terça-feira, 23 de outubro de 2012

CUIDAR DO MEIO AMBIENTE TAREFA DE TODOS


 Buraco na camada de ozônio

Acima da camada atmosférica, na qual respiramos, há uma
camada de gás ozônio circulando o planeta. Ela ajuda a
bloquear os raios do sol que são prejudiciais para a nossa pele,
deixando passar apenas os raios que são essenciais para a
nossa vida na terra. Funciona como um filtro solar global.

O que está acontecendo?

A camada de ozônio está sendo danificada por gases que a
indústria química tem colocado no mercado. Esses gases são
chamados CFC's. Eles são usados em refrigerador, extintor de
incêndio, ar condicionado, espuma plástica, dentre outos. Os
CFC's flutuam para o topo do planeta e "devoram" o ozônio.
Os cientistas estão muito preocupados com a camada de
ozônio, pois uma grande porção dela tem desaparecido em
apenas poucos anos.

A chuva ácida

Muitos cientistas acreditam que as misteriosas mudanças nas
florestas e lagos têm uma causa comum – a chuva ácida. Ela
pode está causando a morte de árvores, sapos,
salamandras,peixes e outras espécies. A chuva ácida resulta
da queima do carvão, óleo combustível e gás natural.
Geradores de energia queimam grandes quantidades de
carvão e óleo para produzir a energia que nós necessitamos
usar todos os dias em nossa casa, escola e trabalho. As
indústrias, também, queimam enormes quantidades de
combustíveis fósseis. A combustão interna do motor dos
carros, caminhões e ônibus queimam óleo e gasolina. Como
resultado desta queima, Poluentes de chaminés e descargas
de veículos são liberados dentro da atmosfera. Alguns desses
poluentes, em particular, dióxido de enxofre e óxidos de
nitrogênio (SO2 e NOx), podem transformar-se em chuva ácida.
Quando eles estão na atmosfera, eles misturam-se com vapor
d'água e reagem com a luz do sol. Essa reação química produz
os ácidos sulfúrico e nítrico que se tornam parte do vapor
d'água que condensa e forma as nuvens. Eventualmente, a
água se torna tão pesada para a atmosfera suportar, que caie
na terra em forma de chuva ácida.

Fonte: Cézar-Matos, Arlinda. 2001. Valorando a Vida.
ISBN 0-9710044-0-4 USA

segunda-feira, 22 de outubro de 2012


As razões dessa história

Galeria de Valois, no Palais Royal, local de lançamento de O Livros dos Espíritos em 1857.

Por que o Espiritismo praticamente desapareceu na França e se expandiu tanto no Brasil?
Sendo um movimento que teve tanta repercussão em sua época e nas décadas seguintes, por que é sistematicamente ignorado pela historiografia contemporânea?
Por que o Espiritismo não é citado nem reconhecido como um dos capítulos mais críticos da história do Cristianismo?
Como explicar tantas diferenças de concepção doutrinária e múltiplas tendências no Movimento Espírita?
Quais são as raízes ideológicas do Espiritismo e por que a doutrina ainda sofre tantas resistências no seu aspecto moral, inclusive entre os espíritas?
Que nomes são verdadeiramente significativos e inovadores na História do Movimento Espírita?
Discutir e tentar responder essas perguntas são os principais objetivos deste livro, não economizando para tanto, argumentos, fatos e uma vasta documentação histórica.
Desde 1926, com a publicação do clássico The History of Spiritualism, de Sir Artur Conan Doyle, não tínhamos um relato tão amplo e atualizado sobre os eventos históricos do Espiritismo e das intensas transformações ocorridas no Movimento Espírita após o desencarne de Allan Kardec, em 1869.
Mesmo assim, não só a comunidade espírita e espiritualista internacional, mas também o universo acadêmico das ciências humanas, reclamavam a falta de um trabalho que fosse ao mesmo tempo abrangente e síntese historiográfica, preenchendo o enorme vácuo deixado pelo célebre escritor inglês.
Como o próprio autor afirma em sua introdução, este estudo está longe de ser a obra definitiva sobre o assunto, mas certamente é, até agora, a continuidade de uma construção histórica e uma boa oportunidade para compreendermos o passado, o presente e o futuro do Espiritismo.

