sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Os Mitos e as Verdades sobre as Células-Tronco

Os Mitos e as Verdades sobre as Células-Tronco

Dr. Décio Iandoli Júnior *


A questão 353 do Livro dos Espíritos trata do seguinte:
- A união do espírito e do corpo não estando completa e definitivamente consumada senão depois do nascimento, pode considerar-se o feto como tendo alma?
R – O espírito que o deve animar existe de alguma forma, fora dele. Ele não tem, propriamente falando, uma alma, pois a encarnação está somente em vias de se operar; mas está ligado à alma que o deve possuir.
André Luiz nos conta, pela orientação de Alexandre em “Missionários da Luz”, que a encarnação só se completa por volta dos sete anos de idade, porém, ela se inicia na concepção, ou seja, no momento da fecundação do ovócito materno pelo espermatozóide paterno; a partir daí, inicia-se o “continuum” (1), com a construção do corpo físico pelo perispírito, ou como colocou o Dr. Hernani Guimarães Andrade, pelo Modelo Organizador Biológico (MOB).
Sendo assim, não poderíamos ter outra atitude a não ser a de respeitar o indivíduo como ser encarnado desde a fecundação e geração da célula original (o zigoto), evitando interpretações outras que poderiam abrir questão quanto ao momento em que temos ou não temos um ser encarnado, e que tem levado muitos companheiros de doutrina a discutir, equivocadamente, os direitos do embrião.
Sabemos ainda, pela própria descrição da reencarnação de Segismundo, feita no mesmo livro (Missionários da luz) psicografado por nosso querido Chico Xavier, que a ligação fluídica, entre a mãe e o reencarnante, se dá antes mesmo da fecundação, e que o processo de ligação ao zigoto completa este processo de instalação da interface físico-etérica, dando início à reencarnação.
Se unirmos, em laboratório um ovócito e um espermatozóide, pelas técnicas já disponíveis, conseguiremos o desenvolvimento de um embrião, mas não teremos a certeza de que este é viável ou não até o momento de seu implante no útero.
Acreditamos que tal dificuldade se dê, entre outros motivos, pela ausência de um espírito reencarnante ligado a estes embriões, com conseqüente ausência de um MOB, o que inviabiliza a diferenciação celular e a organização espacial do novo corpo em desenvolvimento, interrompendo o projeto biológico.
A “maquinaria” celular, o alto grau de fluido vital das células embrionárias e o automatismo celular conseqüente a estes dois primeiros fatores podem garantir o desenvolvimento inicial deste embrião, antes que se torne necessário o início da diferenciação celular, mesmo na ausência de um espírito reencarnante.
Sendo assim, é teoricamente viável aceitar que, muitos dos embriões concebidos “ in vitro ” não estão dotados de espíritos reencarnantes, entretanto, este raciocínio não da nenhuma margem para acreditarmos que, neste tipo de fertilização, nunca haverá ligação com espíritos, o que só ocorreria no momento do implante no útero, coisa que nem sabemos se é possível ou não.
Classificar todos os embriões concebidos “ in vitro ” como sendo montículos de células desprovidas de espírito não é apenas uma suposição, mas é também, na minha opinião, bastante improvável.
Como vimos, ainda não temos como saber ou afirmar, se determinado embrião tem ou não um espírito reencarnante, contudo, acredito que não estão muito longe os recursos para fazê-lo; seja através da verificação da reprogramação epigênica, que foi relatada no trabalho do Dr. Kevin Eggan (2) e que pode significar a instalação de um novo espírito (3), ou seja pela identificação de campos biomagnéticos utilizando-se um Tensionador Espacial Magnético (TEM) como o que foi idealizado pelo Dr. Hernani Guimarães Andrade (4) . Até lá, não havendo como provar se há ou não um reencarnante ligado àquele embrião, devemos tratá-los todos da mesma forma, ou seja, o benefício da dúvida deve estar, sempre, em favor da vida. Diante desta constatação, ou seja, da impossibilidade de afirmarmos, utilizando-se dos conhecimentos doutrinários, se há ou não um espírito em determinado embrião, e por não ser este, via de regra, o parâmetro utilizado pela sociedade para tomar suas resoluções éticas, creio que nos resta consultar a ciência e os seus conceitos clássicos para o caso em questão. Devemos buscar na embriologia a resposta à nossa pergunta: O embrião é um ser vivo?
Antes de continuarmos esta argumentação, deve ficar claro que: pela visão da biologia e pela visão legal, até o presente momento, não há, nenhuma diferenciação entre o embrião “ in vivo ” e “ in vitro ”, sendo assim, o que considerarmos para um, devemos considerar para o outro.
Buscando nos livros de embriologia encontramos no primeiro capítulo do “Embriologia Clínica” de Keith L. Moore , a definição de Zigoto como "u ma célula resultante da fertilização de um ovócito por um espermatozóide, e é o início de um ser humano ".
Diante desta afirmação, compartilhada pela grande maioria dos embriologistas, à partir da fecundação, já temos um ser humano vivo que, conseqüentemente, deve ser respeitado e preservado como tal, não cabendo nenhuma “flexibilização” deste conceito, como se tem feito por ai, em prol de interesses outros que não o da ética e da dignidade humana.
Posto isso, colocamos na mesa de discussões um argumento poderoso trazido à tona pelos utilitaristas e materialistas, defendendo o sacrifício dos embriões em nome das vidas que serão resgatadas com o avanço da promissora terapêutica com células tronco.
Um primeiro ponto deve ser considerado antes de adrentarmos aos fatos relacionados com as atuais pesquisas neste campo, ponto este que nos remete a outra questão ética:
Existe uma classificação de vidas, ou seja, existem vidas que valem mais que outras por qualquer motivo? É lícito eliminar uma vida para salvar ou ajudar outras tantas?
Os utilitaristas podem achar que sim, ou seja, um embrião que nem se parece com um ser humano, assemelhando-se a uma ameba ou coisa que o valha, poderia ser destruído sem problemas, para que pudéssemos ver paraplégicos andando, vítimas de acidentes cardiovasculares reabilitados, doentes saindo das filas de transplantes, num grande e poderoso apelo que comove e convence, pois “somente os religiosos radicais poderiam ser contra o avanço da ciência que trará tantos benefícios para a humanidade, simplesmente por imporem seus dogmas irracionais”. Será que a questão se resume a isso?
Convido-os a ver a questão por um outro ângulo, pois se há uma classificação para as vidas, se determinada pessoa vale mais que outra, então seria lícito sacrificar os detentos e assassinos para que doassem seus órgãos, beneficiando cerca de cerca de 6 pessoas cada um, além de diminuir os gastos do estado com o sistema penitenciário. O argumento utilitarista justifica, também, os avanços realizados na neurologia pelo Dr. Mengele, que se utilizava de pessoas que iriam “morrer de qualquer maneira”, para fazer seus experimentos em seres humanos, sem nos esquecermos que os nazistas acreditavam que os judeus tinham menos valor que os arianos.
É possível que o leitor ache minhas colocações muito dramáticas, mas é extremamente importante, em favor da coerência e da verdade, que nós possamos estabelecer conceitos básicos sobre o que é vida, sobre sua valorização, e a partir de então sermos sempre coerentes com estes conceitos, inflexíveis quanto às bases que eles geram, evitando argumentações oportunistas que superficializam a questão para gerar a permissividade que muitos procuram.
