nas garras insaciáveis do parasitismo ou do vampirismo. Vidas que poderiam ser nobres, dignas, proveitosas, tornam-se vergonhosas e inúteis, estimulantes de capitulações desastrosas. Famílias inteiras são, às vezes, afetadas por esses desastres morais de profunda repercussão. Na verdade, o vampirismo é, apenas, um fenômeno de simbiose, que tanto ocorre entre os encarnados, quanto entre os desencarnados, ou seja, o vício não termina com a morte física.
O vício açoita as bases da consciência evangélica, desarmoniza a estrutura fisiopsíquica e as estruturas funcionais do perispírito, que se impregna de toxinas. O Álcool e o fumo afetam os trilhões de células unicelulares saturadas de vitalidade que compõem o psicossoma, deixando sequelas específicas. Em verdade, o tabagismo e o alcoolismo atormentam os desencarnados viciados que se angustiam ante a vontade de beber e fumar, irresistivelmente potencializada. O desgaste da questão é consubstanciado na inexistência de indústrias de bebidas alcoólicas e de cigarros na Erraticidade para abastecer Espíritos viciados. Em face disso, os "fantasmas" tabagistas e alcoolistas, para materializarem suas tragadinhas, tornam-se protagonistas da subjugação, transformando-se em artífices da vampirização sobre os encarnados fracos de vontade, que ainda se locupletam nos vapores etílicos e nas deletérias baforadas do malcheiroso cigarro.
Essas são razões suficientes para nos precatar contra tóxicos, narcóticos, alcoólicos, e contra o uso demasiado de quaisquer drogas que viciem a composição fisiológica natural do organismo, até porque, disciplina, critério e moderação garantem o equilíbrio e o bem-estar da nossa mente.


Jorge Hessen

sexta-feira, 7 de junho de 2013



       
TRABALHANDO OS TRABALHADORES


Joana Abranches
Vitória/ES 

     Uma das coisas mais complexas no cotidiano de uma Casa Espírita é administrar as diferenças comportamentais entre os trabalhadores. Aqui e ali, por um motivo ou por outro, pipocam os atritos e melindres, muitas vezes encobertos pelo silêncio em nome da “caridade”, mas evidentes nos olhares atravessados, nos recadinhos indiretos e não raras vezes no afastamento inexplicável daquele companheiro que parecia tão entusiasmado... Quando chega a este ponto é que a guerra de persona, idéias e vibrações já atingiu o seu ponto máximo.

     Não desanimemos. Onde há gente há problemas. Graças a Deus!... Porque onde há gente há também muito trabalho a ser feito e muita oportunidade de crescimento espiritual em contato com o outro. A grande questão é como trabalhar as tais diferenças de forma que, apesar delas, haja uma convivência realmente fraterna e saudável sem prejuízo do trabalho.

     Todos somos diferentes e isso obedece a um propósito Divino. A natureza é assim. Se os iguais se atraem, os diferentes se complementam. Aquilo que para mim é prazeroso e fácil de realizar, já não é para o outro e vice-versa. É preciso apenas saber identificar, respeitar e integrar essas diferenças, abandonando aquele equivocado conceito de uniformidade que robotiza, que exige consenso em nome de uma harmonia questionável e disponibilidade integral em nome da dedicação; Que deixa implícita a exigência de todos rezarmos na mesma cartilha e de estarmos aptos e disponíveis todo o tempo a todo o tipo de tarefa na Casa Espírita se quisermos figurar no rol dos “trabalhadores da última hora”, dos “escolhidos”. Pronto. Já temos aí o esteriótipo criado e “sacramentado”. Quem não se enquadrar está fora.

     Este é o ponto. Os problemas nos Grupos Espíritas acontecem não por causa das diferenças, mas pela nossa inabilidade em trabalhar com elas enquanto trabalhadores e lideranças.

      Lembremos que a diversidade das flores e ramagens é que confere a beleza e harmonia que nos encanta num jardim, mas por trás de tudo está o trabalho do paisagista, que traçou canteiros e reuniu espécies, combinando cores, formas e, sobretudo, considerando os níveis de resistência e fragilidade para dispor a localização
de cada planta. O mesmo se dá na Instituição Espírita. Companheiros com características diversas de personalidade, amadurecimento e aptidão podem estabelecer uma perfeita harmonia em sua diversidade. Mas o “paisagismo” cabe
aos dirigentes.

     Quem não conhece no seu grupo, por exemplo, alguém que se encaixe no perfil trabalhador “Faz-tudo”? Isso mesmo. Ele parece ter mil e uma utilidades. Dinâmico, disponível, ágil, este companheiro pode ser extremamente útil na execução de atividades práticas. Mas não o chame para reuniões de planejamento porque ou não vai comparecer ou vai cochilar. Para ele é um martírio ficar parado.