O que deve ser a história do Espiritismo


“A propósito dessa história, sobre a qual dissemos algumas palavras, várias pessoas nos perguntaram o que compreenderia ela e, a propósito, nos enviaram diversos relatos de manifestações. Aos que pensaram assim trazer uma pedra ao edifício, agradecemos a intenção, mas diremos que se trata de algo mais sério que um catálogo de fenômenos espíritas, encontradiço em muitas obras.
Tendo que se destacar o Espiritismo nos fastos da humanidade, será interessante para as gerações futuras saber porque meios ter-se-á ele se estabelecido. Será, pois, a história das peripécias que tiverem assinalado os seus primeiros passos; das lutas que tiver enfrentado; dos entraves que lhe terão oposto; de sua marcha progressiva no mundo inteiro.
O verdadeiro mérito é modesto e não busca fazer-se valer.
É preciso que a humanidade conheça os nomes dos primeiros pioneiros da obra, daqueles cuja abnegação e devotamento merecerão ser inscritos em seus anais; das cidades que marcharam na vanguarda; dos que sofreram pela causa, a fim de que os abençoem; e dos que fizeram sofrer, a fim de que orem, para que sejam perdoados; numa palavra, de seus amigos dedicados e de seus inimigos confessos ou ocultos.
É preciso que a intriga e a ambição não usurpem o lugar que lhes pertence, nem um reconhecimento e uma honra que lhes não são devidos. Se há Judas, devem ser desmascarados. Uma parte que não será menos importante é a das revelações que, seguidamente, anunciaram todas as fases dessa nova era e os acontecimentos de toda a ordem, que as acompanharam.
Aos que achassem a tarefa presunçosa, diremos que não temos outro mérito senão o de possuir, por nossa posição excepcional, documentos que não pertencem a ninguém e que estão ao abrigo de quaisquer eventualidades; que, incontestavelmente, estando o Espiritismo sendo chamado a desempenhar um grande papel na História, importa que seu papel não seja desnaturado, e opor uma história autêntica às histórias apócrifas que o interesse pessoal poderia fabricar.
Quando aparecerá ela?
Não será tão cedo e talvez não em nossa encarnação, pois não se destina a satisfazer a curiosidade do momento. Se dela falamos por antecipação, é para que ninguém se equivoque quanto ao seu objetivo e seja anotada a nossa intenção. Aliás, o Espiritismo está em começo e muitas outras coisas terão passado até lá. Então, é preciso esperar que cada um tenha tomado o seu lugar, certo ou errado.”
Allan Kardec - Revista Espírita – ANO V, outubro de 1862

sexta-feira, 19 de outubro de 2012


Quem nos deu a esponja para apagar o horizonte?