Como diz o Professor Alberto Oliva (5): "A crescente transformação do conhecimento científico aponta para o risco de as biotecnologias virem a tratar o homem não como um fim em si mesmo, mas como meio" . O utilitarismo traz de volta o mote romano: " A tua morte é minha vida ". Estamos diante de uma questão de princípios fundamentais, ou seja, devemos respeitar a vida humana em qualquer circunstância, todos os seres humanos devem ter os mesmos direitos e, finalmente, a vida humana começa no momento da fecundação. Somente estes preceitos primordiais, que já estão estabelecidos há muito, podem nortear nossas decisões sobre as questões bioéticas, do contrário, perderemos todos os limites morais.
O segundo ponto que gostaria de explorar, diz respeito ao atual estágio em que se encontram as pesquisas com as células tronco:
As células tronco são células indiferenciadas, ou seja, células com potencialidade de se transformar em qualquer outro tipo de tecido especializado do organismo, como por exemplo, uma célula de músculo cardíaco, um neurônio, uma célula hepática, etc.
Podemos obter este tipo de células de embriões, as células tronco embrionárias (CTE), ou de nosso próprio organismo, as células tronco adultas (CTA), presentes em todos os nossos tecidos, mas principalmente, na medula óssea.
Inicialmente se pensava que as CTA não teriam a mesma versatilidade que as CTE, e que sua vitalidade seria menor, por isso, teoricamente, as CTE foram apontadas como a melhor opção para o desenvolvimento de técnicas terapêuticas, entretanto, já se caminhou muito com as pesquisas utilizando-se CTA e o que se tem visto é que elas têm a mesma versatilidade das CTE, pois já se pode produzir até células embrionárias a partir de CTA (6), além do que são mais “dóceis” que as CTE, prestando-se facilmente a culturas em laboratório, o que é extremamente importante. Até o momento, todos os resultados positivos alcançados com células tronco, foram obtidos com as CTA, um dos motivos mais óbvios para tais resultados é que estas células são retiradas do próprio paciente, sendo assim, não são, na maioria das vezes, rejeitadas pelo organismo. As pesquisas com células embrionárias, apesar de terem, teoricamente, maior potencial de diferenciação, não tem trazido bons resultados nos estudos já realizados em animais; a revista Lancet de 10 de julho, traz um artigo de Allegrucci e col , que afirmam que as células tronco de embriões congelados, estão muito longe de serem a mais perfeita fonte de CT para terapia, além do que, foram observados casos de teratomas, um tipo de câncer extremamente invasivo e grave.
Apenas recentemente, um grupo coreano (chefiado pelo Dr. Woo Hwang ) obteve sucesso com a cultura de CTE. Trata-se de uma linhagem celular que, o próprio autor admite, foi conseguida “por acaso”, ou seja, não se sabe como ou porque deu certo, fato que tem trazido como conseqüência, muitas dificuldades para manter e fazer crescer estas culturas. É oportuno que se diga que, as linhagens do Dr. Hwang foram obtidas utilizando-se a clonagem humana(7), para em seguida, utilizar-se estes embriões como doadores de células, o que é mais um aspecto ético a ser considerado, além do que, este ainda é o único caso de sucesso de cultura destas células em laboratório, registrado na literatura. Parece consenso entre os pesquisadores da área, que a utilização de embriões congelados, devido a um processo chamado de metilação do DNA ao qual são submetidos, dificulta sobremaneira qualquer tipo de tentativa de gerar culturas, passo fundamental para o início dos trabalhos que tentarão chegar à utilização terapêutica destas células, já que, para se ter uma idéia, no auto-transplante de CTA obtidas da medula óssea, utiliza-se em torno de um bilhão de CTs por mililitro, injetando-se 40 mililitros de um concentrado destas células na região lesada através de um cateter introduzido na artéria femoral, seja no caso de infarto do miocárdio ou de doença de Chagas (trabalhos já publicados pelo Dr. Dohmman, do Hospital Pró-Cardíaco, no Rio de Janeiro, e do Dr. Ricardo Ribeiro dos Santos, na Bahia). Podemos concluir, portanto, que o número de CTE obtidas pelos coreanos ainda é irrisório e inútil para as tentativas terapêuticas pretendidas.
Em entrevista à revista “Médico Repórter” de 13 outubro de 2004, a professora Alice Teixeira Ferreira alerta para as dificuldades que tem sido relatadas com as pesquisas com CTE:
“(...)o grupo do Dr. Murdoch, da Universidade de Newcastle, Reino Unido, que é uma das 5 equipes de pesquisa a receberem aprovação para pesquisar em as CTEHs, em seu trabalho publicado agora em setembro na revista Reproduction, 2004Sep:128(3),259-67) afirmam:
-a cultura contínua das CTEHs num estado indiferenciado requer a presença de uma camada de células de roedores e de hormônios de crescimento liberados pelas mesmas, havendo o risco de transferência de patógenos (vírus ou bactérias causadores de doenças). Caso contrário elas começam a se diferenciar descontroladamente, gerando uma mistura de diferentes tecidos, perdendo a sua propalada característica de pluripotência.
-as CTEHs demonstram grande instabilidade genômica e durante o crescimento a longo tempo apresentam modificações funcionais inesperadas;
-as CTHEs quando injetadas nas patas posteriores de roedores imunossuprimidos geram tumores embrionários (teratomas) em 50% dos animais. Estas " descobertas" mostram que esses pesquisadores não entendem nada de Biologia Celular, pois nós, que pesquisamos na área há 15 anos com cultura de células, já evidenciamos todos estes problemas com as chamadas células de linhagem, obtidas de tumores ou desdiferenciadas e eternalizadas.”
A pergunta que se faz neste momento é: Porque dividir a atenção e os recursos entre dois tipos de terapia, ou seja, com CTA e CTE, se apenas o primeiro tem trazido resultados alentadores, além de não ferir nenhum preceito ético?
A Doutora Líliam Piñero Eça(8), pesquisadora da UNIFESP afirma: “O futuro da ciência está nas células-tronco adultas desde 2001, e no estudo dos fatores epigenéticos, pois as células embrionárias até o momento causam câncer e rejeição”
Assistimos recentemente a votação da lei de biosegurança cercada de uma “pressão social” que, na minha opinião, foi criada sinteticamente por uma exposição assimétrica do tema pela mídia. Acredito que a opinião pública não foi devidamente esclarecida quanto a esta questão, pôde-se ver na televisão, portadores de deficiência física chorando, emocionados, com a aprovação da lei, o que mostra como eles foram iludidos, pois possibilidades teóricas foram colocadas como verdades, alguns pesquisadores chegaram a colocar prazos de 2 a 5 anos para a obtenção de resultados práticos, sendo que não se sabe nem se estes objetivos poderão ser alcançados, quanto mais estabelecer um tempo para que isso ocorra.
Na ciência, não ha como prever resultados, pois ela trata, justamente, de explorar o desconhecido, hipóteses consideradas como verdadeiras por muitos anos, já se mostraram falsas, assim como, objetivos que pareciam inatingíveis, foram alcançados. Trabalhar pelo desenvolvimento da ciência é uma obrigação de todos, estudar todas as possibilidades de progresso também, mas não se podem garantir resultados, principalmente quando estas promessas geram falsas expectativas em pessoas tão sofridas, manipulando suas esperanças.