     Já tem aquele que é o “viajante de plantão”; é aquele companheiro idealista, que sonha, faz projetos para o futuro e de vez em quando chega com uma idéia fantástica que ele jura que foi uma inspiração do mundo espiritual (e não importa de onde venha se for viável e positiva). Excelente para atuar no planejamento, estruturação e reestruturação das atividades, com ele em cena não há acomodação que resista. Está sempre propondo, ousando, criando, buscando alternativas inovadoras para a solução de velhos problemas de uma forma que “ninguém tinha pensado nisso antes...”Mas na hora de desmontar uma mesa... é parafuso pra todo lado e martelada no dedo.

     Ah, e que grupo não tem o “certinho”? Extremamente racional e organizado, tudo ele anota, quantifica, formaliza. Para ele tudo tem que estar “preto no branco”. Quem melhor para atuar na área administrativa? Afinal, registrar, fazer contas, controlar e distribuir recursos na medida certa é com ele mesmo.

     Por outro lado temos o “artista”, aquele que não abre mão do lúdico e está sempre a inserir música, teatro e outras manifestações de arte em todas as atividades. Graças ao seu espírito sensível e talentoso as reuniões comemorativas vão estar salpicadas daquela chama de emoção e entusiasmo tão necessária para reabastecer os ânimos e impulsionar pra frente. Ideal para desenvolver trabalhos que envolvam crianças e jovens,
este companheiro sacode a mesmice, dá aquele toque de motivação e estimula como ninguém a integração fraterna.

     Não poderíamos esquecer ainda do “paizão” ou “mãezona” do grupo. Afetivos, sensíveis, conciliadores, os companheiros com este perfil tem o poder de unir, reunir, apaziguar, conferir um sentido real de família à equipe. Sua habilidade em promover o diálogo e quebrar resistências quando há conflitos é imensa porque falam diretamente ao
coração dos demais. Queridos e respeitados pelo amor e equilíbrio que irradiam, esses irmãos são fundamentais para a manutenção da paz na Instituição. São elementos que, entre outros, podem dar uma contribuição importantíssima nas reuniões de Atendimento Fraterno, pois possuem um elevado grau de afetividade que os dispõe naturalmente a acolher e abraçar os que sofrem.

     Temos ainda o introspectivo, o extrovertido, o estudioso, o afoito, o ponderado, o questionador, o acomodado, o “modernoso”, o conservador e por aí vai. E quem de nós se aventuraria a discorrer sobre a maior ou menor importância deste ou daquele trabalhador, conforme os perfis aqui relacionados?

     Na verdade todos se completam. Todos são insubstituíveis e indispensáveis em suas peculiaridades porque - enquanto não conseguimos ser perfeitos - este é um excelente exercício de aperfeiçoamento, já que é imprescindível aparar as arestas para nos encaixar nesse desafiador quebra cabeças que é formar uma equipe onde somos chamados a trabalhar para nada mais nada menos do que Jesus.

     Quando interiorizamos isto buscamos o entendimento. E quando buscamos o entendimento - olhem só que coisa maravilhosa! – as peças se encaixam. Enquanto uns sonham outros ponderam, enquanto uns planejam outros concretizam, enquanto uns organizam outros adornam, enquanto uns são música outros são livro, enquanto uns são silêncio outros são sonoridade. E assim vamos nós. Trabalhando com as diferenças e assegurando a continuidade da obra. Enquanto isso estamos crescendo, amadurecendo, aprendendo a fazer concessões, a ser voto vencido, a discordar sem “rosnar” e tantos outros exercícios de reforma íntima.

     O grande e real problema é este radicalismo autoritário ainda tão impregnado nas lideranças, que inadvertidamente impõem o enquadramento de seres diferentes em um padrão de comportamento rígido e único.
Todo mundo tem que pensar igual, tem que ter a mesma disponibilidade, senão é sinal de que não se esforçou o suficiente. Alguém aí tem um “esforçômetro”?
     Sim, porque para medir o quanto cada companheiro está se esforçando para dar a sua contribuição, mesmo que aparentemente pequena, precisaríamos de um.