Jerri Almeida

Sobre Deus já se disse muito. Desde que não existe, até de que já morreu. Tema fundamental não somente da teologia, mas da filosofia, o pensar sobre Deus, em tempos de hipermodernidade, continua atual. É natural, no entanto, que Deus assuma diversos significados conforme o contexto histórico e mental de cada época. Platão, no século IV a.C., foi um dos primeiros pensadores a definir Deus como uma potência superior com ilimitada inteligência e bondade: o Demiurgo, uma espécie de ordenador do mundo.  Em seu texto denominado Timeu, Platão afirma que Deus é esse poder que dá ao mundo as expressões mais perfeitas do existente: o bem, a justiça, o amor, a beleza...
O caminho direto para Deus está aberto! Não ouviram falar daquele homem louco que em plena manhã acendeu uma lanterna e correu ao mercado, pondo-se a gritar incessantemente: “Procuro Deus! Procuro Deus!” O episódio do louco de Nietzche sob um olhar contemporâneo, marca a morte do deus idealizado e temerário, capaz de castigar severamente, sem perdoar o homem infantilizado que ele próprio criou. Quanto há para pensarmos sobre Deus?
Pois é exatamente essa a proposta de João de Deus Brasil, pseudônimo adotado pelo escritor Lebrum Marques, ao publicar: Por que creio em Deus. Minha amizade, ao longo dos anos com o autor, me permite percebê-lo profundamente culto e sensível. Trata-se de um escritor que transita com segurança pelo mundo das palavras e dos argumentos. Afirma que: “muitos de nós atravessamos a existência aferrados a conceitos absurdos e não nos permitimos avançar.” E, por isso, nos conduz o raciocínio para acompanhá-lo em suas experiências que, no conjunto, propõem-se responder à questão-título desse livro.
Não se trata de um texto religioso, muito menos de memórias. Com fina habilidade, o autor utiliza-se de recortes de sua vida pessoal e familiar, para evidenciar fatos de natureza transcendentes e, ao mesmo tempo, universais. Soube interpretá-los com maturidade, extraindo imperiosas lições, como no capítulo: “O Cristo redentor”, onde relata a dramática viagem aérea com sua família, em 1967. Ao leitor compete examinar a força dos fatos, tirando suas próprias conclusões.
Passando, em sua juventude, pelas fileiras do ateísmo, o autor foi vencido pelas evidências dos fatos. Sim, possivelmente não existam ateus verdadeiramente ateus! Ainda hoje, cosmólogos e astrofísicos se indagam: como é possível o “nada” ter criado tudo? Camille Flammarion, o celebre fundador do observatório de Juvisy-sur-Orge, na França, com seu espírito perquiridor asseverava: Dieu dans la nature. Também o autor concorda com a presença de Deus na natureza, como quando apresenta o exemplo da “borboleta-coruja”, enfatizando a “assinatura do Criador ao pé de Sua obra.”
No fundo, o imperativo de Deus está inscrito, conforme observou Jung, no inconsciente coletivo. Negá-Lo, já é atestar, a priori, Sua existência. Como negar algo que não existe? Todavia, a construção da convicção sobre Deus é algo pessoal e obedece aos ditames de um aprimorado olhar sobre a vida. Cada indivíduo possui seu ritmo próprio para percorrer essa trajetória mental.
O ateísmo de hoje, projetado no tempo, transformar-se-á em ditosas reflexões e perquirições de elevado alcance sobre os mecanismos da vida e sua causalidade divina. Na medida em que a humanidade avança, o conhecimento se complexifica, desvelando novos saberes e novos horizontes conceituais. De tal forma que, inexoravelmente, não obstante os profetas do negativismo de ontem e de hoje, marchamos para uma percepção mais nítida de Deus.