Criou-se uma ilusão perigosa a respeito do assunto e, conseqüentemente, uma opinião equivocada. O argumento de salvar vidas com porções de células que iriam "para o lixo" é imoral, minimizando e "coisificando" o embrião.
O que mais preocupa, com relação a este tema, é que abrimos um grave precedente, pois agora, o embrião desrespeitado e desclassificado como ser humano, possibilitará tornar lícito também o aborto, tanto que, os grupos pró-aborto tem intensificado muito suas campanhas iniciando a abordagem pela legalização do aborto dos anencéfalos. Recentemente o ministério da saúde divulgou norma facilitando o aborto de vítimas de estupro, não exigindo qualquer tipo de comprovação do fato, e tentando eximir o médico de qualquer responsabilidade legal, abrindo uma brecha para a institucionalização do aborto generalizado.
Já que o embrião congelado não é vida, porque o embrião no útero é? A noção da população sobre o que é um zigoto, um embrião ou um feto é muito pobre, facilitando a campanha em favor do aborto.
Alguns médicos já defendem a interrupção da gestação de fetos portadores de qualquer anomalia, inclusive síndrome de Down. Onde vamos parar? Qual é o limite ético que se estabelecerá?
O que está em questão agora não é o benefício para a ciência e sim o benefício para a humanidade, o que pode não significar a mesma coisa, já que, em termos de ciência, toda e qualquer possibilidade de estudo ou pesquisa, é sempre “benéfica”, pois traz conhecimento, mesmo que este conhecimento seja a constatação de que não é possível atingir as metas inicialmente traçadas por aquela linha de pesquisa; entretanto, devemos levar em consideração as questões éticas, já que os fins não justificam os meios.
Deveríamos estar discutindo a regulamentação da produção de embriões com fins reprodutivos, e o fato de não os utilizar, ou de que eles serão descartados de qualquer maneira, não pode ser justificativa para a utilização dos mesmos com fins científicos.
O que deve ficar bem claro é que, um embrião é considerado, pela própria ciência materialista, como um ser humano vivo, devendo portanto, ser respeitado como tal.
O mundo vai evoluir sempre, pois é este nosso destino inexorável; vamos conquistar tecnologias cada vez mais importantes, entretanto, devemos escolher qual preço estamos dispostos a pagar por isso, quais os caminhos que devemos seguir.
O uso de CTE humanas não é necessário para o avanço da ciência neste momento, acredito que, pelos trabalhos já desenvolvidos com as CTA, chegaremos a grandes conquistas, e o estudo dos fatores epigenéticos, acabarão por nos conduzir ao conceito de "Modelo Organizador Biológico", ou perispírito, o que nos trará a possibilidade de, por exemplo, "construir" órgãos em laboratório à partir de células tronco do próprio paciente, para um "auto-transplante", fundando a “engenharia de órgãos e tecidos”.
A despeito de nosso otimismo e entusiasmo, não percamos a serenidade, nem dispensemos a segurança no avanço da ciência, pois não temos como fazer juízo ético daquilo que não conhecemos completamente.
Sigamos confiantes e dedicados nos estudos e no desenvolvimento das CTA, dominando cada vez mais e melhor suas possibilidades, e enquanto isso, muita prudência e responsabilidade.
Veja o que nos trouxe Emmanuel, pelas mãos de Francisco Cândido Xavier, muito antes de surgirem as possibilidades que atualmente discutimos:
"O homem desejou recursos para mais facilmente abrir estradas e a divina providência lhe suscitou a idéia de reunir areia e nitroglicerina, em cuja conjugação despontou a dinamite. A comunidade beneficiou-se da descoberta, no entanto, certa facção organizou com ela a bomba destruidora de existências humanas.
O homem pediu veículos que lhe fizessem vencer o espaço, ganhando tempo, e o amparo divino ofereceu-lhe os pensamentos necessários à construção das modernas máquinas de condução e transporte. Essas bênçãos carrearam progresso e renovação para todos os setores das aquisições planetárias, entretanto, apareceram aqueles que desrespeitaram as leis do transito, criando processos dolorosos de sofrimento e agravando débitos e resgates, nos princípios de causa e efeito.
O homem solicitou o apoio contra a solidão psicológica e a Eterna Bondade, através da ciência, lhe concedeu o telégrafo, o rádio, o televisor, aproximando as coletividades e integrando no mesmo clima de aperfeiçoamento e cultura. Apesar disso, junto desses nobres empreendimentos, surgiram aqueles que se valem de tão altos instrumentos de comunicação e solidariedade para a disseminação da discórdia e da guerra.
O homem rogou medidas contra a dor e a Compaixão Divina lhe enviou os anestésicos, favorecendo-lhe o tratamento e o reequilíbrio no campo orgânico. Ao lado dessas concessões, porém, não faltam aqueles que transformam os medicamentos da paz e da misericórdia em tóxicos de deserção e delinqüência.
O homem pediu a desintegração atômica, no intuito de assenhorear mais força, a fim de comandar o progresso, e a desintegração atômica está no mundo, ignorando-se que preço pagará o Orbe Terrestre, até que essa conquista seja respeitada fora de qualquer apelo à destruição. Como é fácil observar, Deus concede sempre ao homem as possibilidades e vantagens que a inteligência Humana resolve requisitar à Sabedoria Divina. Por isso mesmo, as calamidades que surjam nos caminhos da evolução no mundo, não ocorrem obviamente, sob a responsabilidade de Deus.(9)
NOTAS: 1) Para os embriologistas Moore e Persaud, na página 2 do livro “Embriologia Humana” : “O desenvolvimento humano é um processo contínuo que começa quando um oovócito de uma mulher é fertilizado por um espermatozóide de um homem. O desenvolvimento envolve muitas modificações que transformam uma única célula, o zigoto (ovo fertilizado), em um ser humano multicelular. ” (voltar)
2) EGGAN, K., RIDEOUT III, W.M., JAENISCH, R. Nuclear cloning and epigenetic reprogramming of the genome. Science , v. 293, p.1093-98, aug.2001 (voltar)
3) Ver argumentação no capítulo III do livro “A reencarnação como lei biológica” do mesmo autor deste artigo. (voltar)
4) No livro “Espírito, perispírito e alma” encontramos o embasamento teórico deste postulado do Dr. Hernani, e em seu livro “A mente move matéria” no adendo do escrito por Y. Shimizu, encontramos a descrição dos aparelhos TEM e TEEM. (voltar)
5) Retirado de entrevista à revista “Médico Repórter” de 13 outubro de 2004, dada pela professora Alice Teixeira Ferreira, livre doscente de biofísica da UNIFESP/EPM, área de Biologia Celular, estudiosa de CTAs da medula óssea há 6 anos. (voltar)
6) Trabalho realizado pelo Dr. Rudolf Jaenisch, do prestigiado Instituto Whitehead nos Estados Unidos, e pesquisador do mesmo grupo do Dr. Kevin Eggan, já citado anteriormente. Publicado na revista Cell de maio de 2005. (voltar)
7) Esta linhagem foi obtida de 30 embriões humanos pela transferência nuclear das células cúmulos do próprio ovário para os mais de 200 óvulos de suas respectivas doadoras. Obviamente estes 30 embriões humanos tiveram de ser mortos para se obter as suas células, sendo que cada um deles forneceu entorno de 150 células. (voltar)
8) Biomédica, doutora em biologia molecular pela UNIFESP, autora do livro “Biologia molecular, guia prático e didático”. (voltar)
9) Retirado do livro “Busca e acharás”, editora Ideal, 1995.