     O segredo é nos valer das diferenças para potencializar o trabalho. Ninguém espere mar de rosas. Impossível não haver conflito onde existe diversidade, imperfeição e forças espirituais contrárias prontas para acionar o estopim do orgulho e da vaidade tão presentes ainda em todos nós. Aqui é aquele companheiro veterano que rejeita as novas idéias dos recém-chegados porque só ele é o detentor absoluto da experiência; ali é outro que chega querendo mudar tudo, desconsiderando aqueles que ali já estavam muito antes da sua chegada construindo o que ele encontrou; Acolá é aquele que quer
colocar o mundo dentro da casa espírita; mais além é aquele outro que quer tirar a casa espírita do mundo... e um sem fim de situações corriqueiras no cotidiano espírita.

     Cabe às lideranças estabelecer um processo de observação e pacificação. Há que se administrar os conflitos para que as relações não sejam abaladas, pois o relacionamento interpessoal é a coluna vertebral da Casa Espírita; se ele está abalado, não se caminha ou se caminha para o caos. E não adianta julgar. Não adianta vir com aquele discurso que o fulano é espírita e deveria agir assim ou assado, porque todos nós
sentimos na pele a dificuldade de sermos na prática tudo o que, teoricamente, sabemos que precisamos ser. Como já dizia o meu velho e sábio avô “muitas pessoas entraram para o Espiritismo,
mas o Espiritismo ainda não entrou nelas”...
 e por falar nisso... Será que o Espiritismo, de verdade, já “entrou” em nós de forma tal que nos confira autoridade para avaliar os demais companheiros como bons ou maus espíritas? Há que se ter a humildade de admitir que todos estamos engatinhando em relação à transformação moral que nos fará o verdadeiro espírita que ainda não somos. Só assim trocaremos o dedo em riste por mãos unidas no mesmo esforço.

     Um eficaz antídoto contra os atritos é promover a avaliação periódica das atividades do grupo. Mas avaliar não é colocar os companheiros no paredão. Avaliar é reunir todos os trabalhadores sistemáticamente, num clima familiar, onde todos são ouvidos de forma democrática e imparcial; é levar a equipe a se debruçar sobre o que está sendo feito, discutir sobre as dificuldades e possibilidades, mantendo, aperfeiçoando ou corrigindo a rota onde for necessário.

     Mas é também urgente repensar as decisões de cima pra baixo. Não raro, a diretoria decide e os demais trabalhadores executam, sem que de alguma forma tenham sido ouvidos enquanto elementos fundamentais para a execução das tarefas. Questionar nem pensar, sob pena de serem incluídos imediatamente no tratamento de desobsessão diante da afirmativa paternalista que ”o nosso irmão está precisando muito de preces...” esta é a pena impiedosa de descredibilização “caridosamente” imputada àqueles que ousam “subverter” a ordem vigente.

     E diante disto a gente se pergunta: Quando é que nós espíritas vamos conseguir estabelecer a diferença entre hierarquia e autoritarismo? Quando é que vamos parar de medir o valor dos companheiros pelos cargos que ocupam ou pelos títulos que ostentam? Quando é que vamos parar, enquanto dirigentes, de usar os trabalhadores enquanto mão de obra passiva para projetos que não são de todos, mas de alguns?   Quando é que vamos parar de tomar questionamentos legítimos como ofensas pessoais e influência de obsessores? Já passou da hora de abandonar tais heranças reacionárias de existências passadas e avançar para a postura simples, respeitosa e justa que
minimamente se espera de uma liderança espírita.

     A saída é um diálogo constante, fraterno e o mais transparente possível, recorrendo a uma conversa amorosa, não só nas reuniões regulares de avaliação, que é o momento certo de refletir sobre o que não anda bem, mas buscando este diálogo no cotidiano da Instituição - em nível individual ou coletivo - sempre que os problemas surgirem.  Omissão por medo de provocar ruptura é um equívoco. Se não criamos coragem de pegar o boi pelos chifres, intervindo junto aos conflitos e divergências quando necessário, estaremos perigosamente contribuindo para que se avolumem. Esconder os
problemas não nos liberta deles, pelo contrário, faz com que ganhem força. E de repente lá estão eles, nas conversas de corredor, nos afastamentos repentinos ou nos debates acalorados em momentos impróprios, determinando de forma totalmente negativa a dinâmica das relações e, consequentemente, da Instituição.

     Poeira acumulada debaixo do tapete leva a uma alergia tal que aos poucos vai tornando impossível a permanência no ambiente, ou seja, se fecharmos os olhos às dificuldades, quando os abrirmos poderemos tristemente constatar o esvaziamento da Casa, de forma literal ou pior: O desencanto, a ausência da fraternidade legítima, a presença pela “obrigatoriedade”de cumprir o compromisso e não pela alegria de estar junto, que é a base de tudo.