Mas o autor nos evidencia, também, os fenômenos insólitos vivenciados por ele e sua família no ano de 1973, quando passaram a habitar uma antiga casa na cidade de Porto Alegre. O fenômeno das chamadas “casas mal-assombradas”, também estudado por Flammarion, discute a presença e a participação direta dos chamados “mortos”, através de eventos observados que, com grande força de lógica, atestam a tese da imortalidade da alma e sua comunicabilidade.
O materialismo nunca apresentou provas científicas da inexistência de Deus e da alma. Sempre exigiu tais provas dos meios religiosos e espiritualistas. Todavia, o amadurecimento mental do sujeito humano torna imperativo um olhar mais ingente e profícuo para a natureza humana, sem limitá-la ao fisiologismo biológico. Vivemos dias de grandes conquistas do pensamento e, por isso, de fragilidade do reducionismo materialista. É como aquela velha história: de tanto estudar a árvore, acaba-se não percebendo o bosque.  
João de Deus Brasil, em seu livro, nos convida a olhar mais amplamente esse “bosque da vida”. O próprio autor assevera: “Se só existisse matéria, o comportamento futuro dos seres e o destino das coisas teriam de ser aleatórios e incertos e, portanto, imprevisíveis.” A estrutura do Universo não parece refletir essa imprevisibilidade.
O texto aqui apresentado descortina horizontes e nos leva a reflexões. Estimula a pensar sobre temas determinantes, que sempre inquietaram o pensamento humano. Para muitos parecerá combativo ao ateísmo e ao materialismo. Preferimos considerá-lo, no entanto, um livro de argumentos!  Sua tese é robusta, pois retoma elementos da cultura contemporânea e do pensamento universal.
A ideia sobre Deus e a alma não é privilégio desta ou daquela civilização.  Em sua obra intitulada “Purificações”, Empédocles de Agrigento (493-430 a.C.) se reporta a uma alma humana espiritual e imortal, sob o influxo das ideias órfico-pitagóricas, retomando as reflexões sobre a alma e seu destino, sobre o mortal e o não-mortal. O poeta grego Homero que viveu no século VIII a.C., na Jônia, Ásia Menor, ficou conhecido amplamente por suas obras: Ilíada e Odisséia.  A ideia da alma aparece em Homero de forma substancial: “a psyché escapa como uma fumaça”,[1] por ocasião da morte.  E mais: “Durante a noite apareceu a Aquiles, em sonhos, a alma de Pátroclo, rogando-lhe para apressar a cerimônia do enterro.”[2]
A finalidade do esforço feito por João de Deus Brasil, como ele mesmo reconhece, é estender ao maior número de pessoas elementos de reflexão para estimular uma fé racional. Cremos que tal intento é louvável, e mesmo oportuno, diante da liquidez dos valores da contemporaneidade. Diante da cultura do hiperconsumo, do descartável e do hedonismo, continuamos vivendo numa sociedade da decepção, conforme denominou Lipovetsky ao refletir sobre a chamada “era do vazio”.
Para ele, uma das possíveis causas que ajudam a explicar esse fenômeno contemporâneo é o enfraquecimento dos dispositivos religiosos de socialização. Apesar das religiões não impedirem as manifestações de amarguras e os desafios humanos, elas representam, em sua versão conservadora, uma espécie de “refúgio” ou um “ponto de apoio” ou de “consolação” insubstituível.
 Temos tudo, e nada temos! Está sempre faltando algo! Vivemos possuídos pela posse possuidora, e escravos da posse que ainda não possuímos! Não obstante, poderemos perceber que o que de fato nos falta é a presença de Deus em nossos corações, assim como a consciência de nossa imortalidade e eternidade da vida.