(*) Dr. Décio Iandoli Júnior é médico cirurgião, doutor em medicina pela UNIFESP-EPM, professor titular de Fisiologia dos cursos de Biologia, Fisioterapia e Farmácia da UNISANTA em Santos, S.P., professor responsável pela disciplina de Saúde e Espiritualidade do curso de Gerontologia desta mesma universidade, atual vice-presidente da Associação Médico-Espírita de Santos e colaborador do Centro Espírita Dr. Luiz Monteiro de Barros em Santos, S.P. Autor dos livros “Fisiologia Transdimensional”, “Ser Médico e Ser Humano” e “A Reencarnação como Lei Biológica” editados pela FE editora jornalística.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

CIENTISTAS DERRUBAM SEIS MITOS DOBRE O FIM DO MUNDO



    Os profetas do apocalípse sempre existiram em todos os tempos. Não há dúvida de que toda a criação universal de Deus e, principalmente, os astros, tem, nas Leis imutáveis do Pai Eterno seu início, meio e fim. Entretanto, como a ciência nos mostra, essas transformações levam milhões de anos para se completarem. Certamente, a Terra não escapará disso e, a Bíblia já registrou muitos momentos de transformações do globo terrestre. Agora, quanto a ter um fim bruscamente, acho pouco provável. Deus não criaria um dos planetas mais belos do Universo, lugar de expiação e regeneração dos Espíritos encarnados, para destruí-lo num piscar de olhos. Não, jamais, Deus é Amor e quer o nosso bem. Os cientista da NASA, órgão máximo da Humanidade, que estuda os astros, nos deixa mais tranquilo:
    O fim do mundo está próximo - 21 de dezembro de 2012, para ser mais exato - segundo teorias baseadas na suposta antiga previsão maia e divulgadas pela máquina de marketing por trás do filme "2012". Mas será que a humanidade poderia realmente encontrar o seu fim em 2012, afogada em enchentes apocalípticas, atingida por um planeta secreto, tostada por um sol raivoso, ou lançada à deriva por continentes acelerados?
E será que a antiga civilização maia - cujo império teve seu apogeu entre 250 e 900 d.C. onde hoje é o México e a América Central - realmente previu o fim do mundo em 2012? Pelo menos um aspecto desse alarde sobre o fim do mundo em 2012, para algumas pessoas, é muito real: o medo.
O site da Nasa "Pergunte a um astrobiólogo", por exemplo, recebeu milhares de perguntas sobre a previsão do fim do mundo em 2012: algumas perturbadoras, segundo David Morrison, cientista sênior do Instituto de Astrobiologia da Nasa.
"Muitos dos (que enviaram as perguntas) estão genuinamente assustados", Morrison disse. "Houve dois adolescentes que estavam pensando em se matar, porque não queriam estar por aqui quando o mundo acabasse", ele disse. "Duas mulheres nas últimas duas semanas disseram que estavam pensando em matar seus filhos e elas mesmas para não terem que sofrer com o fim do mundo."
Felizmente, com a ajuda de cientistas como Morrison, a maioria dos cataclismos previstos para 2012 é facilmente explicada.
Mito 1 sobre 2012
Previsão maia do fim do mundo em 2012 
O calendário maia não termina em 2012, como alguns afirmaram, e esse povo antigo nunca considerou tal ano como o tempo do fim do mundo, dizem arqueólogos. Mas 21 de dezembro de 2012, (um dia a mais ou a menos) foi, todavia, importante para os maias.
"É a época em que o maior ciclo do calendário maia - 1.872.000 dias ou 5.125,37 anos - acaba e um novo ciclo começa", disse Anthony Aveni, especialista em povo maia e arqueoastrônomo da Universidade Colgate em Hamilton, Nova York.
Os maias registravam o tempo em uma escala que poucas culturas consideraram. Durante o apogeu do império, os maias inventaram a Grande Contagem - um comprido calendário circular que "transplantava as raízes da cultura maia desde a criação do mundo em si", Aveni disse.
Durante o solstício de inverno de 2012, encerra-se a era atual do calendário da Grande Contagem, que começava no que os maias viam como o último período da criação do mundo: 11 de agosto de 3114 a.C. Os maias escreveram essa data, que precedeu sua civilização em milhares de anos, como o Dia Zero, ou 13.0.0.0.0.
Em dezembro de 2012, a longa era termina e o complicado calendário cíclico volta ao Dia Zero, iniciando outro grande ciclo.
"A ideia é que o tempo se renova, que o mundo se renova novamente - muitas vezes após um período de estresse - da mesma forma que renovamos o tempo no dia de Ano Novo ou mesmo na segunda-feira de manhã", disse Aveni, autor de "The End of Time: The Maya Mystery of 2012."
Mito 2 sobre 2012 
Continentes em ruptura vão destruir a civilização 
Em algumas profecias do fim do mundo em 2012, a Terra se torna uma armadilha mortal ao passar por um "deslocamento de pólos".
A crosta e o manto do planeta irão de repente se deslocar, girando em torno do núcleo externo de ferro líquido da Terra como a casca de uma laranja gira em torno de sua suculenta fruta.
"2012", o filme, imagina um deslocamento polar previsto pelos maias, desencadeado por uma força gravitacional extrema sobre o planeta, graças a um raro ¿alinhamento galáctico" - e por uma radiação solar massiva que desestabiliza o centro da Terra ao aquecê-lo.
A ruptura de oceanos e continentes despeja cidades no mar, arrasta palmeiras para os pólos e gera terremotos, tsunamis, erupções vulcânicas e outros desastres.
Os cientistas descartam cenários tão drásticos, mas alguns pesquisadores têm especulado que um deslocamento mais sutil poderia ocorrer, por exemplo, se a distribuição de massa sobre ou dentro do planeta mudasse radicalmente, devido a, digamos, o derretimento das calotas polares.
O geólogo da Universidade de Princeton Adam Maloof, que estudou extensivamente os deslocamentos polares, disse que a evidência magnética nas rochas confirma que os continentes passaram por um rearranjo drástico, mas o processo levou milhões de anos - lento o bastante para a humanidade não sentir o movimento.
Mito 3 sobre 2012 
Alinhamento galáctico revela perdição 
Alguns observadores do céu acreditam que 2012 irá se encerrar com um "alinhamento galáctico", que ocorrerá pela primeira vez em 26.000 anos.
Nesse cenário, o trajeto do sol pelo céu pareceria cruzar o que, da Terra, é visto como o ponto médio da nossa galáxia, a Via Láctea, que em boas condições de observação aparece como uma faixa de neblina no céu noturno.
Alguns temem que esse alinhamento de alguma forma exponha a Terra a poderosas e desconhecidas forças galácticas que irão precipitar o seu fim - talvez através de um "deslocamento polar" ou movimento do supermassivo buraco negro do coração da nossa galáxia.
Outros veem o suposto evento sob uma luz positiva, como o prenúncio do despertar de uma nova era na consciência humana. Morrison, da Nasa, tem uma visão diferente. "Não existe nenhum 'alinhamento galáctico' em 2012", ele disse, "ou pelo menos nada fora do comum."
Ele explicou que um tipo de "alinhamento" ocorre durante todos os solstícios de inverno, quando o sol, visto da Terra, aparece no céu próximo do que parece ser o ponto médio da Via Láctea.
Astrólogos podem se entusiasmar com alinhamentos, Morrison disse. "Mas a realidade é que os alinhamentos não são de interesse para a ciência. Eles não significam nada", ele disse. Eles não modificam a força gravitacional, a radiação solar, as órbitas planetárias, ou qualquer coisa que tenha impacto na vida da Terra.
Mas a especulação sobre alinhamentos não é surpreendente, ele afirma. "Fenômenos astronômicos comuns são imbuídos de um senso de ameaça por pessoas que já acreditam que o mundo vai acabar."
Em relação aos alinhamentos galácticos, David Stuart, especialista em povo maia da Universidade do Texas, escreve em seu blog que "nenhum texto ou arte dos antigos maias faz referência a qualquer coisa do tipo."
Mesmo assim, a data final do atual ciclo da Longa Contagem - o solstício de inverno de 2012 - pode ser evidência da habilidade astronômica dos maias, disse Aveni, o arqueoastrônomo. "Não descarto a probabilidade de que a astronomia desempenhou um papel" na escolha de 2012 como o término do ciclo, ele disse.
Astrônomos maias construíram observatórios e, através da observação dos céus noturnos e usando a matemática, aprenderam a prever com precisão eclipses e outros fenômenos celestiais. Aveni observa que a data de início do atual ciclo foi provavelmente associada a uma passagem do zênite solar, quando o sol cruza diretamente sobre nossas cabeças, e sua data de término cairá no solstício de dezembro, talvez intencionalmente.
Essas escolhas, ele disse, podem indicar que o calendário maia está ligado aos ciclos sazonais de agricultura, centrais para a sobrevivência dos povos antigos.
Mito 4 sobre 2012 
O Planeta X está em rota de colisão com a Terra 
Alguns dizem que ele está por aí: um misterioso planeta X, também conhecido como Nibiru, em rota de colisão com a Terra - ou pelo menos a caminho de uma passagem de raspão destruidora.
Dizem que uma colisão direta iria destruir a Terra. Mesmo uma passagem de raspão, alguns temem, poderia gerar uma chuva de asteróides de impacto mortal, arremessados em nossa direção pelo turbilhão gravitacional do planeta.
Será que esse planeta desconhecido realmente poderia estar vindo em nossa direção em 2012, mesmo passando de raspão? Bem, não. "Não há objeto nenhum por aí", disse Morrison, o astrobiólogo da Nasa. "Essa provavelmente é a coisa mais clara a se dizer."
As origens dessa teoria na verdade antecedem o amplo interesse em 2012. Popularizado em parte por uma mulher que alega receber mensagens de extraterrestres, o fim do mundo relacionado a Nibiru foi originalmente previsto para 2003.
"Se houvesse um planeta ou uma anã marrom ou qualquer objeto que fosse estar no interior do sistema solar daqui a três anos, os astrônomos o teriam estudado na última década e ele seria visível a olho nu hoje." "Não há nada."
Mito 5 sobre 2012 
Tempestades solares irão devastar a Terra 
Em alguns cenários de desastre para 2012, nosso próprio sol é o inimigo. Nossa amigável estrela vizinha, segundo rumores, irá produzir erupções letais de labaredas solares, que aumentarão o calor sobre os terráqueos.
A atividade solar cresce e diminui segundo aproximadamente ciclos de 11 anos. Grandes labaredas podem de fato danificar as comunicações e outros sistemas da Terra, mas os cientistas não têm indicações de que o sol, pelo menos no curto prazo, irá lançar tempestades fortes o suficiente para fritar o planeta.
"Ao que parece, o sol não está seguindo a programação mesmo", afirmou Morrison, o astrônomo da Nasa. "Esperamos que esse ciclo provavelmente não seja concluído em 2012, mas um ou dois anos depois."
Mito 6 sobre 2012 
Os maias tinham previsões claras para 2012 
Se os maias não esperavam o fim do mundo em 2012, o que exatamente eles previram para esse ano? Muitos estudiosos que se aprofundaram na evidência dispersa em monumentos maias dizem que o império não deixou um registro claro prevendo que qualquer coisa específica aconteceria em 2012.
Os maias retrataram de fato um desagradável - embora não datado - cenário do fim do mundo, descrito na página final de um texto de aproximadamente 1100, conhecido como Códice de Dresden. O documento descreve um mundo destruído pela enchente, um cenário imaginado em muitas culturas e provavelmente vivenciado, em uma escala menos apocalíptica, por povos antigos. Aveni, o arqueoastrônomo, disse que o cenário não deve ser interpretado literalmente - mas como uma lição sobre o comportamento humano.
Ele associa os ciclos ao nosso próprio período de Ano Novo, quando a conclusão de uma era é acompanhada por atividades frenéticas e estresse, seguidas de um período de renascimento, quando muitas pessoas fazem uma reflexão e resolvem começar a viver de uma maneira melhor. Na verdade, Aveni diz, os maias não eram muito chegados a previsões.
"Toda a escala de registro do tempo é muito direcionada ao passado, não ao futuro", ele disse. "O que é lido nesses monumentos da Longa Contagem são eventos que ligavam os governantes maias a ancestrais e ao divino."
"Quanto mais você planta suas raízes no passado do tempo profundo, melhor você pode argumentar que é legítimo", Aveni disse. "E acho que é por isso que esses governantes maias usavam o tempo da Longa Contagem". "Não se trata de uma previsão fixa sobre o que vai acontecer."
Fontes:
notícias.terra.com.br; em 30/11/2012.
Tradução: Amy Traduções, National Geographic. 