     A responsabilidade é grande. Se não quisermos ser “cegos a guiar cegos”, precisamos compreender que conhecimento doutrinário, por si só, não habilita ninguém a estar à frente de Instituições Espíritas. É preciso também muita autocrítica e um mínimo de humildade. Quando convidados a assumir a liderança de nossos grupos, antes devemos nos perguntar se temos perfil para tal, se temos equilíbrio suficiente para atuar como mediadores, aglutinadores, pacificadores, como líderes e não chefes ou donos de coisa alguma, porque senão, ao menor estranhamento vamos ser os primeiros a pegar a nossa malinha e sair por aí atrás do utópico grupo ideal, deixando para
trás companheiros divididos e desnorteados.

     As chances de êxito são infinitamente maiores quando nos dispomos a exercitar esse tal amor, que não é algo tão longínquo quanto podemos supor; que começa se expressando simplesmente pela valorização dos pontos positivos dos companheiros, em detrimento dos negativos que possam ter; que se faz presente no exercício da tolerância, não porque somos bonzinhos e amamos todos os companheiros de forma igual - porque isto não acontece nesse estágio em que nos encontramos - mas porque temos consciência de que todos estamos no mesmo barco em termos de deficiências espirituais e que cada um precisa da tolerância do outro.

     Se não buscarmos nutrir pelos companheiros esse amor possível, vamos continuar brincando de espírita bonzinho e, no fundo, só nos aturando, assim como qualquer profissional no seu ambiente de trabalho. Mas se existir afeto, a gente cede aqui, cede ali ou não cede, porque existem coisas que não dá para transigir, mas diz o que tem que dizer de uma forma sincera, porém amorosa, fraterna e, lembrando Jesus, vamos conversando com o nosso irmão em reservado “e se ele vos entender”, diz o mestre,”então tereis ganho o vosso irmão”.

      Difícil?... Mas quem foi que disse que é fácil evoluir... e que se evolui sem conviver?!?  Pensemos
nisto.  


* Joana Abranches - Assistente Social e Presidente da Sociedade Espírita Amor
Fraterno – Vitória/ES

domingo, 2 de junho de 2013

CIÊNCIA COMPROVA A MEDIUNIDADE

Um estudo foi realizado em junho de 2008, por um seleto grupo de pesquisadores e médiuns. Dez médiuns brasileiros se colocaram à disposição, durante dez dias, de uma equipe de cientistas do Brasil e dos EUA, que usaram as mais modernas técnicas científicas para estudar seus cérebros.

Os cientistas Júlio Peres, Alexandre Moreira-Almeida, Leonardo Caixeta, Frederico Leão e Andrew Newberg, foram os responsáveis pela pesquisa. Eles pertencem às faculdades de medicina da Universidade de São Paulo, da Universidade Federal de Juiz de Fora, da Universidade Federal de Goiás e da Universidade da Pensilvânia, na Filadélfia.

O cérebro dos médiuns foi vasculhado por equipamentos de alta tecnologia durante o transe e fora dele. Foi uma experiência pioneira na produção de neuroimagem, por intermédio de tomografia por emissão de pósitrons, chamada PET, e por meio do método conhecido pela sigla Epect (Single Photon Emission Computed Tomografhy, ou Tomografia Computadorizada de Emissão de Fóton Único).

A atividade cerebral de cada médium foi mapeada por meio do fluxo sanguíneo, durante o transe da psicografia e fora dele. Os cientistas ficaram surpresos quando o mapeamento cerebral das duas atividades foi comparado. Apesar de a estrutura narrativa ser mais complexa nas psicografias do que nos outros textos escritos fora do transe, os cérebros ativaram menos as áreas relacionadas com o planejamento e com a criatividade. "Os dez médiuns produziram psicografias espelhadas - escritas de trás para a frente -, redigiram em línguas que não dominavam bem, descreveram corretamente ancestrais dos cientistas que os próprios pesquisadores diziam desconhecer, entre outras tantas histórias".

Ao término da experiência, os cientistas chegaram à conclusão que há uma interferência externa no cérebro dos médiuns, confirmando a mediunidade, por intermédio da psicografia e das outras formas de contato espiritual. Essa conclusão foi divulgada na revista científica americana Plos One - O estudo Neuroimagem durante o estado de transe: uma contribuição ao estudo da dissociação. Acesso através da www.dx.plos.org/10.137/journal.pone.0049360.

Devemos ser gratos a esses grandes cientistas, do passado e da atualidade, que deixaram as suas marcas luminosas pelo caminho, mostrando-nos o rumo a seguir, a fim de que nossos passos sejam seguros em direção ao progresso e à felicidade.
Muita Paz.

(Extraído do Jornal Correio Espírita do Estado do Rio de Janeiro, número 95 do mês de maio de 2013, per Itair Ferreira).