Notas

[1] HOMERO. Ilíada, Canto XXIII
[2] Idem.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Tríplice aspecto do Espiritismo


A Doutrina Espírita é de natureza tríplice, pois abrange princípios filosóficos (é uma “filosofia espiritualista”1), científicos e religiosos ou morais. Daí Allan Kardec afirmar: O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica. Como ciência prática consiste nas relações que se podem estabelecer entre nós e os Espíritos; como filosofia, compreende todas as consequências morais que decorrem de tais relações.2

Tendo como referência essa orientação, o Espírito Emmanuel elucida: Podemos tomar o Espiritismo, simbolizado [...]como um triângulo de forças espirituais. A Ciência e a Filosofia vinculam à Terra essa figura simbólica, porém, a Religião é o ângulo divino que a liga ao céu.” 3 E acrescenta:
No seu aspecto científico e filosófico, a Doutrina será sempre um campo nobre de investigações humanas, como outros movimentos coletivos, de natureza intelectual, que visam ao aperfeiçoamento da Humanidade. No aspecto religioso, todavia, repousa a sua grandeza divina, por constituir a restauração do Evangelho de Jesus Cristo, estabelecendo a renovação definitiva do homem, para a grandeza do seu imenso futuro espiritual. 3
 Em linhas gerais, o aspecto filosófico analisa a Criação Divina, explicando porque Deus criou o homem, qual é a sua origem e sua destinação, refletindo sobre as causas da felicidade e infelicidade humanas. O aspecto científico fornece comprovações a respeito da natureza e imortalidade do Espírito; a influência exercida pelos Espíritos e o intercâmbio mediúnico estabelecido entre  encarnados e desencarnados. O aspecto religioso trata das consequências morais do comportamento humano, definido pelo uso do livre arbítrio e governado pela lei de causa e efeito.
A melhoria moral, orientada pelo Espiritismo, fundamenta-se nos preceitos doutrinários do Evangelho de Jesus,  considerado “modelo e guia da Humanidade” 4: “Para o homem, Jesus representa o tipo da perfeição moral a que a Humanidade pode aspirar na Terra. Deus no-lo oferece como o mais perfeito modelo, e a doutrina que ensinou é a mais pura expressão de sua  lei [...].”4
Referências
  1. KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2010. Folha de Rosto.
  2. ____. O que é o espiritismo. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 1. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2009. Preâmbulo.
  3. XAVIER, Francisco Cândido. O consolador. Pelo espírito Emmanuel. 28. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2008. Definição.
  4. KARDEC, Allan. O livro dos espíritos. Tradução de Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. Rio de Janeiro: FEB, 2010, questão 625.