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Pai, tô com fome!!! Ricardinho não aguentou o cheiro bom do pão e falou: historia verídica.



Ricardinho não aguentou o cheiro bom do pão e falou:

- Pai, tô com fome!!!
O pai, Agenor, sem ter um tostão no bolso, caminhando desde muito cedo
 em busca de um trabalho, olha com os olhos marejados para o filho e pede
 mais um pouco de paciência....

- Mas pai, desde ontem não comemos nada, eu tô com muita fome, pai!!!
Envergonhado, triste e humilhado em seu coração de pai, Agenor pede
 para o filho aguardar na calçada enquanto entra na padaria a sua frente...

Ao entrar, dirige-se a um homem no balcão:
- Meu senhor, estou com meu filho de apenas 6 anos na porta, com muita
 fome, não tenho nenhum tostão, pois sai cedo para buscar um emprego
e nada encontrei, eu lhe peço que em nome de Jesus me forneça um pão
 para que eu possa matar a fome desse menino, em troca posso varrer o
 chão de seu estabelecimento, lavar os pratos e copos, ou outro serviço
que o senhor precisar!!!

Amaro , o dono da padaria estranha aquele homem de semblante calmo
 e sofrido, pedir comida em troca de trabalho e pede para que ele
chame o filho...


Agenor pega o filho pela mão e apresenta-o a Amaro, que imediatamente
 pede que os dois sentem-se junto ao balcão, onde manda servir dois
pratos de comida do famoso PF (Prato Feito) - arroz, feijão, bife e ovo...

Para Ricardinho era um sonho, comer após tantas horas na rua...
Para Agenor , uma dor a mais, já que comer aquela comida maravilhosa
fazia-o lembrar-se da esposa e mais dois filhos que ficaram em casa
apenas com um punhado de fubá....
Grossas lágrimas desciam dos seus olhos já na primeira garfada...

A satisfação de ver seu filho devorando aquele prato simples como se
fosse um manjar dos deuses, e lembrança de sua pequena família em
 casa, foi demais para seu coração tão cansado de mais de 2 anos de
desemprego, humilhações e necessidades...

Amaro se aproxima de Agenor e percebendo a sua emoção, brinca
para relaxar:
- Ô Maria!!! Sua comida deve estar muito ruim... Olha o meu amigo
está até chorando de tristeza desse bife, será que é sola de sapato?!?!


Imediatamente, Agenor sorri e diz que nunca comeu comida tão
apetitosa, e que agradecia a Deus por ter esse prazer...

Amaro pede então que ele sossegue seu coração, que almoçasse em
paz e depois conversariam sobre trabalho...

Mais confiante, Agenor enxuga as lágrimas e começa a almoçar, já
 que sua fome já estava nas costas...

Após o almoço, Amaro convida Agenor para uma conversa nos
fundos da padaria, onde havia um pequeno escritório...

Agenor conta então que há mais de 2 anos havia perdido o emprego
 e desde então, sem uma especialidade profissional, sem estudos,
 ele estava vivendo de pequenos 'biscates aqui e acolá', mas que
 há 2 meses não recebia nada...


Amaro resolve então contratar Agenor para serviços gerais na padaria,
 e penalizado, faz para o homem uma cesta básica com alimentos
para pelo menos 15 dias...

Agenor com lágrimas nos olhos agradece a confiança daquele homem
e marca para o dia seguinte seu início no trabalho...

Ao chegar em casa com toda aquela 'fartura', Agenor é um novo homem
sentia esperanças, sentia que sua vida iria tomar novo impulso...
Deus estava lhe abrindo mais do que uma porta, era toda uma esperança
 de dias melhores...
No dia seguinte, às 5 da manhã, Agenor estava na porta da padaria
ansioso para iniciar seu novo trabalho...

Amaro chega logo em seguida e sorri para aquele homem que nem ele
 sabia porque estava ajudando...
Tinham a mesma idade, 32 anos, e histórias diferentes, mas algo dentro
 dele chamava-o para ajudar aquela pessoa...

E, ele não se enganou - durante um ano, Agenor foi o mais dedicado
 trabalhador daquele estabelecimento, sempre honesto e extremamente
 zeloso com seus deveres...

Um dia, Amaro chama Agenor para uma conversa e fala da escola que
abriu vagas para a alfabetização de adultos um quarteirão acima da
padaria, e que ele fazia questão que Agenor fosse estudar...
Agenor nunca esqueceu seu primeiro dia de aula: a mão trêmula nas
 primeiras letras e a emoção da primeira carta...
Doze anos se passam desde aquele primeiro dia de aula...

Vamos encontrar o Dr. Agenor Baptista de Medeiros , advogado, abrindo
seu escritório para seu cliente, e depois outro, e depois mais outro...

Ao meio dia ele desce para um café na padaria do amigo Amaro, que
 fica impressionado em ver o 'antigo funcionário' tão elegante em seu
 primeiro terno...
Mais dez anos se passam, e agora o Dr. Agenor Baptista, já com uma
clientela que mistura os mais necessitados que não podem pagar, e
os mais abastados que o pagam muito bem, resolve criar uma Instituição
que oferece aos desvalidos da sorte, que andam pelas ruas, pessoas
desempregadas e carentes de todos os tipos, um prato de comida
diariamente na hora do almoço...

Mais de 200 refeições são servidas diariamente naquele lugar que é
 administrado pelo seu filho , o agora nutricionista Ricardo Baptista...


Tudo mudou, tudo passou, mas a amizade daqueles dois homens,
Amaro e Agenor impressionava a todos que conheciam um pouco da
 história de cada um...
Contam que aos 82 anos os dois faleceram no mesmo dia, quase que
 a mesma hora, morrendo placidamente com um sorriso de
 dever cumprido...

Ricardinho , o filho mandou gravar na frente da 'Casa do Caminho',
que seu pai fundou com tanto carinho:
'Um dia eu tive fome, e você me alimentou. Um dia eu estava sem

 esperanças e você me deu um caminho. Um dia acordei sozinho, e
você me deu Deus, e isso não tem preço.. Que Deus habite em seu
 coração e alimente sua alma.. E, que te sobre o pão da misericórdia
 para estender a quem precisar!!!'



                                                                             (História verídica)                  
Mensagem nos enviada pela amiga: Marilei de Souza Fontoura.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

CASA DE ISMAEL


Nesta casa temos de compreender que toda a caridade, em seus valores mais legítimos, deve nascer do Espirito para o Espírito. As idéias religiosas do mundo não se esqueceram de monumentalizar as suas teorias de abnegação e bondade. Hospitais e orfanatos,abrigos e templos se edificaram, por toda parte; entretanto, o homem foi esquecido para o conhecimento, e para Deus. A caridade que veste nus e alimenta os famintos está certa, mas não está justa, se desconhece o Evangelho no santuário do coração. A obra de Ismael tem de começar no intimo das criaturas. Aqui, não podem prevalecer os antagonismos do homem, no acervo de suas anomalias. Iniciar pelo fim é caminhar para a inversão de todos os valores da vida. A casa de Ismael tem de irradiar, antes de tudo, a claridade do amor e a sabedoria espiritual, objetivando o grandioso serviço da edificação das almas. Primeiramente, é necessário educar o operário para os preciosos princípios e finalidades da máquina. Iluminando o homem, estará iluminada a obra humana. A evolução da alma para Deus se fará, então, por si mesma, sem desvios da meta a ser alcançada. Não haverá razão para o sacrifício de seus pregoeiros, porque em cada coração existirá um hostiário celeste. 

Livro Novas Mensagens de Humberto de Campos,
 psicografia de Chico Xavier

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Escusas

Permanece fiel ao trabalho a que te vinculas, servidor do Bem, sem qualquer enfado ou desânimo.
Dizes ser amigo de Jesus, que nunca deixou de auxiliar-te. Nada obstante, à medida que o tempo transcorre, vens neglicenciando os compromissos com as atividades socorristas a que te vinculas.
Sabes quando és útil no conjunto fraternal da Instituição em que te movimentas e que te necessita.
Apesar disso, vens fugindo à cooperação com os teus irmãos lutadores, tão cansados quanto tu mesmo, arrimando-te em escusas injustificáveis.
Sensível à crítica, olvidas-te de compreender que o mundo ainda não é o Paraíso, no qual os seres angélicos entoam hinos de louvor ao Pai Celestial. Permanece, porém, como escola de bênçãos, na qual a incompreensão e o desar dão-se as mãos, para a geração de dificuldades. Ademais, quando se está a serviço de Jesus, surgem empecilhos de todos os lados, tentando impedir o avanço autoiluminativo.
Procurando distanciar-te da realização coletiva edificante, alegas que sofres perseguição e apupo, sem a lucidez necessária para a prática da compaixão e da misericórdia. Aquele que te é inamistoso encontra-se gravemente enfermo e o desconhece...
Noutras vezes, aludes aos problemas e desafios familiares que te exigem a presença e olvidas o grupo espiritual com o qual te comprometeste antes da reencarnação.
Em algumas situações, apóias-te em enfermidades reais ou imaginárias para permaneceres no lar, quando o hospital espírita é o lugar adequado para conseguires a recuperação da saúde.
Tem cuidado, amigo de Jesus!
Se todos os Seus cooperadores detiverem-se em escusas, o deserto tomará conta da seara, ora rica de dádivas e de promessas de frutos...
Ao agasalhares ressentimentos e omitir-te na obra do Senhor, forças do Mal acercam-se de ti e lentamente inoculam nos teus pensamentos ideias falsas trabalhadas com habilidade, empurrando-te para as áreas sem defesa da inutilidade.
É certo que preferes a cultura, a projeção, o reconhecimento das demais pessoas. E, ao recebê-los, ficas sem mérito ante a Consciência Cósmica, porque já foste galardoado pela retribuição da vida aos teus pequenos e diletantes esforços.
Tem cuidado e volve à luta, ao lado dos teus amigos e sofredores, não deixando o arado enferrujar-se, abandonado ao sabor das intempéries.
Mantém a lembrança de que Jesus jamais se escusava. Por mais difícil fosse a situação, Ele a enfrentava com amor e delicadeza.
Veio ensinar a cooperação fraternal, a vivência da solidariedade, caminhos únicos para tornar melhor o mundo.
Se aqueles que são dotados de bons sentimentos se evadem da ação do Bem, alegando as dificuldades, que se poderá esperar dos demais, aqueles que não dispõem do conhecimento superior, das resistências morais, dos sentimentos de compaixão?
*   *   *
Há muito cristão-espírita fascinado pelos conteúdos intelectuais do Espiritismo, permanecendo nos seus confortáveis gabinetes e bibliotecas, pesquisando e escrevendo para os outros, propondo diretrizes e seguros roteiros de trabalho, de caridade...
Suas mãos, porém, permanecem vazias de feitos.
As belas teorias necessitam de ser vivenciadas por aqueles que as formulam, a fim de merecerem consideração e apoio dos que lhes tomam conhecimento.
A vinha do mestre ainda se encontra na face desafiadora da erradicação das plantas inúteis e más, a fim de ser preparado o solo para a ensementação do amor através do esforço hercúleo dos desbravadores do terreno,
Tudo quanto Jesus falou, Ele o praticou.
A Sua não é uma mensagem apenas de palavras, pois que todas elas estão respaldadas pelo Seu exemplo de abnegação e de entrega total.
A Sabedoria Máxima que o mundo conhece jamais se escusou ante as tarefas humildes, até humilhantes, que Ele transformou em vivência dignificadora como jamais alguém o conseguiria...
Lavar os pés dos Seus discípulos representou a sublime demonstração do que se fez servo de todos, sendo, no entanto, o Excelso Senhor do planeta terrestre.
Se te sentes cansado ante o impacto dos acontecimentos perversos e afligentes, recorda que com Ele tudo se torna fardo leve, de fácil condução.
Se perdeste o encantamento em relação aos companheiros com os quais convives, retempera o ânimo na fraternidade e reestimula-te, doando-te um pouco mais.
Na escusa em que ocultas os motivos reais do paulatino abandono dos teus compromissos, aguardas o tempo para te eximires por completo de tudo, negando a tua cooperação.
As ilusões de hoje e os comportamentos estranhos também passam, surgindo o despertar da consciência, em seu lugar, quando a situação tornar-se perigosa, agravada pela tua distância dEle.
O que fazes é bom e útil.
Defende o teu direito de prosseguir realizando-o da mesma forma que resguardas os valores para a existência cômoda.
Não te preocupes com os julgamentos que venham a fazer sobre ti, mantendo-te fiel ao Seu suave jugo.
Refaze o caminho e deixa-te de escusas, voltando ao trabalho enquanto é dia de luz.
O que faças, a conduta que te permitas, tornar-te-á amigo devotado ou distraído dAquele que deu a própria existência por amor a ti.
*   *   *
O Espiritismo é o teu salvo-conduto para uso correto na atual conjuntura reencarnacionista.
Tu que o conheces, que o ensinas, pratica-o até o sacrifício, recordando a recomendação de Jesus, a respeito da fidelidade ao Amor até o fim...
Amigo do Bem, não deixes que o vazio existencial que te atormenta seja preenchido pelo egoísmo e pelas ambições terrestres de breve curso.
Joanna de Ângelis
Psicografia de Divaldo Pereira Franco, no Centro Espírita Caminho da
Redenção, em Salvador, Bahia, no dia 23 de abril de 2012.
Em 19.11.2012.