sábado, 13 de outubro de 2012

DOCUMENTÁRIO SOBRE REENCARNAÇÃO



A Fase Intermediária da moralidade subjetiva


J. Herculano Pires


"Para se projetar na existência o ser já desenvolveu em si as potencialidades vitais que antecedem, no plano racional-afetivo, o desenvolvimento da moralidade. A dialética subjetiva da racionalidade com a afetividade – razão versus sentimento – produz no ser a síntese da moral subjetiva, que engloba e disciplina as experiências longamente desenvolvidas nos planos inferiores de sua própria ontogênese, que estabelece nesta a realidade do em-si, esse pivô da formação ôntica, que isola o ser nascituro de suas conotações vitais com os reinos inferiores da Natureza, permitindo-lhe o desenvolvimento do egocentrismo. Esse ego solitário centraliza avaramente o progresso já realizado, despertando para consciência de si mesmo. Sartre, que negligenciou toda essa anterioridade, apresentou o ser como uma coisa limbosa e fechada em si mesma, que se projeta na existência em virtude da necessidade ôntica da comunicação. Essa parte metafísica de O Ser e o Nada, de Sartre, é a primeira contradição de sua filosofia. O ser que se lança na existência não é nem pode ser essa espécie de ovóide espiritual inconsciente, pois determina por si mesmo essa projeção por sentir a necessidade de novas experiências. O ato de lançar-se na existência equivale ao nascimento do ser como criatura humana. E tanto assim que o ser se transforma numa paixão inútil, que é a paixão do homem na vida em busca da transcendência que o fato da morte transforma em frustração.
A realidade viva e existencial do homem, entretanto, é real e universalmente o contrário disso. Lançada na existência, a criatura humana amadurece nas experiências vitais para resolver-se como existente, um ser que existe no plano material concreto e desenvolve a sua facticidade (a forma humana com que nasceu feito) num processo contínuo de transcendência. Desde o seu primeiro grito, o ser se projeta na transcendência horizontal da conquista do meio, prosseguindo na conquista do mundo e atingindo a transcendência final sobre a morte através da ressurreição, hoje confirmada pelas pesquisas científicas e tecnológicas.
Na família e na escola o ser pisa os primeiros degraus de sua escalada transcendente na existência. O egocentrismo inicial pode concentrar-se em egoísmo no período infantil e da adolescência, arrastando-se em certos casos mórbidos na idade madura, na forma de estagnação do infantilismo adulto de natureza psíquica. A moralidade se apresenta então como recurso natural de correção desse acidente. Forçado pelas exigências externas da moral social, o ser vai aos poucos se abrindo para a descoberta íntima da moral subjetiva ou endógena, que não pressiona de fora, mas de dentro, na sua própria intimidade. São os dois tipos de moral classificados por Bergson: a Moral Fechada (porque fechada numa estrutural social restrita) e a Moral Aberta, individual e endógena, pela qual a moralidade do ser se abre à comunhão humana irrestrita. Nesta moral o ser, a princípio biopsíquico, atinge as dimensões da moralidade, transformando-se num ser moral. A Moral Social ou fechada está sempre ligada a uma religião estática, tradicional, seguindo a proposição de Bergson, e a Moral Aberta ou individual corresponde às religiões dinâmicas, antidogmáticas e racionais. A Moral e a Religião livres constituem a fase de transição do ser moral para o ser espiritual. Neste ser o homem atinge a transcendência possível naExistência. Diante dele se abrem as vias da Espiritualidade Superior. A morte não existe para ele, pois vê diante dele as perspectivas do Infinito, com os mundos felizes em que as atividades humanas são substituídas pelas atividades divinas. Nele se cumpre a destinação do homem no após morte, com a vida em abundância a que se referiu o Cristo, o Nirvana de Buda, o Tao de Lao Tsé e assim por diante. Não podemos conceber, em nossos cérebros de origem animal, a grandeza ilimitada dessa transcendência cósmica, que é o destino natural de todas as criaturas humanas.
A Moralidade, que Pestalozzi considerava como a única religião verdadeira, colocando-a como o fim supremo da educação, representa o acabamento do homem como um ser humano, o cidadão universal. Esse homem formado para universalidade não tem pátria nem raça, mas não é um apátrida, por que todas as nações lhe servem de pátria. Não aceita nenhuma discriminação humana, pois a Humanidade é a sua família e a sua raça. Ele vê nos seus irmãos humanos, de todas as condições, criaturas que avançam para a divindade, esse delta espiritual em que deságuam todos os rios que se decantam nas corredeiras existenciais para atingirem o verdadeiro Mar da Serenidade, que não está na Lua, mas aqui mesmo na Terra dos Homens. E este não é um sonho de poeta lírico, nem uma alucinação ou miragem, mas a realidade que Jesus de Nazaré nos mostrou na face líquida do Mar da Galiléia. A pesca milagrosa dos Evangelhos se repete continuamente na visão espiritual dos que se entregam ao fluxo existencial.
A Moralidade, que é a Moral na sua plena atualização, transformada de potência em ato, revela-se então como o supremo ideal humano. Uma vez atingido esse ideal, o homem se transforma em Divindade, como a flor que se transforma em fruto.
Como se perdem na poeira da Terra os conceitos pragmáticos da moral que a reduzem à raiz latina de mores, de usos e costumes mantidos segundo as conveniências! A Moral não é um sistema de regras imediatistas, como quiseram os sociólogos materialistas. Como não é, também, uma entidade mística ou mitológica. É uma aspiração natural do homem, no anseio de realizar toda a sua perfectibilidade possível, segundo essa expressão de Kant. E nesse sentido é que ela paira acima da realidade perecível, mantendo incólume através dos tempos a sua atração de arquétipo sobre a consciência humana. Sua eternidade, sustentada pelos metafísicos e negada pelos materialistas e pragmatistas, é relativa à duração da Humanidade no cosmos. A concepção existencial do homem, como um ser projetado contra o alvo da morte, uma flecha disparada no sentido de transcendência, revelou-nos a natureza ôntica da sua eternidade. O conceito bastardo da moral como normativa social agrada aos que desejam libertar-se dos compromissos morais para se entregarem às atrações dos instintos animais e à irresponsabilidade das aventuras ilusórias. A falta de visão espiritual dos pesquisadores levianos, apegados aos fenômenos e esquecidos dobúmeno, ou seja, da causa, contribui negativamente para a deformação da moral e a conturbação do nosso tempo. Os moralistas fanáticos, e por isso mesmo incapazes de compreender a natureza verdadeira da moral, bem como as Ligas da Moral, respondem pelos surtos de imoralidade nos séculos de racionalismo superficial."