domingo, 25 de novembro de 2012

A FAMÍLIA PÓS-NUCLEAR

A FAMÍLIA PÓS-NUCLEAR




Jerri Almeida
Preâmbulo

O
 estudo das relações familiares na contemporaneidade implica pensarmos sobre suas novas configurações e mediações. Sabemos que é cada vez mais comum encontrarmos exemplos de filhos que vivem somente com a mãe, com o pai ou com outro parente. O contexto das relações, na sociedade complexa que vivemos, define novos vínculos e novas tendências na composição da família. Conforme apontou Bauman, em seu livro intitulado Amor Líquido[1] – Sobre a fragilidade dos laços humanos, os relacionamentos conjugais tornaram-se, na pós-modernidade, muito “líquidos”, isto é, sem bases sólidas. Os valores sociais e culturais de nossa época contribuem para uma fragilização do casamento, ampliando vertiginosamente o número das separações.
Vínculos conjugais são rompidos, enquanto outros são – precipitadamente – iniciados sem o devido comprometimento ou consciência dos fatores responsáveis por imprimir qualidade na convivência conjugal. Separações e divórcios[2] são responsáveis, embora não serem os únicos, pelo aumento da família pós-nuclear.
A rigor, com as mudanças socioculturais e comportamentais, principalmente a partir dos anos 60, a mulher conquistando mais liberdade social passou também a assumir sozinha, diante de determinadas contingências, a chefia da família. Inúmeros fatores podem ser relacionados para explicar o surgimento da configuração familiar monoparental dentre eles podemos citar: a inseminação artificial, o que permitiu a mulher gerar filhos sem a figura do pai, a adoção, a viuvez e o divórcio. Na prática, define-se geralmente o modelo monoparental quando uma pessoa adulta, pai, mãe, ou outra, quer consanguínea ou não, assume o papel de cuidadora e orientadora de uma ou várias crianças.
Este modelo de família é reconhecido, no Brasil na Constituição Federal de 1988, em seu Art. 226 no inciso 4° que diz: “Entende-se também como entidade familiar a comunidade formada por qualquer dos pais e seus descendentes”, conferindo-lhe a mesma proteção e segurança do Estado. Conforme o IBGE, de 1995 a 2005, a porcentagem de famílias chefiadas por mulheres com filhos e sem cônjuge passou de 17,4% para 20,1% no Nordeste, e no Sudeste, de 15,9% para 18,3%.
Eduardo de Oliveira Leite afirma que: “a monoparentalidade se impôs como fenômeno social nas três últimas décadas, mas, com maior intensidade, nos últimos vinte anos, ou seja, no período em que se constata o maior número de divórcios” [3].

Dois, não somente um!

Qual o impacto da falta de um dos pais para os filhos? Existem especificidades no papel de pai e de mãe? E nesse caso, a ausência de um deles poderá ser suprida pelo outro? Não pretendemos nesse estudo, reduzir a complexidade desse modelo de família ao limite de seus aspectos negativos. Todavia, é importante refletirmos mais profundamente sobre o tema em questão.
Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, encontramos a seguinte afirmação:



Quis Deus que os seres se unissem não só pelos laços da carne, mas também pelos da alma, a fim de que a afeição mútua dos esposos se lhes transmitisse aos filhos e que fossem dois, e não um somente, a amá-los, a cuidar deles e a fazê-los progredir. [Grifos meus][4]

Não há duvidas que a estrutura familiar, composta por pai e mãe representa um imperativo da natureza para o melhor cumprimento de suas funções. A resposta dos espíritos é clara e objetiva. Partindo desse ponto ideal, devemos também compreender as variáveis que envolvem esse processo. No entanto, é relevante fazermos uma distinção dos papéis que envolvem o homem e a mulher na estrutura familiar. Anotando informações sobre a vida conjugal, André Luiz, no capítulo 20 de Nosso Lar, obteve o seguinte esclarecimento de seu instrutor: “...o lar é como se fora um ângulo reto nas linhas do plano da evolução divina. A reta vertical é o sentimento feminino, envolvido nas inspirações criadoras da vida. A reta horizontal é o sentimento masculino em marcha de realização no campo do progresso comum.” Essa diferenciação das singularidades do homem e da mulher implicam numa dinâmica de complementação extremamente rica, onde o principal beneficiado deveria ser o filho.
As funções, comumente aceitas, controladas pelos dois lados do cérebro, podem auxiliar na compreensão das diferenças[5] (que em nenhum momento implicam na ideia de superioridade ou inferioridade) entre homens e mulheres: a) Hemisfério esquerdo (lado direito do cérebro): habilidades matemáticas, raciocínio lógico, o pragmatismo, a objetividade, racionalidade, entre outros.  b) Hemisfério direito (no lado esquerdo do cérebro): criatividade, talento para as artes, intuição, imaginação, multiprocessamento, emoções, visão do todo, entre outros. O homem funciona mais no hemisfério esquerdo, enquanto a mulher no hemisfério direito. A evolução espiritual enseja o desenvolvimento de múltiplas potencialidades e, para isso, sabemos que o ser espiritual necessita transitar na polaridade masculina e feminina.
Mas como essas especificidades se tornam importantes na estrutura familiar? O escritor e educador Celso Antunes, analisa a dimensão desses papéis afirmando que:

A mãe é, por essência, aquela que supre as necessidades de alimento e de afeto; o elo essencial da segurança da criança e, principalmente, a ‘dialogadora’ essencial, a ‘admirável xereta’ que tudo, em todas as idades, através da conversa, busca compartilhar. O homem, sobretudo no Ocidente onde são mais exímios no uso do hemisfério cerebral esquerdo, nunca é parceiro ideal para o papo solto, a conversa disciplinadora, o bom interrogatório. Não que isso o impeça de conversar com os filhos. Deve conversar e muito, mas poucos são os homens capazes de tão bem quanto as mulheres equilibrar a fala à emoção e, dessa forma, ‘abrir’ os pensamentos da criança ou do adolescente.[6]

O autor assevera ainda:

O pai desempenha na educação dos filhos papel de igual importância, ainda que extremamente diferente. Nos primeiros anos da infância deve inspirar presença e proteção que ao serem demonstradas à esposa ficam claras também para a criança. Mas, a importância paterna cresce de forma extraordinária quando, por volta dos três anos, a criança começa a descobrir sua individualidade e inspira-se no pai para fundamentar a base de sua responsabilidade. Nessa fase, o pai é para a criança o personagem central da família, simbolizando com doçura ‘força’ e ‘poder’.  Embora nem sempre se perceba essa distinção entre a ação masculina e a feminina, esta é essencial para o fortalecimento do caráter.
A criança cresce descobrindo que existe em sua vida uma autoridade diária e contínua exercida pela figura da mãe e uma outra autoridade, não menor ou maior, mas exercida de forma mais distante, ainda que suprema, simbolizada pela figura do pai.  Do pai, como modelo dessa autoridade suprema, deve emanar a base dos conceitos morais da criança, que aos poucos descobre que o pai é o que ama e o que conduz. Os meninos, sobretudo, devem sentir orgulho desse pai a ponto de desejarem ser como ele.
O pai distante ou ausente [assim como a ausência da mãe] deixa o vazio, a carência de modelo de força e poder. E não existe na neurologia ou na psicologia qualquer estratégia ou remédio que possam compensar a dimensão dessa ausência.[7]


Quando a separação do casal for inevitável ou no caso da desencarnação de um dos cônjuges, por exemplo, ficando a educação dos filhos para apenas uma pessoa, é importante, segundo o referido autor, que esta saiba assumir outras funções e outros papéis. Se bem assumidos, poderão diminuir o impacto ou o vazio deixado, mas jamais o eliminará totalmente.


Conclusão

O relaxamento dos laços familiares pode gerar doenças e promover insegurança afetiva. A constatação é da cientista da Universidade da Califórnia (EUA), Rena Repetti, após reunir mais de 500 estudos sobre a relação entre família e saúde. A pesquisadora constatou que “crianças que crescem num ambiente de acolhimento e segurança emocional em geral são providas de maior senso de integração social e mais capazes de regular o próprio comportamento para manter a saúde do corpo e da mente...”.[8]
Temos visto, em nossa experiência profissional, alunos manifestarem em certos casos, comportamentos indisciplinados, outras vezes, por falta de modelos e de referenciais domésticos, terminam – por carência - deslocando para o professor (a), para um personagem da televisão ou, dependendo da índole desse jovem, para um traficante ou o chefe do tráfico do bairro ou da cidade.
Uma família bem resolvida, independentemente se nuclear ou monoparental, se configura num espaço relacional onde as emoções são trabalhadas positivamente, os limites e a disciplina são exigidos, o afeto nutre a convivência, os exemplos positivos estão presentes, e os problemas são enfrentados com responsabilidade, conforme os papéis assumidos e “acumulados”.



[1] BAUMAN, Zigmunt. Amor Líquido. Sobre a fragilidade dos laços humanos. Trad. Carlos Alberto Medeiros. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Editores, 2004.
[2] No Brasil o divórcio foi instituído pela Lei n. 6.515/77
[3] LEITE, Eduardo de Oliveira. Famílias monoparentais. 2. ed. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 2003. P. 21.
[4] O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo 22, item 3.
[5] PEASE, Allan. Por que os homens fazem sexo e as mulheres fazem amor?Tradução Neuza M. Simões. Rio de Janeiro: Sextante, 2000. P. 41.
[6] ANTUNES, Celso. Bilhete ao Pai. Petrópolis,RJ: Vozes, 2005. P. 84-85.
[7] Idem.
[8] Sua Família, sua saúde: A medicina prova que os laços familiares são decisivos para manter o organismo sadio. Este vínculo pode ajudar a combater doenças como asma, depressão e até câncer. Revista Isto É, 16/04/2008, no. 2006, pág. 76-81. 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

A METÁFORA



           Ele era o camelo: o espírito transformado em besta de carga. Servia apenas para obedecer cegamente. Ajoelhava-se para que a carga fosse bem colocada sobre seu dorso, não reclamava do peso, nem do encargo, e seguia em direção ao deserto para cumprir sua missão. Era o que lhe ordenavam.

            Apesar de fazer sempre a mesma coisa, um dia se desviou do caminho e se perdeu. Na solidão do deserto, por ter que tomar decisões sozinho, percebeu-se diferente do que era até então. Tomou consciência de si mesmo e viu que na realidade não era um camelo, mas sim, um leão. Aquilo transformou sua existência: não devia mais obediência a ninguém. A palavra de ordem que até então era: “Eu devo”, agora, em liberdade, passou a ser: “Eu quero”.

            Conquistou finalmente sua liberdade e achou que agora, livre das amarras, era o rei do seu próprio destino. Entrou em conflito com seus antigos senhores que ainda ordenavam: “Tu deves!”. Ele retrucava: “Eu quero!”.

            Era a rebeldia dos oprimidos. Fazia o que tinha vontade, na hora em que queria, com quem desejava e, sem perceber, tornara-se novamente escravo, só que de outro senhor: os seus desejos!

            Era a ditadura da vontade. Não compreendeu que ao se deixar dominar por outros deuses - do prazer, da sensualidade, da vaidade, do egoísmo - deixou-se corromper e de cumprir com seus reais deveres, de se empenhar em seu próprio destino.

            Se antes era infeliz, por ser obediente ao extremo, agora era triste, pela rebeldia descabida e pelo total domínio dos prazeres.

            Deste conflito interno surgiu o terceiro ser: o ser real. O ser em equilíbrio, que nutre a sabedoria da razão, mas compreende a necessidade do dever; que requer os direitos, mas cumpre as obrigações. Com a compreensão da existência de leis superiores, elaboradas por uma Inteligência Suprema, entende-as como sábias e justas, portanto, merecedoras de respeito e submissão.

            Metaforicamente, é assim um pouco da história da humanidade. Saindo da fé cega e absoluta (o camelo obediente), onde as ordens, as crenças deveriam ser inquestionáveis, passou ao outro extremo, do materialismo, da negação absoluta de Deus, que ainda não podia compreender (o leão das vontades).

            A terceira fase é a da fé raciocinada, onde o entendimento das leis que regem o mundo físico e o mundo moral o auxiliará a chegar à atitude de equilíbrio e ponderação.

            Há liberdade, mas há o dever. A liberdade absoluta só seria possível na condição de eremita no deserto. Desde de que haja dois seres juntos, há direitos a respeitar e nenhum deles terá mais a liberdade absoluta (O Livro dos Espíritos, questão 826).

            O dever não tira a condição de querer o melhor ou ser o senhor de si mesmo. É nessa condição, não mais de escravo obediente, nem de filho rebelde, mas tendo como base a fé raciocinada, que a criatura humana caminha a passos largos rumo à liberdade e à felicidade.
Luis Roberto Scholl
Inspirado em um conto de Friedrich Nietzsche