Fonte: Evolução Espiritual do Homem - Na perspectiva da Doutrina Espírita

quinta-feira, 4 de outubro de 2012


Chico Xavier vence e é eleito O Maior Brasileiro de Todos os Tempos
A grande final de O Maior Brasileiro de Todos os tempos aconteceu na noite desta quarta, 3 de outubro, na sede do SBT, em São Paulo. Após encerrada a votação, o jornalista Carlos Nascimento anunciouChico Xavier como o grande vencedor da competição.

Representado por Saulo Gomes, o ícone espírita obteve 71,4% dos votos do público pela internet e via SMS.

Chico Xavier sempre foi considerado um mensageiro do amor. Um homem sereno e humilde que tocou o espírito de seus seguidores. Com apenas 21 anos, psicografou o primeiro livro. Logo viriam mais publicações, os elogios e as críticas. Durante toda a sua vida, ele teve que lidar com acusações e desconfianças dos descrentes na sua obra. Sua mensagem chegou a milhões de pessoas. Muitos são os relatos de vidas transformadas através das suas palavras.

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Chico Xavier O Maior Brasileiro de Todos os Tempos


Biografia

Chico Xavier foi um dos maiores expoentes do espiritismo no Século XX. Da infância pobre ao reconhecimento internacional, ele nunca pensou nele, e sim, no próximo.

Depois de conhecer seu guia espiritual, Chico levou o dom psicográfico às livrarias. Autores falecidos puderam continuar suas obras através do médium. Foram mais de 400 obras psicografadas e publicadas em diversos idiomas, uma vendagem superior a 50 milhões de exemplares.

Chico Xavier nunca ficou com um centavo do dinheiro arrecadado com as vendas. Toda renda, desde o seu primeiro livro, foi destinada a instituições espíritas e a seus trabalhos sociais, que ajudou sempre os mais necessitados.

O médium recebeu dezenas de homenagens de várias cidades. Porém, humildemente achava que esta admiração pertencia à doutrina espírita e não a ele.

Chico também era uma ponte de conforto para milhares de mães que buscavam nele a esperança de contato com os filhos já mortos. Um trabalho que passou a ter notoriedade graças ao seu empenho e disciplina.

Chico Xavier O Maior Brasileiro de Todos os Tempos


Curiosidades

• Chico Xavier venceu Ayrton Senna na fase semifinal do programa, com 63,8% dos votos.

• Sempre usava óculos escuros porque sofria de um tipo de catarata que não tinha cura.

• Aos 4 anos, Chico Xavier dizia que via espíritos. O pai pensou que o menino estava com o “demônio no corpo”.

• O primeiro livro de Chico Xavier tinha 259 poesias ditadas por 56 poetas mortos, entre eles Olavo Bilac e Castro Alves.

• Durante sua vida, Chico Xavier nunca ganhou dinheiro como médium. Trabalhou como operário e foi até datilógrafo.

• Emmanuel, o mentor espiritual de Chico Xavier, já teria vivido como um senador romano, um escravo e até mesmo um padre.

• A estreia do filme Chico Xavier ocorreu no mesmo dia em que o médium completaria 100 anos se estivesse vivo.

• Mesmo com problemas de saúde, como hérnia de disco e angina, Chico Xavier cumpriu sua missão espírita por toda a vida.

• Viajou para os Estados Unidos, em 1965, com intuito de divulgar o espiritismo no exterior.

• Tinha uma única vaidade: usava peruca para esconder sua calvície.

• Chico Xavier psicografou cerca de 10 mil cartas de desencarnados durante toda sua vida.

Chico Xavier O Maior Brasileiro de Todos os Tempos

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